Ressurreição de Jesus: Uma Conclusão

Quando criei este blog, um dos meus objetivos era explorar profundamente alguns dos temas mais importantes nos debates entre ateus e religiosos (mais especificamente os apologistas cristãos). O primeiro tema que escolhi foi a ressurreição de Jesus, pois acredito que seja um dos temas mais importantes dentro do cristianismo em si, e a forma como conhecemos tal religião hoje talvez não faça o mínimo sentido se Jesus não morreu e reviveu.

Não achem que eu esteja aqui defendendo que Jesus não ressuscitou. Eu defendo dados os problemas na hipótese da ressurreição, a crença em sua não existência é incomparavelmente mais sensata. Além do mais, o que uma pessoa pode fazer para provar que uma outra pessoa não ressuscitou? Ou seja, não podemos declarar através de argumentos racionais que Jesus ressuscitou, só podemos acreditar nisso pela fé. E irei mostrar que os cristãos deveriam tratar pessoas que negam isso como Difamadores da Fé.

Mas o meu foco é demonstrar a primeira ideia: a de que eventos como ressurreição não podem ser acreditados através da razão, em hipótese alguma. Apologistas como William Lane Craig discordam veementemente de mim. Para ele, é absolutamente racional acreditar em qualquer doutrina ou narrativa associados ao cristianismo, incluindo toda a história de Jesus narrada no Novo Testamento, em especial nos evangelhos. Craig vai além e diz que o Método Histórico pode ser usado para indicar com quase 100% de certeza que Jesus ressuscitou dos mortos!

Não vou me estender aqui explicando quais os perigos de tentar dar às religiões em geral, que são inventadas, o status de racional. (Não cometo aqui a falácia genética pois não afirmo que são falsas por serem inventadas, mas que não são racionais. Como demonstrado em A Falácia Genética e o Ateísmo – Parte 2: O Erro de Parsons, uma invenção irracional pode ser verdadeira por pura sorte, e inclusive é esta possibilidade que serve como contraexemplo fundamental da falácia genética.) Só digo que quando tratamos como racional um conjunto de ideias inventadas que possui implicações em nossas vidas social, cultural, econômica, política etc estamos agindo de forma contrária ao progresso. As religiões são ótimas em nos prover amparo em situações emocionais delicadas tais como a morte, o sentido da vida, a necessidade de agradecer pelas coisas boas que não podem ser explicadas, a expectativa e a vontade de pedir a alguém que atenda nossos desejos, a introspecção, a meditação etc. Quando difamadores da fé como Craig começam a dizer que histórias fantásticas são reais e racionais, abre as portas não só para a anti-intelectualidade, mas também para pessoas que querem reger a vida alheia e a política de acordo com suas crenças religiosas.

Acreditar na ressurreição de Jesus (ou na reencarnação dos espíritas, ou nas quarenta virgens dos muçulmanos etc) não é um exercício de burrice. Burrice, no meu mais humilde ponto de vista, é achar que isso pode ser alcançado de forma racional. Temos crenças irracionais o tempo todo: acreditamos que iremos nos curar de um câncer agressivo, que nosso time vai ser campeão, que tiraremos o Renan Calheiros da presidência do Senado com um abaixo-assinado, que ganharemos mais dinheiro esse ano, que perderemos peso na nova dieta… e nenhuma dessas crenças nos torna idiotas ambulantes. O que nos tornaria verdadeiros tolos é dar a essas crenças o mesmo grau de confiança que damos a teorias científicas como as Leis de Newton, por exemplo.

E por que a crença na ressurreição não tem respaldo nenhum? Porque se trata de um evento extremamente improvável por si só e porque relatos bíblicos não acrescentam quase nada à sua probabilidade. Craig concorda com a primeira parte, mas discorda completamente da segunda, usando como argumentos os pontos colocados no debate entre ele e Bart Ehrman. Eu já disponibilizei aqui transcrições em português e em inglês de tal debate e fiz um resumo em uma série de postagens, mas vou colocar aqui um guia geral dessa série para apresentar por alto o raciocínio de Craig:

(1) Craig x Ehrman Parte 1: Introdução: Apresentação do debate com vídeos e transcrições.

(2) Craig x Ehrman Parte 2: Discurso de Abertura de Craig: Craig expõe seu argumento histórico pela ressurreição de Jesus: (I) Existem quatro fatos históricos que precisam ser explicados por alguma hipótese histórica adequada: o sepultamento de Jesus, a descoberta de seu túmulo vazio, suas aparições post-mortem, e a origem da crença dos discípulos em sua ressurreição; e (II) A melhor explicação para estes fatos é que Jesus ressuscitou dentre os mortos.

