Arquivo da tag: Idade Média

Surgimento das Universidades

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Título Original: Rise of the Universities
Autor: DAVID DEMING Tradução:  Suriani
Publicação: Science and Technology in World History, Vol. 2

SURGIMENTO DAS UNIVERSIDADES

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Summa Theologica

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Título Original: Summa Theologica
Autor: DAVID DEMING Tradução: Suriani
Publicação: Science and Technology in World History, Vol. 2

SUMMA THEOLOGICA

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Atitude Cristã contra a Filosofia

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Título Original: Attitudes Toward Philosophy
Autor: DAVID DEMING     Tradução: Suriani
Publicação: Science and Technology in World History, Vol. 2

ATITUDE CRISTÃ CONTRA A FILOSOFIA

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Estagnação Econômica durante o Feudalismo

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Título : Feudalism and Economic Stagnation
Autor: DAVID DEMING Tradução: Suriani
Publicação: Science and Technology in World History, Vol. 2

FEUDALISMO E ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA
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A Falha da Ciência e da Filosofia Natural na Era das Trevas – Conclusão: A (Falta de) Influência do Cristianismo

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Título Original: The Intellectual Decline of Europe /
Failure of Ancient Science and Natural Philosophy
Autor: DAVID DEMING
Publicado Originalmente em: Science and Technology in World History,
Vol. 2 – Early Christianity, the Rise of Islam and the Middle Ages,
McFarland & Company, EUA, 2010, pgs. 47-56
Tradução: Marco Aurélio Suriani
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INFLUÊNCIA DO CRISTIANISMO

Em 1925, Alfred North Whitehead (1861-1947) sugeriu que o longa prática do cristianismo e seus preceitos tinham preparado a Europa para a Revolução Científica do século XVII por incutir na mente ocidental a convicção instintiva de que a natureza foi uma criação racional e ordenada de Deus e que portanto poderia ser entendida através de uma investigação sistemática.

Whitehead afirmou que uma longa preocupação com o cristianismo incutiu na mente ocidental a crença de que a natureza obedecia a leis invariáveis ​​e que portanto poderiam ser compreendidas através da observação sistemática e experimentação. “Não pode haver ciência viva a menos que haja uma convicção instintiva generalizada na existência de uma ordem de coisas e, em particular, de uma Ordem da Natureza.” [53]

Whitehead postulou que o pressuposto implícito da ciência, que efeitos seguem às causas, era um derivado da teologia medieval.

A maior contribuição do medievalismo para a formação do movimento científico … [Foi] … a crença inexpugnável de que cada ocorrência detalhada pode ser correlacionada com seus antecedentes de uma maneira perfeitamente definida, exemplificando princípios gerais …. Como essa convicção foi tão vividamente implantada na mente Europeia? … Ela deve vir da insistência medieval na racionalidade de Deus …. Minha explicação é que a fé na possibilidade da ciência, gerada antes do desenvolvimento da teoria científica moderna, é uma derivada inconsciente da teologia medieval. [54]

Mas o monoteísmo era conhecido bem antes do cristianismo. Muitos dos filósofos gregos eram monoteístas. O monoteísmo pode até ser encontrado entre os sacerdócios babilônicos e egípcios desde 1500 aC. [55] O naturalismo também depende da uniformidade da natureza, e da convicção racional de um cosmos ordenado, onde invariavelmente e previsivelmente o efeito segue causa. Assim, as qualidades que Whitehead atribuiu à teologia medieval já estavam em uso desde muito antes da era cristã.

A tese de Whitehead também sugeriu que a filosofia foi enriquecida pela religião. Mas o inverso é o caso. Os teólogos foram seduzidos pelos filósofos. Se houvesse qualquer precedente imediato para o desenvolvimento da metodologia científica na Europa, foi o acolhimento da lógica aristotélica por teólogos da Alta Idade Média. Os teólogos foram atraídos para a filosofia grega por sua própria virtude inata. A razão foi incorporada às doutrinas da Igreja, porque os Escolásticos acharam o seu apelo irresistível. Depois de tudo, não seria razoável rejeitar razão. A religião foi enriquecida pela filosofia, e não o contrário.

Se Whitehead estivesse correto, e o cristianismo tivesse promovido ciência na Europa, então é sensato afirmar que o Islã deveria ter feito o mesmo nas terras do Oriente Médio. Tanto o islamismo quanto o cristianismo são religiões monoteístas que retratam um cosmos ordenado regidos por uma divindade pessoal. No entanto, o registro histórico é muito claro e convincente. O oposto aconteceu. A ortodoxia religiosa islâmica expulsou a ciência e a filosofia racional para fora da existência.

