O que é um Argumento? – Parte 3: Forma e conteúdo

Este post trata das diferenças entre a forma e o conteúdo de um argumento. A forma, ou a estrutura formal, é a maneira como as premissas se relacionam entre si e com a com a conclusão. A forma de um argumento independe da validade das premissas, de forma que um argumento pode estar formalmente correto mesmo possuindo premissas absurdas como “todo azul é vermelho”.

O artigo da wikipedia Argument Form (link nas referências) apresenta um parágrafo interessante do ponto de vista histórico, cuja tradução apresento:

O termo “forma lógica” foi introduzido por Bertrand Russell em 1914, dentro de seu programa para formalizar a linguagem natural e a argumentação, o que ele chamou de lógica filosófica. Russell escreveu: “Algum nível de conhecimento de formas lógicas, apesar de não serem evidentes para muitas pessoas, está envolvido em toda compreensão de discurso. A função da lógica filosófica é extrair conhecimento de textos brutos e deixá-lo explícito e puro.

A análise da forma de um argumento se dá inteiramente no campo da lógica. É por isso que algumas pessoas preferem excluir todo o conteúdo de um argumento durante uma análise da formalidade, substituindo as ideias por letras. Por exemplo:

(1) Todo uberlandense é mineiro.
(2) João é uberlandense.
(3) Logo, João é mineiro.

Substituímos os termos similares de (1-3) por letras, para retirarmos o conteúdo e ficarmos somente com a forma:

(4) Todo U é M.
(5) J é U.
(6) Logo, J é M.

Os termos (4-6) representam a forma do argumento enquanto que as expressões correspondestes às letras (U, M, e J) são o conteúdo. Deste modo, (1-3) é o argumento completo: forma + conteúdo.

A análise formal nada mais é do que investigar se o raciocínio como representado em (4-6) é válido ou não. Existem diversos meios de se fazer isso e a maioria delas é introduzida no artigo da wikipedia chamado Silogismo (referências). Uma delas é aquela análise aristotélica que divide um argumento em duas premissas (maior e menor) e uma conclusão e as classifica como:

A – universal afirmativa (Todo homem é mortal)
E – universal negativa (Nenhum homem é mortal)
I – particular afirmativa (Algum homem é mortal)
O – particular negativa (Algum homem não é mortal)

Um argumento é válido se suas três proposições formam uma combinação válida. Das 64 combinações possíveis, apenas 19 são válidas. A lógica proposicional também é uma ferramenta clássica (ver nas referências). Por exemplo, a formação conhecida como Modus Ponens diz que todo argumento que segue a seguinte forma: “Se p então q; p; consequentemente q” é válido do ponto de vista formal.

Alguns argumentos são simples e não precisam de ferramentas previamente estabelecidas para serem validados ou invalidados. Outros são mais complexos e podem ser estudados pelo teste da paródia. Se você substitui o conteúdo do argumento por um outro conteúdo sabiamente correto mas mantendo a estrutura formal e chega a uma conclusão flagrantemente falsa, então o argumento apresenta um erro formal. Vejam este exemplo retirado do Rebeldia Metafísica:

“Todos os comunistas são favoráveis à medicina socializada e todos os socialistas são favoráveis à medicina socializada. Portanto, todos os comunistas são socialistas.”

Talvez seja um pouco difícil demonstrar que a lógica deste argumento falha, então fazemos uma paródia que substitui o conteúdo e mantém a forma.

“Todos os homens possuem cérebros. Todas as mulheres possuem cérebros. Portanto, todos os homens são mulheres.”

Como temos um resultado absurdo mesmo com premissas evidentemente verdadeiras no segundo argumento, podemos concluir que há um erro formal no primeiro argumento. Compreenderam? Agora vou mostrar dois argumentos, um que falha na forma e outro que falha no conteúdo. Leiam e vejam se conseguem dizer qual é qual:

Você prometeu que se hoje não fizesse sol, você não iria ao clube. Hoje faz sol, então você deve ir ao clube para cumprir sua palavra.

