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Perguntas Cristãs Estúpidas

Estava eu nesse último fim de semana, alegre e feliz, bisbilhotando a vida alheia no Facebook, quando me deparo com um cristão postando uma série de perguntas do tipo “chequemate, ateu!” em um fórum de discussões religiosas. Como algumas perguntas chegam ao ponto de serem ridículas, resolvi trazer aqui como primeiro post da volta das férias, afinal de contas, é melhor voltar pegando mais leve um pouco rs

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Você quer só ganhar o debate? – Parte 2: Prove o que sei que está errado

Aproveitando o artigo Pseudoceticismo: pode isso, Arnaldo?, vou comentar algumas considerações que tenho. Lá eu disse que só se investiga o que não se sabe, certo? Pois então. Suponha que você tem certeza que o universo seja finito no tempo, certeza absoluta mesmo. Isso não é sequer uma conclusão derivada de fatos, você acha que isso é um fato mesmo. Existe alguma coisa que alguém possa dizer que te provará que isso está errado? Neste caso, é claro que não!

Se você sabe que a Rita matou o João porque você viu isso e um policial chega pra você e diz: “Olha, abrimos um inquérito para investigar o assassinato do João e tudo aponta que o Márcio foi o assassino.” Como você vai reagir? Dizendo “prove, proove, prooooove!!!!!!!11!!”? Óbvio que não. Você sabe que ele não pode oferecer provas verdadeiras porque você sabe que aquilo não aconteceu. Você sabe que as provas que ele apresentar serão falsas. Então se você é uma pessoa normal, você dirá como você sabe que foi a Rita que matou João.

Se você sabe de algo, você não pede provas a quem alega o contrário, você explica PORQUE é o contrário.

Ou será que estou falando muita besteira? Creio que não. Se você tem certeza de algo, então não faz sentido requerer provas àquele que alega o contrário. O sensato é: como você sabe (ou acha que sabe) que o outro está errado, mostre isso a ele. A não ser que você seja um torturador sádico querendo ver o outro se debater para provar o que não pode ser provado, então você só pode ser incapaz de provar o que você (acha) que sabe.

Requerer provas é uma atitude de quem considera que há alguma que possa ser dita e que seja capaz de mudar sua convicção. Caso contrário, é uma requisição tola. E supérflua, porque força o outro a perder tempo fornecendo provas que não vão surtir o efeito almejado.

Por exemplo, se você não viu a Rita cometendo o crime, mas tem certeza disso por algum motivo que nem você saiba, ou por pura teimosia, então ficar pedindo provas pro policial que acha que foi o Márcio parece a melhor saída mesmo.

O criacionista que fica gritando “prooove que a evolução aconteceu, ateu, proooove!!1!!” provavelmente não pode defender seu ponto de vista. Se pudesse, o faria ao invés de pedir algo que ele (acha) que não pode ser feito.

Mas como pedir provas e depois comemorar o fato delas não virem ganha muitos debates, principalmente aqueles feitos para plateias mais bobas, a prática acaba sendo popular. Fazer o que, quanto mais debates o crente ganha de maneira desonesta, mais feliz Deus fica, né?

Imagens aleatórias

Começo com um tema mais polêmico do que mamilos: o estado LAICO. Não vou entrar na onda de certos sites por aí que ficam gritando: “O Estado é laico, laaico, laaaaaico!!1!” o que não quer dizer que eu seja contrário á laicidade. By the way…

Por exemplo, discordo que a bancada evangélica seja uma afronta ao tão aclamado Estado Laico, e na verdade até torço por ela. Misturar religião com política é a cartada final do desespero brasileiro. Depois que verem que nem ela presta, finalmente perceberão que não existem heróis para salvar a pátria, que Não há mais lugar para redentores no Brasil, e finalmente se tornarão mais adultos e maduros. E de tabela, desconfiarão mais das religiões heheh

Em contrapartida, concordo quase que totalmente com a retirada dos símbolos religiosos das repartições públicas. Não que eu me sinta ofendido quando vejo uma cruz, mas não deixo de achar a decoração cafona. Ateus também possuem senso estético. O problema maior mesmo é de ordem prática: imagina se os advogados começam a apelar de sentenças usando o argumento de que o tribunal é religioso e que seu cliente perdeu porque é ateu? Imagina um ateu psicopata sendo solto por causa de uma babaquice como essa? Imagina a sobrecarga gerada por milhares de apelações simultâneas com o mesmo teor?

