O Apologista Cristão Caduco

Há algum tempo atrás eu traduzi alguns exemplares desse meme chamado “Oblivious Christian Apologist” – traduzido por mim como “Apologista Cristão Cadudo” – para o Gilmar, que colocou no Rebeldia Metafísica. Na ocasião, eu aproveitei e criei os meus próprios, mas ele não os publicou. Aproveito então que agora tenho o meu blog e posto a série comleta. Have fun!

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Blog Recomendado: Não Posso Evitar

Recomendo a todos este excelente blog, “Não Posso Evitar”, escrito por Rodolfo Araújo (link no menu lateral). Ele não possui uma linha editorial bem definida, sendo bastante pessoal na escolha dos temas a serem abordados, mas isso em nada influencia no conteúdo, que é excelente. Gosto de pessoas de bom senso e equilibradas como ele, que julgam as questões por seu mérito e que assim escrevem textos de excelente qualidade mesmo quando discordo de cada vírgula.

Suas duas últimas postagens, Petrobrás desmente Rockefeller e As periguetes e os virgens, além de possuirem excelentes reflexões, provam que autor não está ideologicamente preso a ninguém, o que é coisa rara em nossos dias (ou melhor: em nossa espécie). Importante destacar que ele é colunista do blog da Você S/A e do portal Administradores. Sempre que eu encontrar algo relevante por lá, posso trazer para cá, mas recomendo que deem uma olhada no arquivo dele e acompanham as novas postagens (que são bem esporádicas, diga-se de passagem).

Sua série sobre psicologia (Experimentos em Psicologia – Introdução) traz um excelente resumo do livro “Opening Skinner’s Box: Great Psychological Experiments of the Twentieth Century” de Lauren Slater, que descreve os principais experimentos em psicologia do século XX. Simplesmente fantástico! Um dia ainda compro meu exemplar em português –  cujo título é Mente e Cérebro, sabe-se lá porque =/

Ele também fala sobre persuação, em postagens como Fórum de Negociação HSM 2010 – Robert Cialdini e costuma recomendar excelentes livros sobre gestão e administração. Diga-se de passagem, sua bibliografia corporativa foge do lugar-comum da auto-ajuda para gerentes e ele procura recomendar apenas material de qualidade. Com a autoridade de que realmente sabe o que está falando (possui uma empresa de Treinamento Corporativo para média e alta gerência – a PharmaCoaching) ele escreve textos que realmente podem ser levados a sério.

Craig x Ehrman Parte 2: Discurso de Abertura de Craig

Os Quatro Fatos sobre a Ressurreição de Cristo

Transcrição do debate em português: Arquivo pdf
Transcrição do debate em inglês: Arquivo pdf
Vídeo com áudio em inglês e legenda em português: Blog Deus em Debate

Nesta segunda parte da série, irei expor os principais argumentos apresentado por WL Craig em seu discurso de abertura. Não trarei aqui, por enquanto, nenhuma consideração externa, me atendo apenas ao que foi exposto pelo debatedor de forma resumida e imparcial.

Craig começa sua abertura atentando para as principais semelhanças sua biografia e a de Ehrman, usando a posteior separação de caminhos (um continuou cristão enquanto o outro se tornou ateu) como deixa para o início de sua argumentação.

A primeira consideração importante de Craig se trata de afirmar que é possível sim crer na ressurreição de Jesus mesmo sem tais evidências históricas que ele pretende apresentar, baseando-se apenas na experiência pessoal. Em seguida, ele diz ter estudado a argumentação de Ehrman contra as evidências históricas para qualquer tipo de milagres e observou que tal argumento era velho conhecido dos estudiosos cristãos e falacioso. Mesmo assim, julgou que seria melhor esperar a outra parte apresentar o argumento antes de demonstrar sua falha. Por fim, antes de apresentar os quatro fatos – a base de sua argumentação – ele destacou haver uma diferença entre evidência e melhor explicação para a evidência, salientando que o correto seria se Ehrman defendesse que a ressurreição não é a melhor explicação para as evidências e não que não existem evdências para a ressurreição.

Enfim, Craig parte para a exposição de seu argumento histórico pela ressureição de Jesus:

(I) Existem quatro fatos históricos que precisam ser explicados por alguma hipótese histórica adequada: o sepultamento de Jesus, a descoberta de seu túmulo vazio, suas aparições post-mortem, e a origem da crença dos discípulos em sua ressurreição; e
(II) A melhor explicação para estes fatos é que Jesus ressuscitou dentre os mortos.

Em outras palavras, (I) são os fatos ou as evidências e (II) é a melhor explicação para tais evidências. Só a título de curiosidade, Craig passou quase 50% do seu tempo apresentando os quatro fatos históricos. Resumidamente, ele diz o seguinte:

Fato #1: Jesus morreu na cruz e depois sepultado numa tumba por José de Arimatéia. As evidências para este fato são:

  1. Existem pelo menos cinco fontes independentes e temporalmente próximas ao suposto fato que atestam sua ocorrência, a saber: os quatro evangelistas mais Pedro.
  2. O sepultamento de Jesus por José, um membro do Sinédrio Judaico, é muito provável já que é quase inexplicável os cristãos inventarem uma história sobre um membro do Sinédrio que faz um bem a Jesus. Segundo Robinson, o sepultamento de Jesus em sua tumba é “um dos mais antigos e melhor-atestados fatos sobre Jesus”.