Todo brasileiro é europeu. Eu sou brasileiro, logo sou europeu.

Muito fácil, não? Talvez seja mais difícil explicar porque a primeira está errada do que dizer que seu erro seja formal. Procurem saber no artigo Lógica Proposicional da wikipedia porque a proposição ((¬p -> ¬q) ∧ p) -> q falha.

Por fim, abro aqui um parênteses que servirá como ponte para a série sobre falácias. Já ouviram dizer que existem falácias formais e informais? Pois bem, uma falácia formal é aquela que falha na lógica, independente das premissas. Já uma falácia informal é aquela que falha em seu conteúdo.

Referências e Leituras Recomendadas:

Pseudoceticismo: introdução

Pseudoceticismo é um termo cunhado por Marcello Truzzi, um sociólogo americano, e que acabou caindo nas graças do povão. Se quiserem ler o artigo original onde ele introduz o termo, é só visitarem aqui, mas se quiserem uma tradução ao português, o site Ceticismo Aberto fez uma para nós.

O conceito por trás do termo é muito simples, não tem segredo nenhum: é o cara que não é cético mas que se declara cético para angariar simpatia e fazer suas ideias passarem com menos questionamento.

E como identificar um pseudocético? Simples, basta perguntar à pessoa como ela chegou à brilhante conclusão à qual ela foi guiada supostamente pelo ceticismo. A pessoa deve provar que partiu de uma dúvida e que as observações dela mostraram que faz mais sentido crer naquilo que ela alega. Se não conseguir montar este passo-a-passo então o alegado cético é pseudocético. Mas caso consiga, daí devemos partir para a análise dos argumentos, que poderão até estar errados, mas que pelo menos terão sido proferidos por alguém cético. Tá, se o raciocínio for ingenuamente errado, talvez até dê pra forçar o rótulo pseudocético… mas acredito que seja melhor tachá-lo de ingênuo mesmo. Vamos deixar o termo para ser aplicado só em um caso específico, ok?

Exemplo: suponha que você chega em casa com seu amigo e seu sofá está destruído e seu cachorro está em cima dos destroços. Você tem certeza que não foi o seu cão, que é um anjo, mas seu amigo discorda e diz:

Olha, foi seu cachorro. Eu apliquei um método de investigação baseado no ceticismo e cheguei à conclusão de que esta é de longe a melhor explicação para os fatos.

O que você responde? Por acaso seria algo como:

É, mas seu ceticismo é só mais uma alegação. Eu também estou cético quanto ao seu ceticismo.

Só se você fosse idiota. Dessa maneira estaria agindo da mesma maneira não cética que você alega que o outro está se portando. Entendeu? No fim das contas, seu amigo pode ser cético de verdade e você só um bobo. Não faça isso aí em cima, prefira por esse tipo de abordagem:

E como você chegou a esta conclusão?

Pronto! Se ele for incapaz de explicar isso, ele é pseudocético. Caso contrário, ele é no máximo um ingênuo. Vejam algumas possíveis respostas:

Você ama tanto seu cachorro que é incapaz de ver que foi ele! É óbvio que foi ele e só um crente iludido como você pode discordar!

Olha, ele está em cima da bagunça, só pode ter sido ele!

Veja as marcas de rasgo neste tecido: elas são consistentes com as patas de algum animal, então não foi uma pessoa. Elas também são consistentes com o tamanho da pata do seu cachorro, a julgar pela distância entre as unhas. Além disso, a terceira marca está mais fraca, o que coincide com a unha machucada do seu cão. Por fim, sua casa estava toda trancada, inclusive as janelas, e fica num apartamento no décimo andar de um condomínio seguro. A não ser que você ache que um animal grande o suficiente e com o mesmo padrão de unhadas do seu cão tenha entrado aqui e feito isso, então realmente foi o seu.

