Uma Ética Ateísta – Parte 1: O Auto-Interesse

Esta série de dois posts é a tradução de uma série de seis posts publicada originalmente em inglês no blog Debunking Christianity de John W. Loftus em Junho de 2007.

[Uma Ética Ateísta – Parte 2: A Felicidade]

Como o próprio nome da série diz, ela não busca dizer qual é “A” ética ateísta, mas procura propor “UMA” ética ateísta. Entretanto, mesmo assim, eu não concordo que esta proposta dele seja a de uma ética ateísta, mas sim a de uma ética secular. No meu ponto de vista, uma ética ateísta propriamente dita partiria do pressuposto de que todas as religiões são falsas e usaria tal pressuposto para construir seus alicerces. Como não é essa a proposta de Loftus, creio que o título que ele escolheu para a série não seja muito adequado. Contudo, apesar de me sentir tentado a chamar a série de “uma ética secular”, preferi manter a nomenclatura original, até porque estou aqui expondo o ponto de vista dele e não o meu. Provavelmente ele quis dizer “uma ética que os ateus podem seguir” e talvez esta observação seja um pouco de preciosismo da minha parte, mas acho tal esclarecimento necessário.

Uma Ética Ateísta

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Título Original: An Atheistic Ethic
Autor: John W. Loftus
Publicado Originalmente em: Debunking Christianity, 08/JUN/2013
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Eu vou tentar construir aqui uma filosofia moral ateísta consistente nos próximos dias/semanas. Na minha opinião, todas as teorias éticas possuem alguns problemas sérios, algumas mais do que outras. Eu vou apresentar a que eu acho que tem a menor quantidade de problemas. Eu também vou tentar responder o máximo de objeções que eu puder, e oferecer alguns exemplos hipotéticos razoáveis para mostrar como esta ética pode descrever, e de fato descreve, aquilo que nós realmente fazemos, e aquilo que devemos fazer. A teoria que eu vou esboçar será direcionada a pessoas de ambos os lados do muro, tanto cristãos quanto ateus. Não existe um “tamanho único para todos” quando se trata de uma ética ateísta. Ateus discordam uns com os outros sobre esta questão, como ocorre na política. Então, eu não espero que os ateus concordem comigo, e por isso eu convido críticas úteis e construtivas de todos.

Como eu tenho argumentado contra a ética cristã em vários lugares, então eu preciso dar a minha alternativa, e é isso que vou fazer agora. Em primeiro lugar, eu quero uma ética que seja baseada em alguma evidência sólida sobre quem somos como seres humanos e por que agimos da forma como agimos. Qualquer tipo de ética que nos diz para fazer aquilo que somos incapazes de fazer, é muito idealista e não é útil para nos guiar como seres humanos. Tal ética, na minha opinião, exige que nós nos comportamos de maneira não-humana. Eu acho que a ética pessoal cristã faz exatamente isso, por exemplo. Nós não somos seres divinos. Nós somos seres humanos. A ética cristã exige uma abnegação completa, apesar de não negar que os cristãos devem possuir auto-respeito como criaturas resgatadas por Deus. Ainda assim, os cristãos devem “morrer diariamente” com Paulo, tomar a sua cruz e seguir Jesus. Auto-negação, auto-sacrifício e auto-disciplina parecem ser as principais características da ética cristã pessoal em seu sentido mais básico e fundamental. Eles devem possuir um amor sacrificial ágape por todos, embora Agostinho tenha argumentado que os cristãos são obrigados a ter este tipo de amor primeiro pelos parentes, em seguida por sua comunidade, depois por a sua cultura e, finalmente, por aqueles que estão fora de sua cultura. Ou seja, eles têm o dever primário de amar as pessoas mais próximas a eles, mas eles devem amar a todos. Isto significa mostrar às pessoas a misericórdia, e dar às pessoas a justiça necessária que merecem, dependendo do dever que temos para cada pessoa, que é uma função de como ela está relacionada a nós. De acordo com a doutrina cristã, o Espírito Santo, o paráclito divino, ajuda os crentes a cumprir as exigências do amor ágape.