Fato #2: A tumba na qual Jesus foi sepultado foi encontrada vazia.

  1. Existem várias fontes independentes que atestam que a tumba foi encontrada vazia (basicamente as mesmas do fato #1).
  2. Se fosse uma história inventada, não seriam mulheres a encontrar a tumba vazia já que na época seus testemunhos valiam muito pouco. Segundo Kremer, “a confiabilidade das narrativas bíblicas em relação à tumba vazia é sustentada firmemente pela grande maioria dos exegetas”.

Fato #3: Diversas pessoas viram pessoalmente Jesus vivo depois de sua morte e sepultamento.

  1. Paulo apresenta uma lista de testemunhas oculares das aparições de Jesus e que este dificilmente inventaria tal história.
  2. Os relatos de aparições são atestados por múltiplas fontes independentes, como os dois fatos anteriores. Segundo Lüdemann, “Pode ser tomado como historicamente certo que Pedro e os discípulos tiveram experiências após a morte de Jesus nas quais Jesus apareceu a eles como Cristo ressurreto”.

Fato #4: A crença sincera dos apóstolos na ressurreição de Jesus.

  1. Os apóstolos consideravam Jesus como um líder mesmo depois deste ter morrido, já que a ideia comum de um Messias naquela época não era a de alguém que morreria num cruz como se fosse um bandido.
  2. Os apóstolos acreditaram na ressurreição de Jesus mesmo com o judaísmo da época afirmando que isso era impossível. Craig afirma que seria antijudaico crer na ressurreição de alguém naqueles tempos. Segundo Johnson, “Alguma espécie de experiência poderosa e transformativa é necessária para gerar o tipo de movimento como o do cristianismo primitivo”.

Após apresentar esses fatos, Craig afirma que Ehrman demonstra ceticismo em relação a tais fatos devido a duas razões (antessipando a argumentação dele):

  1. Historiadores não dizem que um milagre provavelmente ocorreu. Aqui, Ehrman confunde, segundo Craig, evidência com melhor explicação para evidências. A ressurreição de Jesus seria uma explicação miraculosa para um conjunto de evidências que existem.
  2. Os relatos bíblicos destes eventos são irremediavelmente contraditórios. Para alegar que isso seja uma objeção séria, Ehrman precisa assumir que (i) tais contradições são insolúveis, sendo que na verdade são contradições aparentes e não contradições reais; (ii) que tais inconsistências se referem a passagens importantes, sendo que na verdade se referem a detalhes e (iii) que todos os relatos merecem igual confiabilidade histórica, sendo que a presença de inconsistências em uma fonte posterior e menos confiável não faz nada para prejudicar a credibilidade de uma fonte anterior e mais credível.

Craig afirma que mesmo Ehrman abandonou suas alegações originais, de tão ruins que eram, e que agora reconhece que Jesus provavelmente foi supultado por José e que a tumba foi encontrada vazia três dias depois.

Em seguida, Craig afirma que várias hipóteses naturalistas foram propostas como explicação para os quatro fatos mas que nem mesmo Ehrman acredita nelas e que a melhor explicação é mesmo a ressurreição de Jesus. Craig então antecipa que Ehrman dirá que a história só pode atestar o que provavelmente aconteceu e que como milagres são altamente imporváveis, um historiador não pode atestar nenhum deles. Por fim, diz a Ehrman que na ausência de explicações naturalistas para os quatro fatos, é perfeitamente racional crer na ressurreição.

Continua…

Craig x Ehrman Parte 1: Introdução

Existem Evidências Históricas para a Ressurreição de Jesus?

No dia 28 de março de 2006, no Colégio da Cruz Sagrada na cidade de Worcester em Massachusetts/EUA, ocorreu um debate entre o Dr. Willian L. Craig e o Dr. Bart. D. Ehrman cujo tema foi a pergunta acima (“Existem evidências históricas para a Ressurreição de Jesus?”).

Apresentações dos dois debatedores e a história deles e de suas motivações podem ser facilmente encontradas na internet e não entrarei nesses detalhes aqui. Na introdução do próprio debate existe uma apresentação de ambos, sem contar que quase todo mundo que visita este blog conhece os dois (ou pelo menos o Craig). Como não desejo correr o risco de ficar muito redundante e como desejo encorarjar a leitura do debate, minha omissão é perfeitamente justificável.

