118 milhões?!?!

É com muito pesar que tenho visto a revolta de muitas pessoas por aí a respeito dos gastos públicos com a visita do Papa Francisco ao Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Sob o argumento de que o estado brasileiro é laico, condenam veementemente via redes sociais os quase 120 milhões a serem gastos durante sua visita.

Mas sejamos justos, qual o grande absurdo nessa história?  “ALÔ, EVANGÉLICOS. SABEM QUANTO O GOVERNO FEDERAL VAI GASTAR COM A VINDA DO PAPA FRANCISCO AO BRASIL? CERCA DE 120 MILHÕES DE REAIS. PARA UM PAÍS LAICO, É UM ABSURDO.” *

“Desculpa a galera da JMJ, mas porque eu tenho que pagar 118 milhões pro seu Papa ficar andando de carrinho conversível, acenando para vocês e sendo escoltado? Cade o Banco do Vaticano agora?” *

* Texto e imagem retirados do Facebook.

Problematizemos.

O estado provê segurança a todo tipo de eventos públicos que podemos imaginar, de jogos de futebol (nos quais muitas vezes a polícia militar tem que montar verdadeiras operações de guerra para impedir confusão entre torcedores) a espetáculos musicais. Toda vez que grandes multidões se formam, seja para louvar o papa ou seja para declarar o orgulho gay, o estado tem a obrigação de zelar pela segurança de todos os participantes.

O Papa pretende passear de papa-móvel pelas ruas de diversas cidades, o que com certeza irá causar problemas no trânsito. Caso a prefeitura não gaste dinheiro planejando os roteiros e preparando rotas alternativas, os problemas no trânsito se transformarão rapidamente em caos urbano.

Times de futebol, por exemplo, não arcam com a segurança nem com a logística urbana quando promovem espetáculos esportivos em estádios. Se tivessem que fazer isso, a atividade se tornaria deficitária e os times teriam dificuldade em continuar existindo. Desta forma, devemos lembrar que se o estado banca segurança e logística de parte das atividades, deve bancar todo o resto também ou deixar de bancar tudo. Tendo em vista a história recente, se o estado não colaborasse estaria agindo de maneira claramente anti-religiosa, o que seria ilegal e contrário aos próprios princípios do estado laico.

Além disso, tal evento tem repercussão mundial. Todos estarão olhando para nosso país enquanto ele alguém recebe que, gostemos ou não, é chefe de estado. Seria humilhante para o Brasil, como nação, caso o papa viesse a sofrer algum dano físico aqui por conta de falhas na segurança ou caso não consiga realizar as atividades planejadas por causa de falhas na logística urbana. Os fiéis que irão pagar para estar na presença do Papa também ficariam decepcionados injustamente.

Deve-se ressaltar ainda que este dinheiro não será usado para o transporte nem para a hospedagem da comitiva do Vaticano ou dos fiéis, não será gasto com publicidade do evento e não será usada em gastos do evento e de seus organizadores. A própria JMJ arcará com os gastos de uma certa quantidade de seguranças privados, segundo o O Globo.

Acredito ser muita ignorância da parte dos revoltadinhos que alegam ser absurdo o governo gastar dinheiro com a visita do papa. É verdade que seria absurdo o estado financiar gastos inerentes ao evento, entretanto é perfeitamente normal que ele zele pela segurança e pela organização do evento pelo bem dos participantes e dos moradores das cidades que sediarão o evento e que zele para para que a imagem do país não seja consolidada como a de incompetente, algo que é ruim para todo o povo. Sim, o estado é laico, mas isto não significa que o governo não pode zelar pela segurança dos fiéis em eventos públicos.

Uma outra discussão possível é o tamanho dos gastos. A quantia em questão, os 118 milhões, talvez possam ser um exagero. Esta questão, evidentemente, merece ser investigada, mas não irei entrar neste mérito aqui. Estou dirigindo minha crítica àqueles que acham que o governo não deveria gastar um centavo sequer com eventos religiosos por ser laico, e não àqueles que criticam o tamanho dos gastos.

Por fim, um recado aos evangélicos: já vi muitas multidões de evangélicos reunidas em estádios de futebol, inaugurações de mega-templos, etc para orar e que também contaram com segurança e logística públicos. Então, por favor, não reclamem que o estado prefere os católicos, pois isso não parece ser verdadeiro. Os evangélicos não podem se dizer vítimas de muitas coisas na sociedade moderna, muito pelo contrário.

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Uma opinião sobre “118 milhões?!?!”

  1. Uma pergunta irônica Marco:

    Você acha que uma certa pessoa ira denunciar isso como uma tentativa de grupos totalitários de inchar o estado para assim ter o poder absoluto a longo prazo? Ou sera que o estado só se torna inchado-totalitário quando financia parada gay e Ong esquerdista?

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