Pseudociência: Darwinismo Social

Começo hoje dizendo algo importante sobre o que penso: os conservadores radicais do tipo cristãos-libertários são um verdadeiro atraso para a política da nossa sociedade. Tanto quanto a esquerda moderna.  Dois xixis de gato.

Eu não me importaria muito com esses conservadores radicais caso não se baseassem especialmente em preceitos cristãos. Salvo raras exceções de teor mais do que duvidoso, todos eles sonham com o dia em que o Brasil será governado pelos justos. Quais justos? Ora, eles mesmos! Eles, que são guiados pelo único deus que existe e que é o mais forte dentre todos os outros. Mas não é nem por isso que estou escrevendo esse post. É que pra lascar de vez, tem uma turminha por aí que andou defendendo ideias próximas ao Darwinismo Social, que, vejam, bem, é uma pseudociência. Aí não pode! Aí não dá!

Para quem não sabe, pseudociência é usar os jargões de uma teoria científica bem estabelecida para inventar uma “nova teoria científica” baseada simplesmente nestes jargões. Essas novas teorias não são corroboradas por testes ou por cálculos matemáticos, sendo meramente o produto do uso de jargões técnicos (nem sempre empregados corretamente) dispersos no meio de uma massa grossa e indigesta de retórica. Nada mais, nada menos. Quem quiser pode ver um artigo meu mais antigo com alguns exemplos: Pseudociência, que isso?

Vejamos dois casos da pseudociência dessa galera. O primeiro se trata do uso de evidências implicitamente baseadas em psicologia para tentar refutar um livro de Pinker, e o segundo é o desmascaramento do uso do Darwinismo Social para apoiar o Liberalismo Econômico. Have fun, my friends!

Caso 1: O (nem tão) Misterioso Poder do Big Brother

O escritor Steven Pinker defende a ideia de que a humanidade é cada vez menos imoral. Uma tese interessante e pelo pouco que já li dela e pela ampla crítica positiva, criei uma imagem bastante positiva de seu trabalho. Não que eu ponha minha mão no fogo por ele, pelo contrário. Mas nessa de não botar a mão no fogo, resolvi ler a refurtação brilhante do Luciano Henrique à tese dele e o que encontrei foi… pseudociência da braba! Lógico que a imbecilidade da refurtação do LH não é um caso a favor de Pinker, mas trago aqui só para queimar o filme do refurtador mesmo 😛

Vejamos o que Luciano Henrique diz sobre o assunto:

“Em resumo, Pinker explica 6 tendências, que levariam à uma diminuição da violência: […]

6. Finalmente o crescimento da paz e sociedades domésticas, e com ela o nível cada vez menor de violência através de pequenas coisas como lutas escolares, bullying e apoio a gays e minorias (Revolução dos Direitos).

O [sexto] processo fala da criação da paz e sociedades domésticas, com seu nível diminuído de violência. Ele cita pequenos itens como brigas escolares, bullying e direitos das minorias e gays. Segundo ele, este processo se chama Revolução dos Direitos. Mas, novamente, ele falha. Gays eram tratados como elite da sociedade na Antiga Grécia. As “minorias” somente adquiriram maiores direitos por causa da pressão econômica, mas no passado algumas “minorias” eram muitíssimo bem tratadas. Como exemplo, as mulheres, em sociedades matriarcais, eram tratadas como deusas da sociedade. A questão do bullying ser condenado hoje em dia também não comprova uma maior “bondade” do ser humano, mas sim a maior presença de câmeras, que facilitam a idenficação do agressor. No máximo, temos uma revolução tecnológica, mas não moral.

Bem, como as câmeras indenficam (sic!!!) os agressores, eles deixam de agredir. Logo, eles não são considerados mais morais, apenas mais prudentes. Ok. Mas isso parte do pressuposto de que o risco de ser pego é determinante no processo de tomada de decisão que precede a escolha entre ser moral ou ser imoral. E isso é uma hipótese, naturalmente, e cabe à psicologia investigá-la. Agora vem a pergunta valendo o automóvel: o Luciano procurou ou não saber se houveram as tais das investigações e o que eles concluíram?

Se você respondeu que sim, você….. ERROU!!!

FOOOOOOOOM!!

