Três álbuns para o fim de semana

Como não há poucas coisas melhores que uma boa música pra alegrar o fim de semana, resolvi fazer um post com algumas dicas. E como não de música há muito tempo aqui, mando de cara três álbuns. Todos eles valem a pena ser ouvidos por qualquer pessoa. Nada de muito extravagante ou exótico, mas que fogem dos clichês de sempre. A lista ficou propositalmente pequena para não forçar demais aqueles que fiquem curiosos por escutar as músicas.

Espero que gostem!  1. O velho: Animals – Pink Floyd (1977)

Sim, o Pink Floyd é um sucesso mundial que quase todo mundo conhece e não tem muito o jeito de quem apareceria em uma lista de quem quer evitar os clichês. Mas será?

A banda inglesa é famosa por seu mega hit “The Wall”, mais especificamente “Another Brick In The Wall Part 2”. Mas na boa, quem pode me citar alguma outra música do álbum, fora “Another Brick In The Wall Part 1” obviamente? (Quer torturar um “fã” de uma banda como os Beatles? Peça para citarem cinco músicas deles sem parar para pensar. Garanto que mais de 90% vão passar vergonha! Os outros 10% são fãs de verdade.) Muitas pessoas conhecem o fabuloso “Dark Side of the Moon”, mas a maioria só conhece por causa do filme “Alice no País das Maravilhas” e não sabe sequer uma música do álbum. Arrisco dizer que o Pink Floyd tem, entre os jovens de hoje, mais status de ser cult do que fama por ser bom.

Mas não vou indicar nenhum dos dois álbuns. Vou indicar “Animals” de 1977. Este álbum possui três músicas excepcionais e inesquecíveis chamadas Dogs, Pigs (Three Different Ones) e Sheep distribuídas em cinco faixas (a primeira e a última são intros de 1’25” cada).


Acompanhe um pouco da história da velha usina no vídeo.

Sobre a história do álbum, duas de suas músicas já estavam prontas antes do álbum começar a ser feito, tendo sido inclusive tocadas ao vivo shows e estado cotadas para estarem no álbum anterior, “Wish You Were Here”. São elas “Raving and Drooling” e “You’ve Got to Be Crazy” renomeadas como “Sheeps” e “Dogs”, respectivamente.

Tais adaptações se deram especialmente por causa do tema, cujo conceito foi tirado do livro A Revolução dos Bixos (“Animal Farm”) de George Orwell, porém com adaptações. Animals desejava falar sobre a sociedade inglesa na época, algo condizente com o espírito politizado da banda. Para começar, Dogs é uma crítica às grandes empresas, à burguesia, à ganância capitalista. Waters diz que os cães são os empresários que fingem de bonzinhos mas que só querem o dinheiro das pessoas, e que irão tomá-lo de maneira preferencialmente traiçoeira:

Like the club tie, and the firm handshake
A certain look in the eye, and an easy smile
You have to be trusted by the people that you lie to
So that when they turn their backs on you
You’ll get the chance to put the knife in.

Já os Porcos são os governantes e os homens no poder. Corruptos por natureza, eles querem cada vez mais poder, eles querem dominar. Também se referem aos moralistas, como Mary Whitehouse, inimiga pública da banda e defensora da censura. Por fim, as Ovelhas são o povão, dóceis e obedientes, que fazem tudo que os porcos e os cães mandam fazer sem pensar muito. Na letra, há inclusive uma paródia do famoso Salmo 23 (aquele do “Senhor é meu pastor e nada me faltará.”)

The Lord is my shepherd, I shall not want
He makes me down to lie
Through pastures green he leadeth me the silent waters by
With bright knives he releaseth my soul
He maketh me to hang on hooks in high places
He converteth me to lamb cutlets
For lo,m he hath great power and great hunger
When cometh the day we lowly ones
Through quiet reflection and great dedication
Master the art of karate
Lo, we shall rise up
And then we’ll make the bugger’s eyes water.

Muitos irão dizer, com razão, que o álbum flerta com a esquerda. É verdade. Mas não desejo entrar no mérito da discussão política aqui, até porque o protesto de Waters já não faz muito sentido hoje em dia.

A capa do álbum, elemento que considero fundamental, é icônica. A foto é de uma usina, hoje desativada, com um balão de um porco. Até que tentaram fazer uma fotografia real, mas não deu certo, então o balão foi colocado na imagem depois. Mas não deixa de ser uma capa que chama a atenção.

Sobre as melodias, elas estão com certeza dentro do melhor que a banda produziu. Todas as três faixas são excepcionais e não ficaram cansativas apesar de seus tamanhos: Dogs tem nada menos do que dezessete minutos!, as outras duas têm por volta de dez cada. Não sou especializado em crítica musical, então quem quiser saber mais pode dar uma olhadela na internet. Recomendo primeiro esta resenha do Whiplash (sobre o conceito e sobre a musicalidade), depois esta matéria um pouco mais histórica que também é do Whiplash (história do álbum e da turnê) e por fim o verbete da wikipedia (um pouco sobre tudo).

