Atitude Cristã contra a Filosofia

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Título Original: Attitudes Toward Philosophy
Autor: DAVID DEMING     Tradução: Suriani
Publicação: Science and Technology in World History, Vol. 2

ATITUDE CRISTÃ CONTRA A FILOSOFIA

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Hostilidade à Filosofia

Muitos dos primeiros pais da Igreja Cristã, mas não todos, eram hostis à filosofia, e seus escritos são permeadas de intolerância. A espiritualidade cristã foi concebida como sendo contrária ao estudo racional do mundo natural. Cristianismo e filosofia eram sistemas competitivos e antitéticos de conhecimento. Eles não poderiam coexistir.

Irineu (c. 130-200 aC) explicou que era francamente melhor ser ignorante do que adotar a vaidade inútil de buscar o conhecimento. “Portanto, é melhor e mais rentável pertencer à classe simples e analfabeta…. Uma pessoa não deve possuir nenhum conhecimento sobre a razão pela qual uma única coisa na criação foi feita, mas deve acreditar em Deus, e continuar em Seu amor…. Ela não deve procurar nenhum conhecimento que não seja [o conhecimento de] Jesus Cristo, o Filho de Deus.” [1]

Em De Anima (Sobre a Alma), Tertuliano (c. 155-220 dC) observou que São Paulo tinha sido mal recebido pelos filósofos de Atenas, e descreveu filósofos como “patriarcas dos hereges”. “Devemos então nunca sermos requeridos de tentar a nossa força em disputas sobre a alma com os filósofos, os patriarcas dos hereges, como eles podem ser chamados de maneira justa. O apóstolo [Paulo], já em seu próprio tempo, previu, de fato, que a filosofia faria lesão violenta à verdade. Ele foi induzido a oferecer esta advertência sobre a falsa filosofia depois de ter ido em Atenas, de ter-se familiarizado com a cidade loquaz, e de ter lá uma prova da usura de seus sabichões e faladores.” [2]

(NdE: Tertuliano foi um dos primeiros autores critãos de sucesso, talvez o maior antes de Santo Agostinho. Alguns dos trabalhos conhecidos mais antigos relacionados à Trindade são dele. Foi considerado herege em certo ponto de sua vida por acreditar na Igreja do Espírito, e não na dos bispos, e que estes não tinham, por exemplo, o poder de redimir os pecados. Ou seja, foi considerado herege por motivos políticos, até porque não existem evidências de que Tertuliano tenha criado uma seita própria. Contudo, suas obras anteriores, como De Anima, não foram “manchadas” pela heresia montanista que dominou a fase final de sua carreira.)

Tertuliano disse muito claramente que a filosofia deve ser reprimida. “Quaisquer vapores nocivos, consequentemente, exalados pela filosofia, obscurecem a atmosfera clara e saudável de verdade, será para os cristãos limparem, tanto por quebrar em pedaços os argumentos que são extraídos dos princípios das coisas—quero dizer, os dos filósofos—quanto por opor a eles as máximas da sabedoria celestial—isto é, aquelas reveladas pelo Senhor; de modo que ambas as armadilhas com as quais a filosofia cativa os pagãos possam ser removidas, e os meios utilizados pela heresia para abalar a fé dos cristãos possam ser reprimidos.” [3]

Em uma aclamação de mentalidade estreita, Tertuliano exclamou que os verdadeiros cristãos não tinham interesse em nada senão o evangelho. “Na verdade heresias são elas próprias instigadas pela filosofia…. Não queremos nenhuma disputa curiosa depois de termos possuido Jesus Cristo, nenhuma inquisição depois de ter desfrutado o evangelho! Com a nossa fé, nós não desejamos mais nenhuma crença. Porque esta é a nossa explêndida fé, e não há nada além dela no que devemos acreditar.” [4]

Lactâncio (260 -330 dC) escreveu um tratado intitulado Sobre a Falsa Sabedoria dos Filósofos. Ele começou caridosamente concedendo que os homens estudam filosofia porque eles amam a verdade, e este amor pela verdade veio de Deus.