Lógico que não, alguém acha que ele vai se dar ao trabalho? Os babacas que leem ele acreditam em tudo que ele diz mesmo. A verdade é o seguinte: em primeiro lugar, nosso cérebro é uma verdadeira máquina de racionalizar. O maior problema da moralidade não é a ação imoral deliberada, mas a ação imoral que fazemos achando (leia: nos enganando) que é moral.

Pegamos uma caneta no serviço porque, oras, que mal há nisso? Um vez eu comprei uma caneta na papelaria com meu dinheiro e a usei no serviço mesmo. E aqueles dois caras se agarrando na rua? Pecadores exibicionistas! Fazendo coisas que deveriam fazer só entre quatro paredes na frente de crianças? Mereceram apanhar mesmo! E quando falei pra minha namorada que precisava trabalhar durante a noite mas na verdade fui beber sem ela? Ah, coisa à toa. Se eu chamasse, ela não iria mesmo, então melhor inventar uma história para não deixá-la chateada. Leon Festinger fez amplos estudos sobre o assunto, e hoje em dia isso é lugar comum na psicologia. A teoria da Dissonância Cognitiva descreve um viés cognitivo que nos faz crer que nossas ações imorais são morais. A grande maioria dos nossos atos imorais só ocorrem porque os vemos como morais e perceber isso é um passo precioso rumo a uma moralização consciente e independente de regras automáticas.

Em segundo lugar, a possibilidade de ser pego não é um freio moral bem menos potente do que está convencionado. Mas como assim??? Não é, desculpem-me, mas é a verdade, não é. Vejamos um experimento em psicologia que mostra isso de maneira clara. Dan Ariely, em seu livro “Previsivelmente Racional”, nos conta ele no capítulo 11, páginas 161 a 164 da edição brasileira da editora Campus.

Ariely, um economista comportamental com uma perna inteira na psicologia, fez um experimento no MIT. Mais especificamente no seu curso de MBA, onde está sendo formada a nata em termos de administração e gestão dos EUA. Ele juntou uma enorme turma e a dividiu em quatro grupos. Todos os grupos responderam à mesma prova, achando que se tratava meramente de conhecimentos gerais. As questões eram do tipo “Qual o rio mais longo do mundo?” ou “Quem é o autor de Moby Dick?” e eram de múltipla escolha. Para cada questão certa, o participante ganhava $0,10. O que diferia os grupos não era a prova ou a premiação, mas as regras da correção.

Grupo 01: O aluno recebia uma folha de respostas na qual marcava suas respostas. Provas corrigidas por um fiscal. Ele contava as certas e entregava a grana.

Grupo 02: Autocorreção. O aluno recebia uma folha de respostas pré-marcada, ou seja, as questões certas (a, b, c ou d) estavam preenchidas de cinza. O aluno que achou que o maior rio do mundo era o Amazonas, ao preencher a folha de respostas, pode ter pensado: “Hum, é mesmo! É o Rio Nilo!” e mudado a resposta. Ele entregava então a planilha com as respostas originais e a folha de respostas definitiva pré-marcada para o fiscal que contava as certas e dava o dindin.

Grupo 03: Autocorreção + Rasgar. No grupo anterior, o aluno sabia que poderia ser pego caso vissem que as respostas da planilha e do definitivo divergiam. Então os alunos do grupo 03 foram orientados a rasgar sua planilha original, o que evapora a chance de serem pegos.

Grupo 04: Autocorreção + Rasgar + Jarro de Moedas. Agora o aluno passa as respostas para a folha de respostas definitiva pré-marcada, rasga a planilha com as respostas originais, conta quantas acertou, vai até o jarro e pega uma moeda de $0,10 por cada acerto. Quem seria louco de não trapacear?

Os resultados foram frios como uma lâmina. O primeiro grupo acertou uma média de 65% das questões. Esse é o grupo de controle e a partir dele sabe-se o quanto outro grupo trapaceou. A surpresa foi a taxa de acerto dos outros três grupos: TODOS eles tiveram média de 72%. Mas ué… o Luciano não falou que quem está sendo vigiado é mais propenso a seguir regras? Bobo de quem acredita nele… Na verdade, o risco de ser pego é parcialmente ignorado.