A primeira resposta até seria válida se você tivesse se recusado a aceitar a argumentação do seu amigo sem dar nenhuma explicação. De todo jeito, se seu amigo der a terceira resposta, então ele realmente empregou o ceticismo na investigação e não pode ser declarado de pseudocético.

E mais, tem gente que acha que refutou com ceticismo só porque apresentou um contraexemplo bonitinho e ainda se chamam céticos. Ora, não é preciso ser cético porcaria nenhuma para questionar as pessoas das quais discorda. Acorda, filhão! E ficar dando motivinhos baseados em astúcia e não em investigações sérias e dizer no final que refutou é coisa de pseudocético. Jogar “dúvida sobre algo” produz apenas uma “dúvida sobre algo” e uma não certeza de que algo está errado. Como bem disse Truzzi:

“Críticos que fazem alegações negativas, mas que erradamente se chamam “céticos”, frequentemente agem como se não tivessem absolutamente nenhum ônus da prova sobre eles, ainda que tal posição só seria apropriada para o cético agnóstico ou verdadeiro. Um resultado disto é que muitos críticos parecem sentir que só é necessário apresentar um caso para sua contra-alegação fundado em plausibilidade em lugar de evidência empírica.” Marcello Truzzi

Entenderam o que é um pseudocético agora? Pensa num zé mané que diz aplicar um método chamado Ceticismo Flamenguista para responder a uma alegação vascaína de que a arbitragem do clássico foi tendenciosa. Só que o máximo que consegue fazer é apresentar uma lista de vezes em que o Vasco teve erros de arbitragem a favor e que os vascaínos é que são beneficiados pela arbitragem mas que insistem no contrário como parte do esquema desonesto para vencer ilicitamente e ainda fazer parecer que foi vítima de algum complô. Piraram no pseudoceticismo do framenguista? O cara fez uma alegação negativa baseada em especulações baratas mas astutas e convictas e chama isso de ceticismo!

O que é um Argumento? – Parte 2: Definição

No primeiro post desta série, argumentei que sem os debates estaríamos estagnados intelectualmente e o conhecimento humano seria meramente a palavra do mais forte e jamais uma função iterativa que converge para uma verdade no infinito.

Assim sendo, vocês estamos prontos para seguir em frente e estudar o que é um argumento. Segundo o IEP (Internet Encyclopedia of Philosophy ou Enciclopédia Virtual de Filosofia, link no rodapé),

An argument is a connected series of statements or propositions, some of which are intended to provide support, justification or evidence for the truth of another statement or proposition. Arguments consist of one or more premises and a conclusion. The premises are those statements that are taken to provide the support or evidence; the conclusion is that which the premises allegedly support.

Ou em bom português:

Um argumento é uma série de afirmações e proposições conectadas, algumas das quais intencionam prover suporte, justificação ou evidência para a veracidade de outra afirmação ou proposição. Argumentos consistem de uma ou mais premissas e de uma conclusão. As premissas são aquelas afirmações usadas para dar suporte ou evidência; a conclusão é o que alega-se que as premissas suportam.

Em melhor português ainda: argumentar é dar motivos (premissas) para crer em algo (conclusão). É uma estrutura comunicativa que visa oferecer razões para se acreditar em alguma alegação. Qualquer outra estrutura que não envolva premissas suportando uma conclusão não pode ser chamada de argumento. Não julgo necessário estender demais aqui, pois a maioria das pessoas já possuem uma certa familiaridade com isso, mas só para não ter problemas com a consciência hoje a noite, apresento alguns exemplos:

  1. “Essa noite choveu.” Não é um argumento, mas uma simples afirmação (que por sua vez pode ser uma constatação, uma informação, uma opinião etc)
  2. “O jardim está todo molhado, logo choveu esta noite.” É um argumento, simples.
  3. “Joguei uma moeda pra cima e deu cara, logo choveu esta noite.” Acreditem, é um argumento.