Houve outras afirmações de que o cristianismo promoveu ciência. John Macmurray alegou que “a ciência, em seu próprio campo, é o produto do cristianismo, e sua expressão mais adequada até o momento.” [56] Citando Macmurray, Karl Popper manifestou a convicção de que a ênfase do cristianismo na fraternidade facilitou o desenvolvimento da ciência. “Nossa civilização ocidental deve seu racionalismo, sua fé na unidade racional do homem e da sociedade aberta e, especialmente, a sua perspectiva científica, às antigas crenças socráticas e cristãs na fraternidade de todos os homens, e em honestidade intelectual e responsabilidade.” [57]

Gostaríamos de acreditar nesta tese. A verdade é uma unidade, e seria reconfortante encontrar consiliência entre religião e ciência. Mas a tese de que a ciência moderna foi nutrida pelo cristianismo é pouco convincente, forçada, e tendencioso. O argumento é normalmente oferecido de uma forma que é atraente, mas generalizado, vago e sem fatos específicos de apoio.

É verdade que a experimentação sistemática e o critério de repetibilidade requerem cooperação. No entanto, filósofos tinham um espírito de cooperação antes do advento do cristianismo. Uma evidência factual para isso é a correspondência de Arquimedes com matemáticos em Alexandria. [58] O fato de que os antigos tinham desenvolvido o conceito de um “pecado contra a filosofia” [59] deixa implícito que eles tinham desenvolvido uma ética de cooperação desinteressada voltada para a busca da verdade objetiva.

Sobre o cristianismo ter ajudado no desenvolvimento da ciência na Europa, o efeito pode ter sido indireto. O cristianismo provia um credo comum e uma ética de fraternidade que ajudou a unificar as diversas culturas e tribos do continente. Isso ajudou no desenvolvimento comercial e econômico da Europa por diminuir os conflitos e facilitar a cooperação. A atividade comercial em si, é claro, é um incentivo à cooperação. Ao longo dos séculos de civilização, homens têm vindo a adquirir uma apreciação de que é mais lucrativo tomar estranhos como aliados na tarefa de produção do que tratá-los como inimigos. Juntos, o cristianismo e o comércio eram sinérgicos na promoção da unidade, da paz e da produtividade na Europa.

Também deve ser francamente admitido que há muita verdade na visão tradicional que enfatiza a hostilidade entre ciência e religião. [60] Ciência e religião são sistemas concorrentes de conhecimento baseadas em diferentes métodos epistemológicos. Cada um deles gostaria de colocar sua reivindicação de conhecimento ao mundo todo. É inevitável que eles entrem em conflito e transgridam um ao outro no que diz respeito aos seus próprios domínios. Aristóteles ensinava que “o mundo é eterno,” [61], mas o livro de Gênesis afirma que o tempo começou quando “Deus criou o céu e a terra.” [62] Quando os astrônomos removeram a Terra do centro do universo, no século XVII, as ramificações morais eram necessariamente profundas e questionáveis para os teólogos cristãos.

Notas e Referências:

53. Whitehead, A. N., 1967, Science and the Modern World (primeira publicação em 1925 por Macmillan, New York). Free Press, New York, p. 3–4.
54. Ibid., p. 12–13.
55. Whittaker, T., 1911, Priests, Philosophers and Prophets. Adam and Charles Black, London, p. 11.
56. Macmurray, J., 1939, The Clue to History. Harper & Brothers, New York, p. 86.
57. Popper, K., 1966, The Open Society and Its Enemies, Fifth Edition, vol. 2. Princeton University Press, Princeton, New Jersey, p. 243–244.
58. Archimedes, 2002, The Works of Archimedes, edited by T. L. Heath, originalmente publicado como The Works of Archimedes (1897, Cambridge Univ. Press) e The Method of Archimedes (1912, Cambridge Univ. Press). Dover, Mineola, New York, p. 151.
59. Aelianus, Claudius, 1665, Claudius Aelianus his Various History, Book 3, Chapter 36, traduzido por Thomas Stanley. Thomas Dring, London, p. 92.
60. White, A. D., 1909, A History of the Warfare of Science with Theology in Christendom, vol. 1 and 2. D. Appleton, New York.
61. Aristotle, 1923, Meteorologica (Meteorology), Book 1, Chapter 9, translated by E. W. Webster. Oxford at the Clarendon Press, London, p. 353a.
62. Bíblia, Versão King James, Gênesis 1:1.