Um Código para a Conduta Intelectual – Parte 10: O Princípio da Suficiência

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Título Original: Attacking Faulty Reasoning: A Practical Guide to Fallacy-Free Arguments Autor: T. Edward Damer Tradução:  Suriani
Publicação: Wadsworth Publishing; 6ª ed.

O PRINCÍPIO DA SUFICIÊNCIA

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Aquele que apresenta um argumento a favor ou contra uma posição deve tentar fornecer motivos relevantes e aceitáveis do tipo certo que, juntos, são suficientes em número e peso para justificar a aceitação da conclusão.

Mesmo tendo examinado um argumento estruturalmente sólido para a relevância e aceitabilidade de suas premissas, ainda há muito trabalho a fazer. Premissas relevantes e aceitáveis não necessariamente compõem um bom argumento. Um argumento também deve atender às exigências do quarto critério de um bom argumento—o Princípio da Suficiência. Deve haver um número suficiente de premissas relevantes e aceitáveis do tipo e peso apropriados afim de que um argumento seja bom o bastante para aceitarmos sua conclusão.

Este é talvez o princípio mais difícil de se aplicar porque não temos diretrizes claras para nos ajudar a determinar o que constitui motivo suficiente para a verdade ou mérito de uma conclusão. Contextos mais argumentativos são diferentes e, assim, podem criar demandas de suficiência diferentes. Por exemplo, motivos suficientes para votar em um dos vários candidatos a cargos políticos são muito diferentes daqueles para comprar em vez de alugar um carro.

O recurso do princípio da suficiência mais difícil de se aplicar é a atribuição de peso a cada evidência de suporte. Na verdade, o desacordo sobre esta questão provavelmente é a maior causa de problemas em discussões informais. O que um participante considera como a mais importante evidência, outro pode considerar como trivial em comparação com outras possíveis evidências. Não é provável que alcancemos o fechamento de uma disputa enquanto não chegarmos a algum tipo de acordo sobre o peso relativo para dar aos tipos de prova relevantes e aceitáveis utilizadas em apoio a uma conclusão.

Algumas ciências desenvolveram critérios de suficiência. Estatísticos, por exemplo, determinaram o que constitui uma amostra adequada da qual se pode tirar conclusões defensáveis. Mas, em uma conversa informal, geralmente é muito difícil determinar se houveram provas suficientes ou evidências do tipo apropriado. O único conforto que podemos oferecer nesta situação é sugerir que quanto mais experiência temos em avaliar argumentos, mais provável adquirirmos uma noção do que constitui evidência suficiente em um contexto particular. As crianças pequenas pensam que uma razão suficiente para conceder o seu desejo é que elas desejam que ele seja concedido. Mas podemos supor que a maioria dos pais e alunos universitários são experientes o bastante para saber que tal argumento não é razão suficiente para dar às crianças tudo o que desejam. A experiência nos ensina que certos tipos de evidência nos fornece motivos suficientes para tirar algumas conclusões. Por exemplo, uma pessoa que tem experiência em compra de imóveis sem dúvidas aprendeu o bastante sobre compra de terrenos e edifícios para saber qual evidência seria suficiente para convencê-la de que uma aquisição seria um bom investimento.

Argumentos podem falhar em satisfazer o princípio suficiência de muitas maneiras específicas. Por exemplo, as premissas podem fornecer provas baseadas em uma amostra muito pequena ou em dados que não são representativos. A prova pode ser simplesmente anedótica, isto é, totalmente baseada na experiência pessoal do argumentador ou na de algumas pessoas de seu conhecimento. A evidência também pode se basear numa análise causal equivocada de uma situação. Talvez a forma mais comum de violar este princípio é encontrada nos argumentos em que a evidência crucial está simplesmente ausente no argumento.

(NdE: Como já adiantado anteriormente, a evidência anedota não falha no princípio de aceitabilidade, mas no de suficiência. Um caso específico baseado meramente numa experiência pessoal duvidosa não é suficiente para que se estabeleça alegações fortes.)

Deve-se fazer várias perguntas ao aplicar o teste de suficiência para um argumento particular. Primeiro, as razões que estão sendo dadas, mesmo se forem relevantes e aceitáveis, são suficientes para conduzir à conclusão proposta pelo argumentador? Segundo, a evidência apresentada falha por algum tipo de análise causal defeituosa? Finalmente, existem evidências-chave ou cruciais simplesmente ausentes no argumento e que devem ser incluídas como premissas para que se possa aceitar sua conclusão?

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