Uma Ética Ateísta – Parte 2: A Felicidade

Dois textos de Loftus Publicados Originalmente em seu blog Debunking Christianity sobre a felicidade. Continuação da série sobre uma ética ateísta.

[Uma Ética Ateísta – Parte 1: O Auto-Interesse]

Uma Ética Ateísta: O Que os Seres Humanos Querem?

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Título Original: An Atheistic Ethic: What do Human Beings Want?
Autor: John W. Loftus
Publicado Originalmente em: Debunking Christianity, 10/JUN/2013
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Esta é a segunda parte de uma série defendendo uma ética ateísta. Como eu disse anteriormente, precisamos de uma ética baseada em evidências sólidas sobre quem somos como seres humanos e por que agimos da forma como agimos. Vamos começar por olhar para o que as pessoas racionais querem da vida. Eu acho que eu sei.

Acho que há evidências sólidas de que os seres humanos racionais querem (ou valorizam) várias coisas importantes. Deixe-me oferecer uma lista delas: queremos poder, amor, amizade, riqueza, saúde, liberdade, significado, importância, auto-estima, afirmação, aprovação, conhecimento, compreensão, vida longa, segurança, boa aparência, sexo, e assim por por diante. Queremos desafios suficientes para nos tornarmos fortes e prazeres suficientes para nos motivar a continuar querendo viver. Essas coisas são inegáveis, na minha opinião. Eles são óbvias.

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As pessoas que eu considero não-racionais são, grosso modo, as pessoas que não querem essas coisas. Em outras palavras uma condição necessária para uma pessoa ser racional é que essa pessoa valorize significativamente as coisas listadas acima. Uma pessoa não pode ser considerada uma pessoa racional se ela tem uma flagrante falta de desejo por essas coisas. Pessoas não-racionais têm um profundo e freudiano “desejo de morte”, que é muito abaixo do padrão humano universal. Embora seja provavelmente verdade que todos nós temos algum grau de um “desejo de morte”, aquelas pessoas que se recusam a cuidar de si, ou que se recusam a continuar a viver, ou que não se preocupam com as coisas mencionadas acima em um grau significativo simplesmente não estão sendo pessoas racionais. Alguns criminosos, por exemplo, podem preferir estar atrás das grades porque eles não podem viver no mundo exterior por diversas razões, ou porque têm alguma necessidade interna de punir-se devido à culpa ou à auto-aversão. Pessoas que cometem suicídio, ou que querem morrer, ou que não se preocupam consigo mesmas ou com qualquer outra pessoa, são pessoas que eu acho que não estão sendo racionais. Elas estão prejudicando a si mesmas, e que vai contra o nosso instinto de sobrevivência e de viver a vida ao máximo. Qualquer pessoa que age de forma contrária ao instinto de sobrevivência não está sendo racional, no sentido de que isso vai contra um princípio fundamental inato de viver.

[Um bom vinho com os amigos é um privilégio para quem não é egoísta. Foto do blog da Ann Marie.]

Agora, por que nós queremos as coisas listadas acima? Porque queremos poder, e amor, e significado, por exemplo? Posso sugerir, com Aristóteles, que a razão pela qual nós valorizamos todas estas coisas é porque nós queremos ser felizes. De acordo com Aristóteles, a felicidade é o bem supremo. Nós não queremos a felicidade por qualquer outro motivo. É um fim em si mesmo. Nós não queremos o poder ou o amor ou o significado como um fim em si mesmas. Queremos que essas coisas porque tê-las faz as pessoas racionais felizes.

Para alguém que me pergunta por que as pessoas deveriam querer ser feliz, ou para alguém que pergunta qual o padrão final que diz que eu deveria ser feliz, eu simplesmente digo que você não pode racionalmente querer mais nada além disso. É impossível para as pessoas racionais não querer ser feliz.

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Então eu fico com a tradição da ética da felicidade que remonta a Sócrates/Platão, Aristóteles, Hobbes, Mill, que vem até os “éticos da virtude” dos dias modernos. Felicidade para esses pensadores significa felicidade “holística”. Não é ser um “porco satisfeito”. Não  é possuir um mero prazer hedonista. Quanto mais coisas da lista acima uma pessoa tem, mais feliz ela será. A falta de qualquer um deles vai reduzir a sua felicidade em algum grau, ou não ter essas coisas em espécie e quantidade suficiente, irá reduzir a felicidade de uma pessoa racional. Ter riquezas, por exemplo, sem nenhum dos outros, não vai trazer felicidade suficiente à pessoa. A pessoa mais feliz vai ter todas essas coisas ao máximo grau.