A visão cristã vai além disso, é claro, incluindo a morte de hereges, e o espancamento de escravos. 😉 Ainda assim, é totalmente irrealista esperar que as pessoas tenham amor ágape para com as outras pessoas, assim como Jesus fez (se presumir com eles que Jesus é o seu modelo idealista). Ela promove a culpa. Ela não pode ser realizada, mesmo com a ajuda do Espírito Santo (presumindo que existe tal ser). Além disso, há fortes indícios ao longo dos séculos que o Espírito Santo não fez corretamente seu trabalho bem entre os cristãos professos (o único tipo de cristão que vemos). 😉

Além disso, a ética cristã é baseada em uma motivação que deve ser julgada a partir da perspectiva cristã como sendo infundada e totalmente antiética. Refiro-me ao inferno. Pense desta maneira, se não há inferno e todos serão recompensados igualmente no céu quando morrerem, então os cristãos não precisam tentar viver a ética cristã, e duvido que muitos deles se importariam de fazê-lo naquele momento, especialmente quando eles querem fazer algo que sabem que é contra a “vontade de Deus.” Os cristãos podem querer alegar que obedecem porque é “a coisa certa a fazer”, mas basta fazer-lhes uma pergunta sobre isso. Pergunte-lhes se eles seriam capazes de estuprar, roubar, matar se Deus lhes dissesse para fazê-lo, caso contrário seriam lançados no inferno para sempre. Se eles iriam obedecer a Deus e estuprar, roubar, matar, então a sua motivação básica é obedecer por causa do medo do inferno. No entanto, se eles não obedecem a Deus por fazer essas coisas, então eles não obedecem a Deus simplesmente porque a obediência a Deus é a coisa certa a fazer.

Os cristãos afirmarão que Deus nunca iria comandá-los a fazer essas coisas, mas na verdade o Deus da Bíblia fez isso. Abraão recebeu a ordem de sacrificar seu filho. Será que você obedeceria a Deus se ele lhe disse para fazer isso? Uma prisioneira de guerra foi forçada a ser a esposa de um homem israelita (Deuteronômio 21:10-14). Se uma virgem que estava prometida em casamento foi estuprada, ela deveria ser apedrejada junto com seu estuprador (Deuteronômio 22:23-24), enquanto que se uma virgem que não estava desposada fosse estuprada ela deveria se casar com o molestador (Deuteronômio 22:28-29), para não mencionar o genocídio. Mais ao ponto, o medo do inferno não é uma boa base cristã para ser ético. Seria colocar a obediência a Deus em pé de igualdade com obedecer um ladrão que tem uma arma apontada para sua cabeça.

Em conclusão, argumento que eu quero uma ética que seja baseada em alguma evidência sólida sobre quem somos como seres humanos e por que agimos da forma como fazemos. A ética cristã é praticamente impossível de ser obedecida, e a motivação para obedecer deve se basear em um auto-interesse racional, que é basicamente a mesma ética sobre a qual discutirei posteriormente, sem os mandamentos divinos bárbaros.

Egoísmo e Auto-Interesse Racional

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Título Original: An Atheistic Ethic – Part 4
Autor: John W. Loftus
Publicado Originalmente em: Debunking Christianity, 22/JUN/2013
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Esta é uma continuação de uma discussão sobre a ética ateísta. Eu já argumentei que qualquer ética deve ser baseada em quem somos como seres humanos, e que os cristãos obedecem a Deus por causa do auto-interesse. Então eu argumentei que aquilo que nós humanos queremos acima de tudo é ser feliz. Eu também tratei do livro de Eclesiastes, que parece afirmar que não podemos encontrar a felicidade sem Deus. Agora vou argumentar que o auto-interesse racional pode ser uma boa base para uma ética ateísta.

(NdE: Os argumentos envolvendo o desejo de felicidade e o livro de Eclesiastes estão na segunda parte da série: Uma Ética Ateísta – Parte 2: A Felicidade. A minha divisão seguiu um critério temático, ao invés de sequencial. O trecho a seguir retirado da segunda parte é o suficiente para entender o argumento dele aqui: “Acho que há evidências sólidas de que os seres humanos racionais querem (ou valorizam) várias coisas importantes. Deixe-me oferecer uma lista delas: queremos poder, amor, amizade, riqueza, saúde, liberdade, significado, importância, auto-estima, afirmação, aprovação, conhecimento, compreensão, vida longa, segurança, boa aparência, sexo, e assim por por diante. Queremos desafios suficientes para nos tornarmos fortes e prazeres suficientes para nos motivar a continuar querendo viver. Essas coisas são inegáveis, na minha opinião. Eles são óbvias.”)