Eu também não condeno a busca daqueles que desejavam conhecer a verdade, porque Deus fez a natureza do homem mais desejosa de chegar à verdade; mas eu afirmo e mantenho isso contra eles, que o efeito não seguiu sua honesta e bem dirigida vontade, porque eles não sabiam nem o que era a verdade em si mesma, nem como, nem onde, nem com o qual mente ele deve ser procurada. E assim, enquanto eles desejam remediar os erros dos homens, tornam-se emaranhados em armadilhas e nos maiores erros. Tenho, portanto, sido levado a esta tarefa de refutar filosofia por ordem daquilo que tenho empreendido. [5]

Lactâncio admitiu que a filosofia nunca tinha sido definida como sabedoria, mas como “o amor à sabedoria”, e que os filósofos nunca tiveram a pretensão de serem sábios. [6] Mas então ele atacou filósofos como tendo nem mesmo um amor à sabedoria, porque sua busca tinha sido esterilizada.

“Mas eu não estou preparado para conceder nem mesmo que os filósofos são dedicados à busca da sabedoria, porque por essa busca não há nenhuma sabedoria alcançada. Pois se o poder de encontrar a verdade estivesse ligado a essa busca, e se essa busca fosse uma espécie de caminho para a sabedoria, ela acabaria sendo encontrada. Mas como muito tempo e talentos foram desperdiçados na busca por ela, e ela ainda não foi adquirida, é claro que não há sabedoria lá.” [7]

(NdE: Lactâncio foi um padre muito importante em vida. Foi um conselheiro de Constantino I, o primeiro imperador romano cristão. Passado algum tempo depois de sua morte, passou a ser ignorado pelos intelectuais e até mesmo pelo grande público, chegando a ser considerado um pouco herege. Autores renascentistas, em sua ânsia em arranhar a imagem do cristianismo, superestimaram a importância de autores como Lactâncio e Cosmas Indicopleustes. O que não quer dizer, obviamente, que eles sempre foram ignorados em tudo por todos, como muitos cristãos envergonhados com suas palavras insistem. O historiador Le Goff, profissional amplamente reconhecido como grande especialista na Idade Média, por exemplo, considera que os escritos de Lactâncio eram sim relevantes, como pode ser visto em Sexo, Mulheres e Homossexualidade na Idade Média.)

Na visão de Lactâncio, os filósofos sempre foram desencaminhados pelo mesmo dispositivo: a lógica dedutiva. “Pois quando eles assumiram que nada era falso no início de suas investigações, levados pela semelhança com a verdade, elas necessariamente cairam diante aquelas coisas que são suas conseqüências. Assim, eles caem diante muitas coisas ridículas.” [8]

Como um exemplo de uma “coisa ridícula” entretida pelos filósofos, Lactâncio ofereceu a idéia de que a Terra é esférica (“redondo como uma bola”). [9] Ele argumentou que tal teoria era um disparate. “Há alguém tão insensato a ponto de acreditar que há homens cujas pegadas estão acima de suas cabeças? Ou que as coisas que conosco estão em uma posição deitada, com elas estão penduradas em uma direção invertida? Que as plantações e as árvores crescem para baixo? Que as chuvas, a neve e o granizo caem para cima?” [10]

Lactâncio concluiu observando que ele poderia provar por muitos argumentos porque a terra não pode ser esférica, mas tinha coisas melhores para fazer. “Mas eu deveria ser capaz de provar por muitos argumentos que é impossível para o céu estar abaixo da Terra, se não fosse que este livro deve ser concluído, e que algumas coisas ainda permanecem, que são mais necessárias para o presente trabalho.” [11]

A hostilidade entre os teólogos e filósofos foi pelo menos parcialmente mútua. O filósofo neoplatônico Porfírio (c. 233 -304 dC), “escreveu um longo trabalho contra os cristãos”, [12] do qual apenas fragmentos sobrevivem. Porfírio também endossou implicitamente a perseguição aos cristãos, perguntando “como essas pessoas podem ser consideradas dignas de paciência?” [13]

