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A peleumonia intelectual dos zombadores de quem não sabe falar direito

Em julho de 2016, o médico Guilherme Capel de Serra Negra/SP foi notícia ao ridicularizar um paciente que falava “peleumonia”. Erro cometido, ele pediu desculpas e caiu no esquecimento. Mas o que mais me chamou atenção neste caso na época foi outra coisa.

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FIM DE UM MITO: Gardner e a Teoria da Ignorância Múltipla

“Mariazinha, você é tão inteligente quanto o Einstein, mas em coisas diferentes.”

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Vamos à escola para nos divertir ou para estudar?

Uma aula super-divertida! Ebaa!!!

Em que fossa a pedagogia moderna resolveu se enfiar, hein?

Tyler DeWitt, um jovem e novato professor de biologia cheio de energia, descobriu que suas aulas não estavam ajudando os alunos em nada. Então, para os alunos ficarem felizes, ele “desenvolveu um método” super-criativo de “lecionar”: contar historinhas. Vejam ele performando um pequeno exemplo de sua aula super divertida e fazendo uma defesa dessa abordagem em uma palestra do TED, a maior plataforma mundial de viralização de ideias de jerico que esse mundo já viu.

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Escola “sem” partido

Caros leitores, eu estou vivo!

Um pouco mais de três meses de sumiço é reflexo de todas as minhas atividades em curso, que me forçaram a estourar a jornada comum de trabalho. Mas vou aproveitar o descanso de fim de ano e minhas férias como professor em janeiro para atualizar aqui um pouco.

E nada melhor do que registrar meus comentários sobre um recente surto da direita brasileira, a chamada escola “sem” partido. Continuar lendo Escola “sem” partido

Vida de professor é fácil?

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Título Original: Tendências/Debates: Como é fácil a vida dos professores
Autor: ALBERTO CARLOS ALMEIDA
Publicado Originalmente em: Folha de São Paulo – 06/10/2012 – 03h30
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Faltam metas de produtividade aos docentes das universidades públicas?

SIM

A principal avaliação, senão única, à qual são submetidos os professores de nossas universidades federais ocorre por meio das pós-graduações. A quantidade e qualidade de suas produções científicas é medida, e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) confere notas para cada curso de pós-graduação.

A distribuição de recursos entre as pós-graduações ocorre de acordo com tais notas: quanto mais elevada elas são, mais acesso a bolsas de estudo, financiamentos para viagens etc. tais cursos recebem. É muito pouco, considerando-se o quanto nós brasileiros, todos, inclusive os mais pobres, pagamos para sustentar este enorme sistema público universitário.

Fui professor do departamento de ciência política da Universidade Federal Fluminense entre 1993 e 2005 e tive a chance de ser testemunha ocular de como é fácil a vida dos professores de universidades púbicas.

Não há um rigoroso controle externo sobre o que é feito ou o que se deixa de fazer. Se falta isso, imagine metas de produtividade.

Vi em muitas oportunidades vários professores deixarem de dar inúmeras aulas e nada acontecerem com eles. Os alunos não têm a quem recorrer. Eles podem reclamar com o respectivo departamento de ensino ao qual o professor está vinculado. Como são todos pares e muitas vezes um professor pode precisar do apoio político de outro, eles nada fazem para coibir os faltosos.

Não dar aulas é um mal visível. Há os menos visíveis, porém com consequências muito negativas.

Muitos professores dão aulas, mas enrolam: iniciam 15 minutos mais tarde e terminam 15 minutos mais cedo do que o horário regular, ficam dando suas opiniões pessoais em sala de aula em vez de ensinar conteúdos, não se atualizam com a finalidade de melhorar seus cursos etc. A falta de cobrança externa resulta em acomodação e, em muitos casos, a preguiça se manifesta.

Sendo assim, a primeira meta a ser estabelecida é tão óbvia quanto necessária: dar todas as aulas do início ao fim com conteúdo denso e útil para os estudantes.

Isso se mede por meio da produtividade: é preciso que seja estabelecido um rigoroso processo de avaliação do estudante, por meio de indicadores, desde quando ele entra na universidade até os primeiros anos após sua formatura, com a entrada no mercado de trabalho.

Tenho tido a chance de trabalhar em um projeto que faz exatamente isso, o projeto Siga realizado pela Unianhanguera, e os benefícios são evidentes. Indicadores desta natureza permitem detectar e identificar as causas de problemas como estudantes desestimulados e evasão.

Os professores das universidades federais não querem esse tipo de avaliação, pois seria fazer um raio-X sobre o resultado de seu trabalho. Eles não querem ser controlados.

O nosso sistema de universidades federais custará em 2012 quase R$ 28 bilhões. Um sistema tão caro precisa dar uma grande contribuição ao país. Não é isso que vemos.

Os professores são juridicamente funcionários públicos, e grande parte deles se comporta como tal no sentido pejorativo da expressão: não trabalham ou trabalham muito pouco.

É por isso que o resultado do que eles fazem precisa de controle externo por meio de avaliações abrangentes e rigorosas, que incluam metas de produtividade a elas vinculadas, e os recursos precisam ser alocados em função de tais avaliações.

Há um conflito de interesse: os professores não querem isso, e a sociedade quer que o recurso que ela coloca nas universidades seja utilizado de maneira eficiente. Por enquanto, quem tem vencido esse conflito são nossos professores funcionários públicos.

ALBERTO CARLOS ALMEIDA, 46, doutor em ciência política, é sociólogo e autor de “A Cabeça do Brasileiro” e “O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo” (ambos pela Record)