Mais interessante ainda é que ninguém acertou 100%. Ha!! Eles poderiam ter “acertado” todas, mas em média roubaram só umas 3,5 questões. Por quê? Porque é mais fácil justificar um roubo pequeno do que um grande no número de questões. O que ditou as regras na hora de roubar não foi a vigilância, “que se foda!”, mas sim a capacidade de fazer parecer o delito soar moral para si mesmo. “Eu sabia que o maior rio do mundo era o Nilo, marquei Amazonas porque estava distraído!”

Por curiosidade, esse teste foi refeito três vezes com algumas modificações. Quando pedido que os alunos escrevessem os mandamentos do Antigo Testamento que conseguiam se lembrar antes de fazer um teste de matemática, a média foi igual em todos os grupos. Poder de Deus? Refizeram mais uma vez, mas pedindo para os alunos assinarem um termo em que se declaravam cientes do Código de Honra do MIT e que prometiam segui-lo com rigor durante os testes. Resultado, média igual em todos os grupos também. E olha que o MIT sequer tem um Código de Honra :S

Por fim, mudaram a premiação. Ao invés dos alunos ganharem dinheiro em moedas, ganhavam fichas que podiam ser trocadas por moedas na saída, em uma mesa há cinco metros de onde recebiam a ficha. Desta vez, como era outra prova, a média do grupo de controle era 17,5% de acertos. A média do grupo que rasgava a folha mas recebia dinheiro  vivo era 31% (quase o dobro!). E a média do grupo que recebia fichas e trocava por dinheiro foi… 47% (quase o triplo!) Alguns alunos fizeram algo inédito em todos os experimentos até então: acertaram 100% (algo improvável de acontecer honestamente já que ninguém errou só uma ou só duas questões, como era de se esperar caso os sabichões tenham sido honestos.)

Conclusão: somos imorais porque achamos que estamos agindo moralmente. Quando temos a oportunidade de agir de maneira imoral, não pensamos primeiro se seremos pegos, mas se podemos racionalizar. E quanto mais longe a imoralidade está de bens tangíveis como dinheiro, mais fácil a racionalização. Roubar fichas é “menos imoral” do que roubar moedas! É lógico que a chance de ser pego entra no custo-benefício de alguma forma, mas até onde? Talvez possa inibir comportamentos nas proximidades de câmeras, mas longe delas é outa história. Além disso, as câmeras cobrem áreas relativamente pequenas frente às não monitoradas. E mais ainda, a grande maioria dos atos imorais são imunes a câmeras. O bullying pode ser praticado sem porrada, só com ofensas verbais. E o dinheiro pode ser roubado no banheiro da escola. Não faz sentido dizer que temos a falsa impressão de que nos tornamos menos imorais por causa das câmeras, é pura pseudociência do Luciano Henrique!

Caso 02: Darwinismo Social, a Pseudociência de Hitler

Os reacionários de hoje são fãs de carteirinha do Darwinismo Social. De alguma maneira torta, essa verdade nua e crua, extremamente fria e indiferente aos sentimentos, que é a evolução é a justificativa perfeita para o Liberalismo Econômico. Sei lá, parece que eles dizem que certas pessoas merecem mais porque adquiriram capacidades evolutivas melhores e que a intervenção do governo só faz com que não desfrutem do máximo que a natureza os deu. Ou algo parecido. Não me peçam para estudar a fundo as baboseiras que eles inventam.

Só sei que eles acham que estão sendo super realistas e pessimistas. Chega a parecer profundo o tom usado por eles. O Luciano Henrique é uma caso (de novo, pra variar). Ele inclusive adora falar que é a verdade nua e crua… talvez esteja vendo Faustão demais. Mas ele é só um sintoma, pois retira essas ideias de outros reacionários. Ele costuma divulgar de vez em quando algumas fontes que apoiam isso. Mas será que eles estão certos? Vou provar que não, que na verdade é tudo um embuste pseudocientífico que usa jargão técnico da biologia para sustentar teses econômicas.

A grande prova contra a ideia é que o darwinismo (ou o evolucionismo) é uma teoria da biologia que independe de qualquer consciência ou mesmo de qualquer tipo de mente, muito menos de qualquer sociedade. Ele se aplica à mudanças biológicas tanto em macacos quanto em bactérias e plantas. Dizer que esse tipo de teoria modela ambientes sociais e econômicos é puro charlatanismo. Analogias para facilitar explicações são sempre bem vindas, mas dizer que aquilo que serve na biologia serve em meios onde existem relações sociais, hábitos culturais e economias desenvolvidas é como dizer que as Leis de Newton podem ser usadas para modelar constituições, já que é tudo lei mesmo. Daaan, mas é.