Nos dois últimos exemplos, existem premissas (nem sempre explícitas) e uma conclusão, sendo assim considerados argumentos. Sim, o terceiro exemplo está completamente errado, mas não deixa de ser um argumento. Sugiro que fixem muito bem que argumento é apenas uma estrutura particular com um objetivo único e não caiam no senso comum de pensar que argumento é uma verdade ou, pior, um raciocínio com o qual você concorde.

Lembrem-se que um discurso pode conter um trecho que se enquadre na definição de argumento, mesmo sendo inválido formal ou informalmente. Não estou querendo me enveredar por uma defesa relativista daquilo que é falso, só estou pondo os pingos nos i’s. A terceira frase do exemplo contém um erro grave e deve ser considerada falsa, mas nem por isso qualquer crítica que façamos a ela será correta… querendo ou não, ainda é um argumento em sua forma e em seu objetivo.

Aliás, um detalhe muito importante é a forma do argumento – ele pode ser formal ou informal, admitindo níveis numa escala contínua entre esses extremos. Um argumento apresentado o mais formalmente possível é aquele conhecido como silogismo:

P1: Todo humano é mortal.
P2: Eu sou humano.
C: Logo, sou mortal.

Mas ele pode vir apresentado de maneiras um pouco menos formais:

Todo humano é mortal. Eu sou humano. Portanto, sou mortal.
ou
Sou mortal, já que eu sou humano e todo humano é mortal.

Até chegarmos em apresentações bem informais:

Sou mortal porque humanos morrem.

Todas as formas apresentadas dizem a mesma coisa, mas de formas diferentes. A formalidade acaba sendo mais um quesito estético do que funcional, apesar de um grau de formalização maior facilitar o entendimento. Em um livro de ciência com pretensões mais ambiciosas, um argumento do último tipo pode trair um certo desleixo, mas um do primeiro tipo pode tornar o texto excessivamente maçante. Contudo, sendo um texto didático que se propõe a ensinar conteúdos difíceis, o primeiro se torna um pouco mais indicado. Como tudo na vida, a formalidade é resultado de uma solução de compromisso; neste caso uma que envolve seriedade x fluidez da leitura.

Outro ponto que pode fazer coçar a cabeça de alguns é a presença de uma única premissa no exemplo 2 (“O jardim está todo molhado, logo choveu esta noite.”) Neste caso, temos simplesmente uma premissa oculta ou implícita, que são recursos absolutamente normais em conversações do dia a dia ou mesmo em textos mais formais. Por exemplo, se alguém elabora o seguinte argumento:

Callisto orbita Júpiter. Algo deve orbitar uma estrela para que seja um planeta. Se algo orbita Júpiter, então este algo não orbita uma estrela. Portanto, Callisto não é um planeta.

Existem premissas nesse argumento que são demasiadamente óbvias para praticamente qualquer pessoa, então a seguinte construção:

Callisto não é um planeta porque orbita Júpiter.

é um argumento válido. Uma pessoa que não entenda os passos perdidos pode até requerer uma explicitação por parte do outro argumentador, mas jamais alegar erro por causa disso. Devemos ser honestos e não dizer que um argumento está errado só porque existe algo escondido. É verdade que algumas vezes, escondemos premissas como forma de trapacear, mas isto é uma falácia que será tratada em momento oportuno. Por fim, existem os argumentos em que a conclusão é oculta, por ser infantilmente óbvia, como este:

“Querido, já são quase 00:00h e amanhã você tem que acordar cedo.” [Logo, está na hora de ir dormir.]

Fico por aqui. Sei que até agora está bem fácil, mas o correto é começar desde o elementar e caminhar pelo importante até chegarmos no novo. Recomendo que leiam toda a página da IEP que está nas referências, pois ela contém tudo que está aqui e mais um pouco. Daqui já temos base para tratarmos de assuntos novos, começando pela diferença entre argumento e justificação/explicação/causa e pela distinção entre argumento e alegação. A continuação direta da série tratará da distinção entre forma e conteúdo de um argumento, o que abrirá espaço para o estudo das falácias. Até mais!