Santo Atanásio (c. 295-373 dC) contrastou a ciência da medicina com os milagres operados por Jesus Cristo. “Asclépio foi deificado entre eles, porque praticou medicina e encontrou ervas para corpos que estavam doentes; não as encontrava fora da Terra, mas as descobria pela ciência tirada da natureza. Mas o que é isso quando comprado ao que foi feito pelo Salvador que, em vez de curar uma ferida, modificou a natureza original do homem, e restaurou a todo o corpo.” [14]

O que é revelador sobre esta citação é a oposição arbitrária entre a ciência médica e a religião. Ambos são formas de conhecer e compreender o mundo. Pode-se também supor que a espiritualidade seja promovido pelo estudo do mundo natural—não seria o universo a mente de Deus? Não, de acordo com as escrituras cristãs, Deus criou o mundo. Ele estava fora do mundo, um Ser infinitamente maior do que a Sua criação. O conhecimento de Deus só veio através da revelação de Jesus Cristo. Tudo o que restava era esperar o fim do mundo e o retorno iminente de Cristo. A revelação de Cristo foi total, completa e final. Portanto, qualquer coisa que destoava disso era má e indesejável.

S. Hilário de Poitiers (c. 315-367), advertiu que a alma não deve “permanecer e persistir em algum delírio de filosofia pagã.” [15] Era a loucura de filosofia tentar estudar o mundo com a esperança de compreendê-lo. O mundo foi feito por Deus, e portanto só poderia ser compreendido por uma inteligência infinita, não por nossos modestos intelectos. “Cuidado para que ninguém o mime por meio de filosofias e vãs fraudes … a fé inabalável rejeita as vãs sutilezas da investigação filosófica; a verdade se recusa a ser vencida por esses dispositivos traiçoeiros da loucura humana e a ser escravizada por falsidade … feitos de Deus, operados de maneira além da nossa compreensão, não podem, repito, ser compreendidos por nossas faculdades naturais, pois a obra do Infinito e Eterno só pode ser apreendida por uma inteligência infinita.” [16]

O estudo da natureza não poderia ser um caminho para a iluminação espiritual, pois o universo era uma criação de Deus, e não um reflexo de Sua natureza. O cosmos não era mais revelador do espírito de Deus do que um pote de barro era do intelecto do oleiro. Deus era maior do que a sua criação, eterno, infinito e desconhecido, exceto por revelação. São Basílio (c. 330-379) condenou a identificação do universo material com Deus.

Para que servem então a geometria—cálculos de aritmética—o estudo de sólidos e a famosa astronomia, esta vaidade trabalhosa, se aqueles que os perseguem imaginam que neste mundo visível é co-eterno com o Criador de todas as coisas, com Deus si mesmo; se eles atribuem a este mundo limitado, que tem um corpo material, a mesma glória dada à natureza incompreensível e invisível; se eles não podem conceber que um todo, cujas partes estão sujeitas à corrupção e à mudança, deve necessariamente e por si só submeter-se ao destino de suas partes? Mas eles se tornaram “vãos em sua imaginação e seus corações insensatos se obscureceram. Declarando a si mesmos como sendo sábios, tornaram-se tolos.” [17]

São Basílio concluiu que a fé é preferível à razão, porque os filósofos todos refutaram uns aos outros e a filosofia natural explicou satisfatoriamente qualquer fenômeno natural. “Em todos os eventos vamos preferir a simplicidade da fé às demonstrações da razão … a mente mais penetrante não pode alcançar o conhecimento nem do menor dos fenômenos do mundo, seja para dar uma explicação adequada dele seja para prestar o devido louvor ao Criador, a quem pertence toda a glória, toda a honra e todo o mundo o poder sem fim. Amém.” [18]

Santo Ambrósio (c. 339-397 dC) condenou as mais antigas e respeitadas das ciências, astronomia e geometria. “O que mostra tanta escuridão como discutir assuntos relacionados com a geometria e astronomia (que eles [os filósofos] aprovam), medir as profundezas do espaço, confinar o céu e a terra aos limites de números fixos, deixar de lado as bases da salvação e procurar o erro? Moisés, conhecido como era em toda a sabedoria dos egípcios, não aprovou essas coisas, mas achou tal tipo de sabedoria prejudicial e tola.” [19]