Este é, com certeza, o maior erro do Darwinismo Social. Para entender como ele surgiu, vamos visitar a história do termo com o Tio Fomon! (Ebaaa!) Então senta no meu colo que lá vem história. O termo ganha força com Richard Hofstadter em seu livro Social Darwinism in American Thought, 1860 – 1915 (SDAT) de 1944. Nesse livro, Hofstadter defendia a reforma econômica sobre mercados livres e condenou o uso da biologia na ciência social. Ele fornece uma série de argumentos que condenam o uso de teorias biológicas para suportar estados laissez-faire e mostra uma série de exemplos entre 1860 e 1915 de pensadores que defenderam tal ideia. O mais notável dos Darwnistas Sociais adeptos do laissez-faire é William Graham Sumner, criticado por Hofstadter. O inglês Herbert Spencer também defendia o laissez-faire, mas não se militava a isso. Também defendia um Darwinismo Social que mais se aproximava do que poderíamos chamar de Eugenismo, motivo pelo qual acabou sendo em partes demonizado. Outros que seguiam o DS Eugenista eram Thomas Malthus e Francis Galton. Além do próprio Hofstadter, por mais irônico que seja! Ele era contra o DS laissez-faire mas apoiava o DS Eugenista… vai entender.

Na verdade, a ideia do DS (ambas denotações), vem lá do século XIX, quando foi cunhada e desenvolvida na Itália e na França, mas o termo só foi popularizado no meio do século XX. De lá para cá, já foi mostrado repetidas vezes que é conversa fiada. Não existem artigos em periódicos científicos o defendendo. Darwinistas Sociais têm que publicar seus arrombos pseudocientíficos em livros comerciais porque revistas científicas não os aprovam. O que se vê é uma infinidade de artigos científicos os demolindo, todos partindo da ideia de que biologia não modela sociedades e culturas. De cara, cito cinco artigos científicos explicando a origem do termo e mostrando seus erros:

LEONARD, T.C., Origins of the myth of social Darwinism: The ambiguous legacy of Richard Hofstadter’s Social Darwinism in American Thought, Journal of Economic Behavior & Organization, Volume 71 (2009), Pages 37–51

BECQUEMONT, D., Social Darwinism: from reality to myth and from myth to reality, Studies in History and Philosophy of Science Part C: Studies in History and Philosophy of Biological and Biomedical Sciences, Volume 42, Issue 1, March 2011, Pages 12-19

BANNISTER, R.C., Evolutionism, Including Social Darwinism, International Encyclopedia of the Social & Behavioral Sciences, 2001, Pages 5033-5038

GHISELIN, M. T., Darwin and the evolutionary foundations of society, Journal of Economic Behavior & Organization, Volume 71, Issue 1, July 2009, Pages 4-9

WEIKART, R., Was Darwin or Spencer the father of laissez-faire social Darwinism?, Journal of Economic Behavior & Organization, Volume 71, Issue 1, July 2009, Pages 20-28

Só pelo nome dos dois primeiros já vemos o tamanho das pauladas. Mas nome não é argumento, então sintam-se livres para explorar a fundo as objeções ao Darwinismo Social laissez-faire antes de vir chorar que é uma teoria sócio-econômica plausível. Destaque para o último aqui, de Weikart. Ele alega que Darwinismo Social, tal como defendido por Darwin, se referia meramente à observação do naturalista de que interações sócio-econômicas fazem parte do meio biológico, tendo seu papel na evolução das espécies, em especial a humana. Ou seja, ele diz que a teoria sócio-econômica auxilia as explicações biológicas, não que a teoria sócio-econômica é explicada pela biologia. O Spencer sobre o qual ele fala é o mesmo Hebert Spencer de antes, conhecido como o vilão que acreditava que humanos fracos e inferiores deveriam ser eliminados pelo processo de seleção natural. Nesse ponto, Darwin e Spencer meio que concordavam, apesar de que Darwin não foi Darwinista Social no sentido de defensor do laissez-faire como Spencer, não sendo assim um Darwinista Social pró-Liberalismo. Tal filosofia é a que foi exposta e refutada por Hofstadter em 1944 e que continua sendo exposta sob diferentes máscaras até hoje em dia.