Referências e Leituras Recomendadas:

O que é um Argumento? – Parte 1: O Debate

A argumentação é a base do debate. Metaforicamente falando, o argumento é a matéria que compõe um debate. E da mesma forma que nossa realidade física não se compõe só de matéria, mas também de energia, um debate precisa também de algo que vá além da argumentação, ele precisa de ideias. Nesta metáfora, as ideias são a energia que movem os debates. Assim como a diferença de potencial entre dois pontos gera energia, a diferença de opiniões gera debates e ideias novas! Não poderíamos existir, pelo menos não da forma que somos, se houvesse apenas energia mas não houvesse a matéria para nos dar forma, textura, cor, aroma, solidez etc E da mesma forma, debates não existiriam se houvessem apenas ideias mas não houvessem argumentos para transmiti-las e torná-las persuassivas usando diferentes formas, diferentes estilos, diferentes raciocínios.  Por isso repito: a argumentação é a base do debate!

Mas não adianta falar sobre a importância da argumentação dentro de um debate se não dizemos nada sobre a importância do debate. É como falar da importância de um compressor para uma geladeira que está no pólo norte! Só que diferente da relação entre o referido aparelho doméstico e os esquimós, a relação entre nós humanos e os debates não é supérflua… eu diria que é romântica. Aliás, apaixonada seria um termo bem mais adequado. Uma paixão cheia de amor e ódio, brigas e reconciliações… que vai do romantismo piegas à traição e da necessidade incontrolável ao descaso todo indiferente, ambos num piscar de olhos.

Platão e Aristóteles

Nós precisamos do debate em nossas vidas. Do que seriam Sócrates e Platão sem os debates? Do que seria a sociedade grega clássica sem sua política baseada no debate público? Teria Aristóteles sido o que foi sem Platão? E sem Aristóteles, o que fariam os teólogos da Idade Média para explicar o conhecimento ou os renascentistas para justificar a ciência? O que seria de nós se ninguém tivesse questionado os feudos, as monarquias, os impérios, os sistemas coloniais e a escravidão? E se Einstein não tivesse questionado a Mecânica Clássica de Newton e não tivéssemos aparelhos celular até hoje?

Filosofia, ciência, política, cultura… nossa vida inteira! Tudo isso não seria nada se não fôssemos capazes de debater, de apresentar ideias e defendê-las até que ambas se mostrem igualmente falsas, ou que uma se mostre falsa, ou que ambas se mostrem verdadeiras em partes, sintetizando uma nova ideia. Duvida? Então me responda: como poderíamos formar nossa opinião sobre a origem do universo se não houvessem hipóteses distintas sendo defendidas em periódicos ou em folhetins da igreja? Como saberíamos em quem votar sem a propaganda política? Como saberíamos se é melhor comprar o álbum novo Bruce Springsteen ou o do Foo Fighters sem lermos as revistas e sites especializados (e o montante exageradamente grande e fanático de seus fãs)? A ausência do debate nos deixaria estagnados em todos estes aspectos. Não há progresso sem a oxigenação trazida pelas novas ideias.

Abro um parênteses para apresentar uma reflexão interessante: se precisamos do debate para abandonarmos a estagnação e nos movermos intelectualmente, porque existem pessoas que odeiam o debate e fazem de tudo para que ele não exista? Muito simples: as pessoas que não querem que mudanças aconteçam. Destruir o debate é a melhor arma de quem luta contra o avanço e pela estagnação. Se alguém batalha com muito afinco contra o progressimento de um debate, pode anotar: ou é uma pessoa imatura ou está interessada em manter inalterados os conhecimentos comuns da sociedade.

Voltando ao assunto, a luta do homem para conhecer é antiga e seria bem mais fácil se pudéssemos conhecer as coisas em si, mas infelizmente a verdade é inalcançável para nós humanos. Não me refiro a verdades triviais como “2+2=4” ou “todo carioca é brasileiro” ou mesmo “existem 189.734.982 brasileiros neste exato momento”. Todas estas, por mais difíceis que possa ser para descobri-las, são muito triviais. Saber como surgiu o universo e a vida em nosso planeta, o que é a mente, qual a solução para a pobreza ou mesmo se Lady Gaga tomou o posto de rainha de pop da Madonna não são informações triviais ou trivialmente acessíveis e requerem debate para que possamos atingir uma resposta que possa ser chamada de adequada.