Cirilo e Hipátia

Haviam estudiosos cristãos que defendiam uma abordagem mais liberal para a filosofia grega, mas durante os primeiros séculos da era cristã, eles eram a minoria. O historiador da Igreja, Sócrates Escolástico (NdE: ou Sócrates de Constantinopla) (c. 380-445 dC), defendeu o estudo da literatura grega. Ele tinha três argumentos. Primeiro, ele salientou que Cristo e seus apóstolos nunca condenaram diretamente tal estudo. “A literatura grega certamente nunca foi reconhecida por Cristo ou por seus apóstolos como divinamente inspirada e nem, por outro lado, era totalmente rejeitada como perniciosa … portanto, ao não proibir o estudo das obras eruditas dos gregos, eles deixaram isso a critério de quem quisesse fazê-lo.” [20]

O segundo argumento de Sócrates era que as Escrituras não eram por si só suficientes, porque não instruiam na arte de argumentar que era necessária para derrotar os argumentos dos pagãos. “As Escrituras divinamente inspiradas sem dúvida introduzem doutrinas que são admiráveis em si mesmas, e celestiais em seu caráter: elas também eminentemente tendem a produzir piedade e integridade de vida naqueles que são guiados por seus preceitos, apontando para uma caminhada de fé que é altamente aprovada por Deus. Mas elas não nos instruem na arte de argumentar, por meio da qual nós podemos resistir àqueles que se opõem à verdade com sucesso.” [21]

O terceiro argumento é que era necessário compreender a filosofia pagã, a fim de ser capaz de a derrotar.

Os adversários são mais facilmente derrotados quando podemos usar suas próprias armas contra eles…. Mas isto nós não podemos fazer, a não ser que nós tenhamos nós mesmos as armas dos nossos adversários: tomando cuidado que ao fazer tal aquisição nós não adotemos seus sentimentos, mas que os testemos, rejeitemos o mal, mas mantenhamos tudo o que é bom e verdadeiro: pois o bem onde quer que seja encontrado, é uma propriedade da verdade. Deve-se lembrar que o Apóstolo [Paulo] não só não nos proíbe de sermos instruídos na aprendizagem grega, mas que ele mesmo parece não ter a negligenciado, na medida em que ele sabe muitos dos ditos dos gregos. [22]

A Morte de Sócrates – Jacques-Louis David (1748 – 1825)
De 1787 – Óleo sobre tela (129,5 cm × 196,2 cm)

Em última análise, as vozes mais liberais prevaleceram. A Igreja Cristã eventualmente adotou e subjugou a filosofia grega, especialmente a lógica aristotélica. O caminho foi prHipátiaeparado pelo mais influente dos Padres da Igreja, Agostinho de Hipona (354-430). Agostinho argumentou que que os métodos dos filósofos devem ser inscritos na causa da teologia quando for útil o fazer, e quando não houver conflito com a doutrina. [23]

Mas no século V dC, as idéias de Cirilo de Alexandria (375-444 dC) foram mais de acordo com o teor dos tempos. Cirilo “apresenta-nos um homem fazendo da teologia e da ortodoxia os instrumentos de suas paixões …. [Ele] fornece uma prova impressionante de que a ortodoxia e a piedade são duas coisas completamente diferentes.” [24] Cirilo foi severo e implacável em sua perseguição aos hereges e descrentes. Ele tornou-se bispo de Alexandria no ano 412, e “ultrapassou Teófilo [seu antecessor] em arrogância e violência.” [25]

Cirilo fechou as igrejas do Novacianos, uma seita que considerou ser herética, e confiscou suas propriedades. Embora os judeus tenham sido uma parte considerável da comunidade de Alexandria desde que a cidade foi fundada em 332 aC, Cirilo atacou as sinagogas judaicas com vigor e levou 40 mil judeus para fora da cidade, deixando suas casas e propriedades para serem pilhados. [26] “Sem qualquer sentença judicial, sem qualquer mandato real, o patriarca, ao amanhecer do dia, levou uma multidão sediciosa ao ataque das sinagogas.” [27]