Em conclusão, o Darwinismo aplicado à Economia é uma ideia mais do que refutada e ultrapassada, mas que ganha o status de verdade nua e crua a cada nova roupagem que recebe em livros obscurantistas publicados para reacionários frustrados poderem chorar suas pitangas. É pseudocientífico à medida que aplica jargões técnicos permeados de retórica para tentar estabelecer uma hipótese que nunca foi comprovada em testes científicos rigorosos. Tal ideia é usada por conservadores-reacionários como Olavo de Carvalho para justificar o Liberalismo laissez-faire ingênuo, que só pode dar certo se partimos do pressuposto de que somos seres completamente autônomos, propensos à racionalidade e à honestidade (ver meu artigo As relações inter-excludentes entre Conservadorismo e Liberalismo Econômico).

Observação: a wikipedia tem um verbete interessante sobre o tema. Social Darwinism

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6 opiniões sobre “Pseudociência: Darwinismo Social”

  1. Me responda uma coisa Marcus, você acredita que o Bullying realmente diminiuiu nesses anos?

    Eu poderia dizer que os casos de Bullyng aumentaram mas isso não provaria nada ja que houve um tempo em que a maior parte dos casos de Bullyng não chegaram ao grande publico logo fica dificil dizer.

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  2. Um exemplo mais recente (ou mais ruidoso) da pseudociência reacionária, é a rotulagem dos estudos de gênero como “ideologia de gênero”. Oras bolas, se existe alguma ideologia de gênero, pelo menos no sentido de «visão mentirosa da realidade que se destina a justificar um esquema de dominação», então tal ideologia é justamente aquela que já está embutida no ideário-comum de todas as culturas conhecidas, em todas as épocas, e em todos os lugares habitados na superfície dêste planêta. Estabelecer uma teoria realista do fato psico-social dos gêneros sexuais na espécie humana não é ideologia, é buscar o conhecimento necessário para se alterar uma realidade onde parte da população mundial é destinada a ter um papel inferior e outras partes são destinadas a ter um espaço nulo dentro da sociedade ‘falocêntrica’.

    O grande cavalo-de-batalha dos inimigos da suposta “ideologia de gênero” é a versão 2.0 do velho dizer «a anatomia é o destino», ou seja, agora temos «o cariótipo é o destino». Traduzindo, se nasceu com células XX, TEM QUE ser mulher, gostar de homens e ser cheia de frescuras, e se nasceu com células XY, TEM QUE ser homem, gostar de mulheres, e encenar um papel ridículo 24 horas por dia. Os papagaios de repetição não estudaram Embriologia, portanto ignoram que a determinação do tipo de órgãos sexuais depende também não-apenas da produção de certos hormônios na ocasião certa, mas também de que os tecidos-alvo dêsses hormônios respondam de maneira ‘adequada’ à influência das tais substâncias — o que nem sempre acontece. Os papagaios também fecham os olhos para o óbvio, isto é, que os dois sexos nada mais são do que o resultado da CORRUPÇÃO de um modêlo originalmente hermafrodita, ou andrógino. Apesar de acreditarem no assim-chamado Design Inteligente [o qual eu prefiro chamar de Design Biológico], não possuem inteligência suficiente para perceber que a dioicia e o dimorfismo sexual são características absolutamente desnecessárias e sem-sentido, configurando claramente uma falha-de-projeto intencional por parte do criador da humanidade [criador êste que êles insistem que é o infalível YHWH, é claro]. Como não possuem noções de Engenharia, os papagaios também não sabem que um mecanismo de separação dos sexos que depende da intermediação de hormônios para ter sucesso completo, só pode ser classificado como *gambiarra*.

    Se por um improvável acaso, já dispuséssemos de tecnologia capaz de transformar todas as células de uma mulher transsexual, nascida como um indivíduo XY, em células XX, será que os conservinhas finalmente iriam aceitar a pessoa assim transformada como uma “mulher de verdade”? É claro que a resposta é *NÃO*, porque tal transformação ‘não foi obra de Deus’. Argumento mais “sientêfeko” do que êste, impossível.

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