E não pensem que exagero nesse último exemplo. Os debates trouxeram o progresso mas também é algo divertido! Nem todo debate precisa ser sério nem abordar temas profundos e polêmicos. Debater sobre especulações futebolísticas a cerca do suposto suborno do Corinthians para vencer o Campeno Continental Sul-Amaricano deste ano, a popular Libertadores, é algo fútil mas que nos entrete. E se nos entrete, então tem lá sua utilidade.

Mas já está de bom tamanho: se eu for dar exemplos da importância dos debates, me verei forçado a mergulhar de cabeça dentro da Gnosiologia e dentro da História da Filosofia, da Ciência e da Política. Não é minha intenção ser tão profundo. O que almejo aqui é só esclarecer a importância do debate para nossa sociedade, usando como premissas conhecimentos básicos sobre os tópicos acima. Acredito que a noção introdutória de qualquer pessoa medianamente instruída seja suficiente para entender meu texto e espero que eu tenha sido convincente.

Nos próximos posts, mergulharei a fundo no conceito de argumentação, já que tal conceito é vital dentro da minha proposta de trabalho e se desdobrará em diversos outros assuntos. Tenho a certeza de que ficaria um pouco sem sentido falar sobre lógica, falácias e técnicas de debate sem antes explicar o que é um argumento. Da mesma forma que seria sem sentido falar sobre argumentos antes de lembrá-los, isso mesmo: só lembrá-los, de como debates são importantes!

Blog do Mensalão!

Olá a todos! Sejam bem vindos a este blog, que estou chamando de “Blog do Mensalão”.

Há muito tempo que estou tentando abrir um blog para mim, mas diversos obstáculos ficaram entre mim e ele. Não vou ficar aqui chorando minhas pitangas logo no meu primeiro post, afinal de contas eu quero bastante leitores e esse tipo de abordagem não costuma popularizar blogs. De qualquer forma, ao longo do tempo vou falando sobre a minha vida de maneira bem diluída, então se alguém ficar curioso é só ficar de olho aqui. Acontece que tem um problema (cuja exposição nem chega a ser “chorar pitanas”) que enfrentei e que quero, ou melhor, preciso, comentar com vocês no primeiro post. É importante comentá-lo já que sua solução é algo fundamental para o entendimento da dinâmica daqui. Estou me referindo ao meu próprio “jeito de ser”, por assim dizer.

Explico: eu sou o tipo de pessoa que procura obter conhecimentos não muito grandes sobre o maior número de assuntos possível. Posso dizer que sei pouco sobre muitas coisas e que dificilmente me especializo em um assunto, salvo em necessidades. Isso se deve ao fato de eu ser volátil e de preferir linhas de pensamento finas e borradas. Acontece que tão breve eu chego a um nível que considero satisfatório de conhecimento sobre um assunto, eu já trato de abrir novos horizontes, de pensar em temas correlacionados, de extrapolar, de correlacionar, de expandir, de aperfeiçoar, de conectar… eu parto pra próxima. Vou deixando meu pensamento evoluir até que eu possa perceber a linha que eu estava seguindo mesmo sem saber.

Não sou do tipo de pessoa que mantém uma linha firme e fixa de pensamento e que vai estabelecendo objetivos e adquirindo conhecimentos a partir dela. Não que eu seja incapaz de agir assim ou mesmo que eu seja absolutamente contra este tipo de mentalidade. Na verdade, acredito que tudo tem seu tempo, então há situações que exijem esse tipo de abordagem. Quando um grupo de trabalho, por exemplo, estabelece um objetivo, ele não pode se dar ao luxo de serem voláteis nem de manterem uma linha de raciocínio confusa. Ao contrário, eles devem manter essa linha até o fim de um projeto, ou até o fim de um ciclo de trabalho (semestre, ano etc) ou até que este seja provado insatisfatório, sob o preço de tornarem seu trabalho lento e ineficiente. Não acho que seja adequado ficar me aprofundando em uma argumentação mais sólida sobre este tema específico nesta introdução, pois além de fugir do tema, é algo que julgo ser de entendimento comum.