Eu não vou argumentar pelo egoísmo como a base de uma ética ateísta. Meu dicionário define o egoísmo como sendo “preocupação com seus próprios interesses, necessidades e desejos, ignorando os dos outros.” Isso implica que a pessoa só se preocupa consigo mesma. Implica a trindade profana: mim, eu mesmo, e eu. O auto-interesse racional é algo diferente. A uma pessoa egoísta faltarão coisas que a faz feliz. A pessoa egoísta não vai ganhar as coisas da lista que mencionei anteriormente de coisas que nos trazem felicidade. Sendo míope, ela está interessada apenas em gratificação instantânea, e não nos benefícios duradouros de ser um bom amigo dos outros. Uma pessoa egoísta geralmente colhe o que semeia. Ela vai sentir solidão, ansiedade, culpa, tendências auto-destrutivas, poucos amigos de confiança, depressão, medo, paranóia, decepção com a vida, possível pena de prisão, e uma vida curta. Na medida em que ela é egoísta, ela estará sozinha. Ela será mandada para o ostracismo, e será até mesmo banida da sociedade. Ela não vai trabalhar bem com os outros e, provavelmente, será demitida por preguiça, ou por não se dar bem com os colegas de trabalho. Assim, ela provavelmente não vai colher as recompensas financeiras que ela quer para ser feliz.

Aquilo que estou defendendo é diferente. É um auto-interesse racional, que busca os benefícios duradouros de felicidade. Isto significa negar-se a gratificação instantânea para os melhores e maiores benéficos, bens longos e duradouros.

Altruísmo ou Auto-Interesse Racional?

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Título Original: An Atheistic Ethic – Part 5
Autor: John W. Loftus
Publicado Originalmente em: Debunking Christianity, 23/JUN/2013
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Eu acho que há um elemento de auto-interesse em quase todo ato que fazemos, que é a posição do egoísmo psicológico modificado, e que pode ser melhor chamada de “egoísmo predominante.” Vejo atos altruístas e atos egoístas em um continuum, com um lado representando atos que são quase completamente de auto-interesse, e com o outro lado representando os atos que chamaríamos de altruístas, sendo que quase todos contêm algum auto-interesse em si. Deixe-me apresentar o meu caso.

Para mostrar isso, deixe-me dar alguns dos cenários mais difíceis e, em um artigo posterior, vou lidar com algumas objeções àquilo que eu estou dizendo.

1) Como você lida com a óbvia evidência contra o egoísmo psicológico fornecido, por exemplo, pelos bombeiros em 9/setembro? O que significa dizer que suas ações, que aparentemente arriscaram suas vidas pelas dos outros, eram na verdade egoístas?

Em primeiro lugar, eu não estou dizendo que suas ações eram egoístas. Como afirmei anteriormente, fiz uma distinção entre atos egoístas e atos de auto-interesse racional. Atos egoístas não nos dão uma felicidade a longo prazo.

Aqueles bombeiros foram treinados para fazer um trabalho. Sua reputação estava em jogo. Eles aceitaram o desafio de ver quantas pessoas eles podem salvar. Eles não achavam que iriam morrer no processo. Além disso, as pessoas praticam comportamentos de risco o tempo todo, a maior parte dele por diversão. As pessoas gostam de correr riscos e aceitar desafios, especialmente se elas podem ser pagas por isso. Eles também adoram o respeito mútuo de outros bombeiros (e policiais) por fazer parte de uma organização que salva vidas.

Claro, algumas delas podem ter agido a partir da ilusão de que Deus irá recompensá-las no céu. Mas se esta vida é tudo o que existe, e vamos morrer de uma forma ou de outra, então por que não ser lembrado por ter realizado grandes feitos? Para o egoísta este pode ser o único meio de fazer sua vida para valer a pena. Se, no entanto, alguém foge da responsabilidade, e salva sua vida deixando o outro morrer, ele passa a ser conhecido como um covarde daquele dia em diante. Às vezes, em uma situação como esta, é melhor morrer e ser lembrado como um grande homem do que viver com a vergonha social e perda de emprego no único trabalho que essa pessoa sempre quis fazer.