Se quisermos ser felizes, devemos persegui-los, e devemos ter algum grau aceitável de todos eles.

E o Livro de Eclesiastes?

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Título Original: What About Ecclesiastes?
Autor: John W. Loftus
Publicado Originalmente em: Debunking Christianity, 13/JUN/2013
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Kathairountes Logismous, comentando sobre minha série sobre a ética ateísta disse:

“Você já leu o livro de Eclesiastes, certo? Esse livro é uma apologética negativa contra a mesma coisa que você acabou de apresentar. O autor não aceitava o seu axioma de que bens materiais (dinheiro, sexo, boa aparência, poder, etc) levam à felicidade, e então ele começou a testá-los para ver se eles realmente levam à felicidade. Em essência, ele tinha as coisas que você diz trazer felicidade, tanto quanto qualquer pessoa no mundo naquela época tinha. Ele descobriu que os bens materiais não levam à felicidade. Esse livro é o registro de um experimento realizado com o objetivo de testar as hipóteses exatas que você faz aqui. Vou acrescentar que a minha própria experiência combina com a do autor de Eclesiastes. “

Deixe-me comentar brevemente:

Em primeiro lugar, eu notei que você não disse que Salomão escreveu Eclesiastes, embora seja óbvio que se nós acreditamos no que este livro diz sobre seu autor, então ele deve ser Salomão. No entanto, a maioria todos os estudiosos afirmam Salomão não o escreveu – muitos estudiosos conservadores também acham que não foi ele. Acho isso estranho, já que todo o argumento é sobre as experiências pessoais de Salomão. Se estas não eram suas experiências, e se este livro é o que nós chamaríamos hoje de um “sockpuppet” (NdE: ou “fake” mesmo) de Salomão, então, por que eu deveria acreditar no que o autor escreve?

Em segundo lugar, a expressão “debaixo do sol” é usada repetidamente neste livro para se referir à vida sem Deus. Vida “debaixo do sol” é “vaidade”, diz o autor. Observe aqui a cosmologia supersticiosa e pré-científica do mundo de acordo com este autor. De acordo com ele, assim como com todos os escritores bíblicos, Deus residia sobre o firmamento, que era mantido no lugar por montanhas ao longo das extremidades da terra, em que foram penduradas ao sol, a lua e as estrelas, e de onde a água era liberada para enviar inundações e para regar as plantações. Não admira que eles se sentiram mais perto de Deus quando estavam orando, adorando e buscando sua orientação em uma montanha (por exemplo, Balaão, Moisés, Jesus, e assim por diante); que é onde Deus vivia. Então por que eu deveria me importar com o que o autor diz se ele está errado sobre cosmologia? Talvez ele seja apenas uma pessoa supersticiosa? Talvez eu devesse levar o que ele diz com um (bom) bocado de ressalva?

Por fim, a mensagem em si é apenas parcialmente verdadeira; apenas uma parte da história – uma meia verdade. Sim, é verdade que vamos morrer e por isso nada que fazemos nesta vida possui um significado último. Nossa vida é, em última análise, em vão. Nada do que fazemos nesta vida, acabará por satisfazer o desejo de significado eterno e, nesse sentido, não podemos encontrar a felicidade completa sem essa garantia. “Tudo é vaidade” nesse contexto. Este eu admito. Essa é a verdade – a meia verdade.

Mas este fato tem pouco a ver com a forma com a qual eu devo viver a minha vida na terra. Eu ainda devo buscar ser feliz, mesmo que meus atos nessa vida não sejam lembrados quando a vida humana e todo o universo cheguem ao fim.

Os cristãos falam como se eles fossem cometer assassinato, roubo, estupro e suicídio se não houvesse um Deus. No entanto, eles devem considerar a evidência dos muitos ex-cristãos que continuam a levar uma vida feliz e produtiva, mesmo depois de rejeitar a existência de Deus. Por que você acha que isso é verdade? Pense nisso. Nós não fazemos essas coisas porque eles não são racionais e não nos traz felicidade. (Como eu estou explicando).

Meu argumento é que as pessoas que vivem como se houvesse vida após a morte, com um julgamento diante de Deus que nos envie para o céu ou para o inferno, estão vivendo uma vida de ilusão. Eu prefiro viver com os pés firmemente plantados no chão, do que viver uma ilusão.

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