O fanatismo de Cirilo ofendeu o prefeito romano, Orestes, mas ele pouco podia fazer para controlar a situação. O poder em Alexandria foi dividido ao meio entre as autoridades seculares e religiosas com nenhum partido capaz de se sobressair. O patriarcado cristão de Alexandria “gradualmente usurpou o estado e a autoridade de um magistrado civil.” [28]

As tensões cresceram entre as autoridades religiosas e civis em Alexandria. Um dia, o governador, Orestes, foi confrontado por uma multidão enfurecida de 500 monges que haviam “decidido a lutar em nome de Cirilo.” [29] Orestes “exclamou que ele era um cristão, e que tinha sido batizado … [Mas os monges] deram pouca atenção a seus protestos, e um certo Amônio jogou uma pedra em Orestes que atingiu sua cabeça, e cobriu-o com o sangue que escorreu do ferimento.” [30]

Os guardas volúveis de Orestes o abandonaram, mas “o povo de Alexandria correu para o resgate do governador, e colocou o resto dos monges em fuga; mas se certificaram de entregar Amônio para o prefeito. Ele imediatamente o submeteu [Amônio] publicamente à tortura, que foi infligida com tal gravidade que ele morreu sob seus efeitos.” [31] Protegendo o corpo do monge morto, Cirilo declarou Amônio como um mártir da Igreja. [32]

Incapaz de atacar a autoridade civil diretamente, os seguidores de Cirilo procuram à sua volta por alguém para culpar. Eles acharam um bode expiatório na filósofa feminina, Hipátia (370-415 dC). “Foi relatado caluniosamente entre a população cristã que foi ela quem impediu Orestes de se reconciliar com o bispo [Cirilo].” [33]

Sócrates Escolástico descreveu Hipátia como uma “filha do filósofo Theon, que fez realizações na literatura e na ciência, a ponto de superam todos os filósofos de seu tempo.” [34] A estimativa de Escolástico das realizações de Hipátia deve ser interpretada com cuidado à luz do fato de que “as filósofas do sexo feminino eram uma raridade comparativa na antiguidade e eram considerados um fenômeno maravilhoso.” [35]

Um grupo de cristãos fanáticos decidiu sequestrar e assassinar Hipátia. “Alguns deles, portanto, sairam correndo com um fanatismo feroz e intolerante, cujo líder era um leitor chamado Pedro, assaltaram ela [Hypatia] enquanto voltava para casa, e arrastando-a de seu carro, a levaram para a igreja chamada Caesareum, onde eles a despiram completamente, e depois a mataram [rasparam sua carne com pedaços afiados de conchas de ostras].” [36]

“Depois de rasgar seu corpo [o de Hipátia] em pedaços, eles levaram seus membros mutilados a um lugar chamado Cinaron e ali os queimaram.” [37] A Igreja Cristã reagiu canonizando Cirilo. Por algum tempo desde então, as vozes mais moderadas e liberais ficaram na caixa de lixo da história.

(NdE: Existe uma certa controvérsia sobre as reais intenções de Cirilo em querer assassinar Hipátia. Muitos argumentam que foi um ato meramente político e que não tinha nada de religioso ou de machista nas motivações de Cirilo e seguidores. Tudo bem. Mas atos políticos possuem um significado e o significado desse ato era claro: o de que as vozes liberais, moderadas e seculares deveriam se calar. Ela foi escolhida como bode expiatório porque sua morte tinha um significado religioso e machista para o povo, senão não seria escolhida. Não vejo como essa pseudo-controvérsia pode ter alguma relevância.)