Observação: espero que não vejam este meu pensamento de que certas coisas são boas em certas situações e ruins em outras como mero relativismo. Eu absolutamente não sou relativista! Qualquer hora eu resolvo explicar melhor essa história.

O importante mesmo é que se há momentos nos quais especialização e foco são úteis, há também momentos em que não são. Quando se trata de adquirir novos conhecimentos, acredito que esta abordagem seja falha, pois nos torna “bitolados” e nos força a uma visão… “monocromática” da realidade. Se norteamos todos nossos estudos segundo uma linha específica e bem resoluta, acabamos sendo doutrinados. E se nos especializamos demais em um tema, perdemos a visão do todo e não percebemos os erros que cometemos por não considerarmos as relações entre as partes ou por termos uma visão distorcida de tais relações. Mas não me entendam mal: não estou dizendo que os especialistas  sejam piores do que eu. Ambos temos vantagens e desvantagens e ambos somos importantes num debate. Acontece que meu jeito de ser, quando se trata de buscar novos conhecimentos, me impede de ser especialista demais em certos temas. Além disso, mesmo aqueles que seguem uma doutrina de forma convicta, mas que não cheguem a se especilizar nela, costumam ser bem vindos em debates. É evidente que todo apego tem um limite, mas ninguém é isento para dizer “sou completamente independente de ideologias e doutrinas” então devemos perdoar os ideólogos e doutrinadores.

Dada esta minha tendência a preferir ser um mar raso a uma piscina profunda, creio que já tenham percebido o quanto seria complicado para mim abrir um blog: surgiriam dificuldades em estabelecer um público-alvo e em me relacionar com ele de forma simples. Enquanto uns gostariam de ler sobre A e não gostam de ler sobre B, outros gostariam de B e não estariam nem aí para A. No fim das contas, eu acabaria ficando que nem o caçador que entrou no mato para pegar dois coelhos e saiu sem nenhum, enquanto que aquele que entrou para caçar um, saiu com um.

Era preciso ter uma saída e foi então que resolvi procurar sites na internet que tratam de muitos assuntos para ver como eles conseguem harmonia interna. Basicamente, eles se subdividem internamente em temas e cada tema tem um autor específico, algo que resolvi “adaptar” para cá. Assim, o blog não fica confuso e sem foco, pois seu foco passa a ser igual ao dos autores que estiverem mais ativos numa determinada época. Além de resolver meu problema, ainda ganho a vantagem de mesmo sozinho consegir dialogar facilmente com vários públicos-alvo diferentes e trazer ainda mais leitores para cá.

Quanto aos temas do blog, deixarei que cada autor diga por si mesmo. Só o que adianto é que as linhas principais serão Religião, Ateísmo, Ciência, Filosofia e Política, mas nada impede que eu “chame” outros autores para falar sobre outros assuntos. Eu particularmente, o Mensalão, sou o administrador do blog e não vou escrever textos sobre nenhum dos temas acima. Meu papel será moderar os outros autores e falar sobre assuntos pessoais tais como música, jogos, esportes, lazer, literatura etc

Em breve os primeiros autores se apresentarão aqui para vocês. O Bruno Almeida e  Mr. Monk serão os dois primeiros e os demais serão apresentados gradualmente, tão logo eles se disponham a cumprir a promessa que fizeram de me ajudar aqui! Vocês podem saber um pouco mais sobre eles aqui ou clicando no menu “Autores” no cabeçalho da página. Caso queiram entrar em contato comigo, basta ir na aba “Contato” alí em cima também.

Bem, espero que gostem!

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