Quem quiser assistir o debate pode ir no blog Deus em Debate e escolher até o formato do vídeo. O áudio é o original do inglês com legendas em português. Deixo aqui, mesmo que momentaneamente, minhas divergências com os apologistas para agradecê-los pelo trabalho de tradução, sincronização e hospedagem. Já adianto que não vi os vídeos (dei uma olhadinha só para ver se os links funcionavem), o que fiz foi ler a transcrição, o que acho muito mais prático. Quem também quiser ler o debate pode ir no site da Holy Cross que possui a transcrição em pdf ou no site do Willian Craig, que por sua vez disponibiliza em html; ambos em inglês.

O mesmo pessoal que traduziu o vídeo acima também disponibilizou uma tradução da transcrição para o português. Como não encontrei nenhum site deles que disponibilizasse o link para o arquivo pdf (apesar de ter encontrados vários pdfs perdidos por aí), resolvi hospedar o arquivo aqui: transcrição em português. Acontece que um dos sites apontados no pdf que encontrei não possui o pdf e o outro não existe mais. Não tenho a intenção de fazer parecer que tenho algum mérito nesta tradução, só acho que fazendo assim asseguro a meus leitores que sempre irão encontrar um link ativo para o arquivo quando procurarem. Caso os tradutores desejem que eu forneça um link para o arquivo hospedado por eles, é só mandá-lo nos comentários que incorporo aqui.

Para quem quiser saber um pouco sobre o que o pessoal anglófono achou do debate, basta ir no google e descobrir. As análises que considero mais relevantes e que usarei aqui são a do Atheist Experience e a do Debunking Christianity. São fontes ateístas, mas também vejo os comentários teístas, então nem venham. E para que me assegurar ainda mais contra reclamações, coloco uma análise teísta do blog The Invisible Things, que também possui comentários ateus nas caixas de comentários. Além de minha própria habilidade, contarei com a ajuda de análises de sites como esses para compôr meus textos.

Para começar, trarei aqui um comentário que expressa a reação típica dos teístas a debates do Craig. Este aqui foi feito pelo usuário MrFreeThinker no blog Atheist Experience, que alegava que Ehrman teria sido “detonado” (pwned), e que cuja tradução é a seguinte:

Bart Ehrman fez algumas alegações matematicamente pobres, nas quais ele cometeu equívocos na distinção entre probabilidade intrínseca e probabilidade específica no que diz respeito a milagres. WL Craig foi capaz de usar o Teorema de Bayes para mostrar como seu raciocínio era matematicamente falacioso. Ehrman foi incapaz de revidar as alegações de Craig, mas devolveu ad hominems mais tarde quando disse que ririam de Craig se ele tentasse levar tais cálculos sobre milagres para qualquer universidade secular. WL Craig apontou então que filósofos como Richard Swinburne (um eminente filósofo da ciência da Universidade de Oxford) já tinham realizado cálculos semelhantes – um momento de detonação pura.

A impressão que fica é que Craig fez uma diferença enorme ao construir seu caso em cima do Teorema de Bayes e de análises de probabilidade. Ehrman não só não foi capaz de responder a isso como também fez uma defesa auto-refutante de seu próprio ponto de vista, conforme aponta o usuário Shane no mesmo blog (e também Craig no decorrer do debate):

Mas Dr. Ehrman diz que historiadores não podem dizer nada sobre Deus. Portanto, ele não pode dizer que a existência de Deus é improvável. Mas se ele não pode dizer isso, ele também não pode dizer que [insira qualquer besteira aleatória aqui] é improvável. Logo, a posição do Dr. Ehrman é literalmente auto-refutante.

(Em off: O que aquele modificador ‘literalmente’ está fazendo alí eu não sei. Provavelmente, só de enfeite. E se um teísta cristão chama alegações como a ressurreição de Cristo de besteiras aleatórias – ou random bullshit, quem sou para discordar, não é mesmo?)

Creio que ao destrinchar esses dois pontos, que como os próprios apologistas alegam:  são o resumo da derrota de Ehrman, poderei trazer uma nova luz a quem nunca tenha lido análises mais “profissionais” sobre o debate dos dois. Por profissionais, não me refiro a mim mesmo, mas àqueles que me ajudaram a entender o que o Craig quis dizer em sua demonstração com o Teorema de Bayes. Os demais pontos, menos relevantes, serão feitos por mim mesmo, apesar de eu ser amador.

Então podemos começar nossa jornada. Assistam ou leiam o debate usando os links que já passei para terem uma noção pessoal do debate. (Se estiver com preguiça, primeiro recomendo a largar mão disso e depois, caso insista neste pecado capital, que leia pelo menos a Introdução da transcrição traduzida para terem uma noção do que aconteceu.) Em seguida, poderão ver um resumo do discurso de abertura do Craig (parte 2 da série) e um resumo do discurso de abertura de Ehrman (parte 3). Depois disso, publico o meu parecer sobre a primeira rodada na parte 4 e deixo a parte 5 para o resumo da segunda rodada. E assim vai até o fim.

Continua…

Luciano Ayan: uma breve biografia – de troll no orkut a “líder” conservador fake

If you feel rage
To strike me with revenge
I’ll be standing right here
Waiting without fear
For you

[Atualizado em 13/08/2016]

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