 Notas e Referências:

  1. Irenaeus, 1903, Against Heresies, Book 1, Chapter 26, Paragraph 1, in The Ante-Nicene Fathers, vol. 1, The Apostilic Fathers with Justin Martyr and Irenaeus, edited by Alexander Roberts and James Donaldson. Charles Scribner’s Sons, New York, p. 347.
  2. Tertullian, 1870, De Anima (On the Soul), Chapter 3, in Anti-Nicene Christian Library, vol. 15, The Writings of Tertullian, vol. 2, edited by Alexander Roberts and James Donaldson. T. & T. Clark, Edinburgh, p. 416–417.
  3. Ibid., p. 417.
  4. Tertullian, 1870, On Prescription Against Heretics, Chapter 7, in Anti-Nicene Christian Library, edited by Alexander Roberts and James Donaldson, vol. 15, The Writings of Tertullian, vol. 2. T. & T. Clark, Edinburgh, p. 9–10.
  5. Lactantius, 1871, The Divine Institutes, Book 3, Of the False Wisdom of the Philosophers, Chapter 1, in Ante-Nicene Christian Library, vol. 21, The Works of Lactantius, vol. 1, edited by Alexander Roberts and James Donaldson. T. & T. Clark, Edinburgh, p. 139.
  6. Ibid., Chapter 2, p. 141.
  7. Ibid.
  8. Ibid., Chapter 24, p. 196.
  9. Ibid., p. 196–197.
  10. Ibid., p. 196.
  11. Ibid., p. 197.
  12. Schaff, P., 1884, History of the Christian Church, Revised Edition, Ante-Nicene Christianity, A.D. 100–325. T. & T. Clark, Edinburgh, p. 101.
  13. Digeser, E. D., 1998, Lactantius, Porphyry, and the Debate Over Religious Toleration. Journal of Roman Studies, vol. 88, p. 129.
  14. St. Athanasius, 1892, On the Incarnation of the Word, Chapter 49, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, vol. 4, St. Athanasius, Select Works and Letters, edited by Philip Schaff and Henry Wace. The Christian Literature Society, New York, p. 63.
  15. St. Hilary, 1902, On the Trinity, Book I, Paragraph 13, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, vol. 9, edited by Philip Schaff and Henry Wace. Charles Scribner’s Sons, New York, p. 43.
  16. Ibid., p. 43–44.
  17. St. Basil, 1895, The Hexaemeron, Homily 1, Paragraph 3, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, vol. 8, St. Basil. Letters and Select Works, edited by Philip Schaff and Henry Wace. The Christian Literature Company, New York, p. 53–54.
  18. Ibid., Homily 1, Paragraphs 10, 11, p. 57–58.
  19. St. Ambrose, 1896, Duties of the Clergy, Book I, Chapter 26, Paragraphs 122–123, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, Second Series, vol. 10, St. Ambrose Select Works and Letters, edited by Philip Schaff and Henry Wace. The Christian Literature Company, New York, p. 21.
  20. Socrates Scholasticus, 1890, Ecclesiastical History, Book 3, Chapter 16, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, vol. 2, edited by Philip Schaff and Henry Wace. The Christian Literature Company, New York, p. 87.
  21. Ibid.
  22. Ibid., p. 87–88.
  23. St. Augustine, 1887, On Christian Doctrine, Book 2, Chapter 40, Paragraph 60, translated by J. F. Shaw, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, vol. 2, St. Augustine’s City of God and Christian Doctrine, edited by Philip Schaff. Charles Scribner’s Sons, New York, p. 554.
  24. Schaff, P., 1884, History of the Christian Church, vol. 3, Nicene and Post-Nicene Christianity A.D. 311–600. Charles Schribner’s Sons, New York, p. 942, 944.
  25. Ibid., p. 942.
  26. Ibid., p. 942–943.
  27. Gibbon, E., 1911, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, Chapter 47, edited by J. B. Bury, vol. 5. Methuen & Co., London, p. 116.
  28. Ibid., p. 115.
  29. Socrates Scholasticus, 1890, Ecclesiastical History, Book 7, Chapter 14, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, vol. 2, edited by Philip Schaff and Henry Wace. The Christian Literature Company, New York, p. 160.
  30. Ibid.
  31. Ibid.
  32. Ibid.
  33. Ibid., Book 7, Chapter 15, p. 160.
  34. Ibid.
  35. Rist, J. M., 1965, Hypatia. Phoenix, no. 3., vol. 19, p.
  36. Socrates Scholasticus, 1890, Ecclesiastical History, Book 7, Chapter 15, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, vol. 2, edited by Philip Schaff and Henry Wace. The Christian Literature Company, New York, p. 160.
  37. Ibid.
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