2) Os “Freedom Riders”, que foram para o sul trabalhar pelos direitos civis com um potencial – e real – risco às suas próprias vidas para beneficiar pessoas que eles não conheciam, expandindo assim o poder e os direitos políticos dos beneficiados e diminuindo os próprios ou os de sua família e amigos.

O que deve ser entendido é que os seres humanos gozam de um desafio. Eles gostam de lutar uma boa luta e vencer, como qualquer combate. Eles também têm uma necessidade de pertencer. Então, eles se juntam em causas. A vida deles seria chata se eles não fizessem isso. Aqueles que lutaram e venceram podem dizer que realizaram algo grande nesta vida. Por que isso foi considerado uma boa luta? Porque sempre que os direitos de algumas pessoas podem ser negados em uma democracia, os direitos de todas as outras pessoas também estão em risco. Muitos deles fizeram isso porque tinham amigos que eram negros, por isso era algo pessoal para eles. Muitos deles fizeram isso porque não podiam suportar seu próprio país. Eles podem ter pensado: “Se este é o meu país, e eu sou um co-proprietário das suas políticas, então eu me oponho àquilo que estou permitindo acontecer, uma vez que eu valorizo a liberdade para todos. Eu não gosto de quem eu sou quando permito isso.” Negar os direitos de alguém é negar os direitos de todos em algum grau. É sobre o tipo de país no qual eles queriam viver, e eles valorizavam os direitos de todos, porque todo mundo inclui a si mesmos e seus parentes.

Por que eles deveriam se preocupar com mais alguém? Em grande parte porque eles se importam consigo mesmos. Quantas vezes você já ouviu que para amar os outros você deve primeiro amar a si mesmo? Quando as pessoas se importam com elas mesmas, no sentido de auto-interesse racional que eu já falei anteriormente, elas vão naturalmente amar os outros.

3) O soldado que vê que a guerra que ele está lutando está perdida, mas que continua a lutar e até mesmo a entrar em uma “missão suicida” além de qualquer senso de honra ou de dever.

Uma vez que um soldado passa a integrar um exército, ele abre mão de seus direitos à própria vida. Naquele momento ele já está comprometido com a possibilidade de morrer. Ele foi ou forçado a entrar no exército, ou ele se voluntariou. Se ele se voluntariou, ele não se voluntariou para morrer. Ele se voluntariou para o desafio. Alguns destes voluntários não viram opção melhor, dado o fato de que eles precisavam de estrutura em sua vida e não poderiam ter se dado bem em uma sociedade livre. Alguns queriam a esperança de uma educação. Alguns são criados em famílias de militares que prestigiam bastante seu serviço em defesa de seu país, de modo que podem não saber viver de forma diferente. Vendo como sua família valoriza muito o serviço militar, ele provavelmente vai fazê-lo também. Como um soldado, ele também é treinado a seguir ordens e é terrivelmente difícil desobedecer tal comando, uma vez que sua missão pode ajudar a salvar outros soldados no campo, e uma vez que ser um desertor traz vergonha para ele e sua família como um crime punível. Ninguém tampouco sabe com certeza se é uma missão suicida. E ninguém sabe ao certo se a guerra está perdida, uma vez que um soldado no campo não tem todas as informações necessárias para fazer esse julgamento. Ele está defendendo sua terra natal, sua família e seus amigos, mesmo que a guerra esteja de fato “perdida.” E uma vez que todos nós vamos morrer de qualquer jeito, qual a melhor forma de morrer do que ser um herói, uma vez que ser lembrado muito bem é a única coisa que um homem possui depois que ele morre.

4) O soldado que pula sobre uma granada para salvar todos na trincheira.

Uma vez que a granada atinge o chão este soldado está morto de qualquer maneira. Se ele optar por fugir, sua vida nunca mais será a mesma mesmo que ele tenha sorte de salvar sua própria pele, e isso não é certo. A culpa será insuportável se ele sobreviver. Como Sofia no filme “A escolha de Sofia”, ela morreu no dia em que escolheu para salvar um de seus filhos, deixando os nazistas levarem o outro para longe. Então por que não fazer o que o soldado foi treinado para fazer e salvar os outros, caindo sobre a granada? Ele será lembrado como um herói, e salvando outros que vão continuar a lutar, ele vai ajudar a proteger aqueles que vão se lembrar dele quando voltarem para casa.