2. O novo: The English Riviera – Metronomy (2011)

A capa de fato parece boba e despretensiosa, mas reflete muito bem o espírito do álbum: músicas leves, que remetem a uma clima paradisíaco e a um estado de relaxamento, sem cair em músicas enfadonhas e sem graça e sem faltar sal. O álbum tem seu espírito, ele é gostoso e convidativo para um momento de tranquilidade consigo mesmo. Seu estilo musical é chamado Indietrônica, que é um Rock Indie com uma pegada mais eletrônica (nesse estilo, também temos as americanas Foster the People e MGMT e a inglesa Hot Chip).

É neste clima que entra o maior sucesso do álbum, The Bay, com um vídeo clipe gravado em Torbay (região conhecida como a Riviera Inglesa, expressão que dá nome ao álbum). Na cidade paradisíaca, a banda toca a música rodeada por modelos exóticas em poses esquisitas e ousadas, num clima um tanto quanto surreal. Aliás, a direção do vídeo tende à nova geração de diretores, que adoram essas cenas surreais e minimalistas, pra não dizer estranhas (vejam qualquer vídeo do Foster The People ou o de Rolling in the Deep da Adele para ter ideia do que estou falando, este último no mudo para não ter que ouvir aquela mala sem alça insuportável.)

Mas o álbum não vive de uma música só, muito pelo contrário. She Wants, a única música um pouco mais noturna do álbum, é ideal para ouvir enquanto se toma umas com os amigos. Everything Goes My Way, The Look e Corinne são baladinhas bem gostosinhas, bem simples e bem marcantes, todas deliciosas de se ouvir. We Broke Free parece a música de fundo ideal para um dia de praia longe de todo problema e de qualquer agitação do mundo. Loving Arm, Some Written e Love Underlined também merece menção. Enfim, tirando a primeira faixa, que é uma intro, e a sexta, só tem música boa neste álbum. Nove em dez é uma marca respeitável hoje em dia, onde os álbuns possuem um ou dois carros-chefes e o resto é só pra encher linguiça até dar o número que precisa para ser lançado como álbum.

Este é o terceiro álbum da banda inglesa. Porém, ele representa uma guinada em sua trajetória: a banda cresceu e o o som começou começou a ficar um pouco mais complexo. Não que os dois novos membros seja de fato parte da banda, como estamos acostumados: na verdade, todas as músicas continuam sendo feitas pelo líder Joseph Mount quase sozinho, e os demais membros estão lá mais para ajudar nas apresentações ao vivo. De qualquer forma, isso possibilitou músicas mais complexas (o que não quer dizer que seu antecessor, Nights Out, não seja um baita de um álbum também!)

3. O velho fazendo música nova: Wrecking Ball – Bruce Springsteen (2012)

Bruce Springsteen, o americano que também é conhecido como The Boss, é de fato o cara. Continua fazendo excelentes músicas até hoje e seus shows botam o da maioria das bandas de rock atuais no chinelo fácil, sem apelar para grandes produções. Ele faz e toca músicas com todo o espírito, é carismático e prende a atenção. Suas músicas são fortes, simples e românticas. Ele com certeza é um grande ídolo do rock, mesmo sendo relativamente desconhecido por aqui, e é uma lástima eu não ter comprado um ingresso para ir ver seu show no Rock in Rio desse ano.

Alguns de seus grandes álbuns, os com maior sucesso comercial pelo menos, são Born to Run (1975!) e Born in the USA (1984). Este último, além de ser brilhante (quase todo mundo provavelmente conhece mais de uma faixa dele), tem uma capa icônica do rock da década de 80 (ver ao lado). E Wrecking Ball, lançado quase quarenta anos após seu primeiro álbum, mostra que ele ainda tem fôlego.

Este álbum conta com faixas que tendem um pouco ao folk e ao country americanos, não deixando de ser rock propriamente dito. Por esse motivo, esse álbum é um dos que mais destoam dos demais em sua vasta carreira. Uma das minhas faixas preferidas, Rocky Ground conta até com um trecho de rap (que não deixa de ser um ritmo até interessante quando longe das mãos semi-analfabetas dos rappers mainstream como Lil Wayne, Nicky Minaj, Pitbull, 50 Cent etc)

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Death to My Hometown e American Land trazem alegria e energia ao álbum em clima de festa. Easy Money e Shackled and Drawn são fortes e alegres, com uma pegada bem “caipira”, ótimas. We Are Alive parece tirada de um daqueles filmes americanos caipiras. Jack of All Trades e This Depression são bem mais calmas, até um pouco depressivas, baladas um pouco mais lentas e tristes. You’ve Got It e Land Of Hope and Dreams também são lentas mas um pouco mais animadas, muito gostosas de se ouvir numa tarde chuvosa.

Os carros chefe do álbum, no entanto, são We Take Care of Our Own e Wrecking Ball, que vão linhas mais comum do Bruce: um rock bem trabalhado, cheios de força e com a interpretação impecável. Enfim, outro álbum sem música pra encher linguiça, que merece ser ouvido da primeira à última faixa com atenção. Se você não conhece o Bruce, a hora é agora!

Espero que tenham gostado da seleção. Quem não tem, baixe as músicas agora mesmo e conheça esses três álbuns sensacionais!

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