Imagina um Tribunal Desportivo que condena o Vasco por uma infração, sendo que possui um escudo do Flamengo na Sala de Julgamentos? Qualquer um poderia contestar a sentença, não? É complicado…

E esse argumento de que o cristianismo é histórico? Uma piada completa! Um tribunal é um tribunal e não um museu. Quem quer saber mais sobre o nosso período de colonização, que visite um museu de história brasileira ou leia um bom livro de história. Tribunal não é lugar para isso.

E o argumento de que Jesus inspira a justiça então? “Serve para lembrar os juízes de que o maior de todos os homens foi condenado injustamente.” Injustamente uma ova! A lei foi cumprida, ninguém feriu nenhuma lei ao colocar Jesus na cruz! Talvez isso seja uma inspiração para que legisladores não façam leis que condenem tanto criminosos comuns quanto deuses: estes últimos devem ter liberdade constitucional de agirem de forma criminal. E se você acha que essa última frase não tem nenhum problema, então você tem sérias dificuldades de diferenciar ‘lei do homem’ de ‘lei de Deus’. Jesus mesmo disse que são coisas diferentes, não é mesmo?

Para terminar essa parte com chave de ouro, o argumento de que também é usada a imagem da deusa Dice. Em primeiro lugar, ninguém acredita nela como uma deusa aqui no Brasil. O Helenismo é considerado uma religião extinta. E isso faz toda a diferença, pois a lei não permite o apoio a cultos e não podemos cultuar uma religião que não existe mais. Além disso, Dice não é encarada como uma divindade a ser reverenciada, mas como uma representação de uma virtude. Tanto é que nem existem textos escritos por ela/sobre ela orientando qualquer pessoa a agir de qualquer forma. Diferentemente do caso de um certo judeu que morreu crucificado por agir como um rebelde político. (Fora que a deusa Dice é uma decoração bem mais agradável do que um marmanjo peladão morto e pregado numa cruz.)

Agora vejam a capa desse livro:

Sim, eu sei que é assunto velho e requentado, mas e daí? Old, but gold… não é como dizem? Proponho aqui uma pequena reflexão: você já viu ateu colocando na capa do livro que é ex-cristão? Esse negócio de ex-não-sei-o-quê é puro marketing para pegar otário. O fato de alguém ser ex-alguma-coisa não que dizer muito, aliás, não diz quase nada. Não sei o que diabos deu na cabeça de Antony Flew ao colocar na capa de seu livro os dizeres “How the world’s most notorious atheist changed his mind” (Como o ateu mais notório do mundo mudou de ideia), mas o fato é que ele apelou para o mesmo tipo de estratégia que muitos pastores adotam por aí, como o do panfleto aqui embaixo. Sinal que sua reconversão foi pra valer mesmo.

Ok, tudo bem que a diferença é que Flew (provavelmente) diz a verdade e que o pastor está mentindo (pelo menos na questão de ter filhos com uma mulher sem útero). E Flew não aceitou Jesus, só se tornou deísta. O que quero dizer é que o efeito psicológico pega-trouxa é o mesmo.

Esse último aqui não é tão conhecido assim, mas mesmo para quem já viu, sempre vale a pena rir um mais um pouco dos contorcionismos praticados pelos negacionistas da ciência para fingir que ela não é tão confiável quanto é.

Bem, já que o autor deste texto nunca sentiu a energia elétrica, sugiro a ele que coloque seu dedinho especialmente projetado por Deus na medida certa para segurar bananas e fique lá por alguns minutos (o primeiro link é imperdível, mas esse aqui também é divertido). Será bom pra ele, que vai ir ver o Papai do Céu mais cedo, e bom pra humanidade, que vai ficar livre de certas baboseiras. Ele bem que fez por merecer um Prêmio Darwin, não concordam?