5) Por que devemos cuidar de animais de estimação? Porque eles nos dão prazer. Fazem-nos sentir amados. Eles nos fazem rir. Machucá-los não é uma ação racional. Seria trair um ódio por si mesmo, e isso não é agir em auto-interesse racional.

Uma Ética Ateísta: O Debatedor Cristão

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Título Original: An Atheistic Ethic: The Christian Debate Stopper
Autor: John W. Loftus
Publicado Originalmente em: Debunking Christianity, 25/JUN/2013
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salvationfound [um leitor do blog de Loftus] expressou o que eu estava esperando que um cristão dissesse. Ele ou ela escreveu:

Se alguém quiser matar e sentir que as vantagens superam as desvantagens, por que ela não deve matar?

Estou assumindo aqui que sf está falando sobre uma matança premeditada, ilegal e injusta de outro ser humano. A minha resposta?

Nestas circunstâncias ela vai matar, pois é por isso que as pessoas são assassinadas, em primeiro lugar, por outras. Como estou argumentando que cada ser humano é motivado a agir por interesse próprio, então se essas condições bastam para uma pessoa, ela vai, portanto, matar. E não importa, nesse ponto, quais são as crenças religiosas ou não-religiosas de uma pessoa porque essas crenças também são um fator para saber se as vantagens superam as desvantagens. Se uma pessoa é cristã ou não, ela vai matar nestas circunstâncias.

Não há ética que pode impedir alguém de matar nestas circunstâncias… nenhuma. Como o cristianismo numericamente domina na sociedade americana, um monte de cristãos estão matando outras pessoas. Homens matam suas esposas. Mulheres matam seus maridos e filhos. Outros matam enquanto roubam. Homens matam depois que estupram uma mulher. Quem você acha que está fazendo a maior parte da matança aqui? Cristãos. Por que eles fazem isso? Porque as vantagens superam as desvantagens. Alguns fazem isso durante uma crise de raiva irracional, ou por causa da paranóia, ou devido a drogas ou álcool. Mas eles fazem isso. E o mesmo acontece com ateus e agnósticos.

Os cristãos dizem que os cristãos que matam os outros não são “verdadeiros cristãos”. O que podemos fazer com isso? De acordo com essa definição, cristão é aquele que obedece a Bíblia? Mas como é que isso decorre da ideia contrária de que não somos salvos e vamos para o céu em decorrência de nossos atos? (NdE: A Bíblia diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” em Efésios 2:8-9) Como eles podem ter duas coisas contraditórias ao mesmo tempo? Atos significam pouco para a mente evangélica diante um Deus misericordioso. Evangélicos vão afirmar que não há ato que Deus não possa perdoar, então assassinato não deve ser problema para Deus. Os cristãos dizem que uma pessoa deve se arrepender antes que ela possa ser perdoada, mas será que isso significa que elas podem ser abandonadas pela graça Deus, ou que o seu arrependimento deve ser perfeito antes que Deus possa perdoá-las? E isso significa que elas devem procurar todos os pecados possíveis e se arrepender diariamente deles antes de Deus os perdoar? Certamente não. Lewis B. Smedes, em seu livro Mera Moralidade, construiu um forte argumento de que Deus pode e perdoa o suicídio, e não tem como haver arrependimento depois que um ato desse tipo é cometido.

Os cristãos podem ter uma desculpa sempre que eles querem fazer algo errado. Eu sei. Como um ex-cristão, eu sabia que Deus iria me perdoar se eu fizesse alguma coisa errada. Então, quando eu senti que as vantagens superavam as desvantagens eu fiz isso sabendo muito bem que Deus me perdoaria.

Dito tudo isso, eu respondo a base da questão que sf perguntou. Eu afirmo que as vantagens nunca se sobressaem às desvantagens quando se mata outra de pessoa de forma ilegal e injusta, ponto. Dê-me um cenário e eu duvido que o auto-interesse racional irá alguma vez concluir a coisa certa a fazer é matar alguém (exceto em legítima defesa). Minha posição é que as pessoas que matam não estão agindo de forma racional.

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