(3) Craig x Ehrman Parte 3: Discurso de Abertura de Ehrman: Ehrman argumenta que a explicação (II) de Craig não é histórica, mas sim teológica. Tanto é verdade que ela pressupõe a existência de Deus como agente causador do milagre. Ora, historiadores não podem pressupor a existência de um deus, muito menos a existência de Deus especificamente, pois eles não possuem acesso a Ele. A pesquisa histórica só tem acesso àquilo que ocorre no plano terreno, sendo que supostos eventos que ocorreram em outros planos são discussões teológicas. Além disso, os relatos evangélicos não são confiáveis o suficiente a ponto de se dizer que as afirmações em (I) são fatos históricos.

(4) Craig x Ehrman Parte 4: A primeira Refutação de Craig: Ehrman havia afirmado anteriormente que é contraditório afirmar que um milagre – que é a maior das explicações improváveis – é a explicação mais provável. Mas Craig afirma que Ehrman só diz isso porque confunde Pr(R|B & E) com Pr(R|B). A probabilidade do primeiro (probabilidade de Jesus ter ressuscitado dadas as evidências do evangelho) pode ser muito alta enquanto a do segundo (probabilidade de Jesus ter ressuscitado) pode ser muito baixa. Através de cálculos matemáticos, é possível provar que Pr(R|B & E) é praticamente igual a 1.

(5) Craig x Ehrman Parte 5: A primeira Refutação de Ehrman: Ehrman pergunta a Craig se ele analisou criticamente os documentos que usou em sua pesquisa e se, caso positivo, ele foi capaz de encontrar algum erro neles. E se ele não encontrou nenhum erro, como espera que acreditemos que ele está avaliando historicamente tais fontes? Por ser um adepto da inerrância bíblia, Craig deve pensar que os textos necessariamente são corretos.

(6) Craig x Ehrman Parte 6: A segunda Refutação dos debatedores: Craig também argumenta que um historiador não precisa ter acesso direto às entidades explicativas em suas hipóteses, a exemplo dos físicos contemporâneos e teorias como a das cordas. Ehrman tenta sustentar que: “Mesmo que nós queiramos acreditar na ressurreição de Jesus, esta crença seria uma crença teológica. Você não pode provar a ressurreição. Este evento não é suscetível à evidência histórica; é fé. Os crentes acreditam na ressurreição e o fazem pela fé; história não pode prová-la.”

A argumentação de Craig tem como base a confiabilidade das narrativas bíblicas e a inferência de que a melhor explicação para elas é a ressurreição. Sobre a confiabilidade dos evangelhos, Ehrman, bem como várias outras pessoas, já demonstraram que as inúmeras contradições desmoronam qualquer alegação neste sentido. Mas mesmo que fossem confiáveis, elas ainda assim não sustentariam a ressurreição. Por este motivo, foquei a segunda parte da análise no estudo de tal inferência.

Para começar, Craig usa um argumento matemático baseado no Teorema de Bayes para demonstrar que a probabilidade de Jesus ter ressuscitado dadas as evidências contidas nos evangelhos é praticamente 100% (veja a explicação completa na parte 4 do resumo do debate). Mas esse argumento é completamente falacioso. Na verdade, os três posts abaixo mostram que tal probabilidade independe da confiabilidade das narrativas bíblicas:

(1) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 1: O Erro Matemático Escandaloso de Craig
(2) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 7: A Cagada Calamitosa de Craig
(3) 

Uma outra série de postagens, composta basicamente pela tradução de um capítulo de livro escrito por Robert Price, mostra que mesmo que acreditemos piamente na Bíblia, podemos chegar à conclusão de que Jesus não ressuscitou. É perfeitamente plausível que os relatos sejam verdadeiros (na verdade sinceros) e que os evangelistas olharam para os fatos e acreditaram inocentemente que Jesus voltou dos mortos.

(1) Explicando a Ressurreição sem Recorrer a Milagres – Parte 1: Entrando no Jogo: E, no entanto, é o que eu vou fazer aqui. É simplesmente uma experiência de pensamento. Vou assumir como verdadeiro o caráter essencialmente histórico dos “eventos” que precederam a ressurreição. A única diferença é a seguinte: eu não acho que alguém tem que ir muito longe para chegar a uma explicação completamente natural para a suposta ressurreição. Tenha paciência comigo enquanto eu me aventuro na defesa da Teoria do Desmaio, da Teoria do Reenterro, da Teoria da Identidade Trocada, e da Teoria da Dissonância Cognitiva (“Transformação dos Discípulos”). 

(2) Explicando a Ressurreição sem Recorrer a Milagres – Parte 2: Jesus não morreu: O que sugere a Teoria do Desmaio? Logo acima eu a retratei como um produto de pressupostos Racionalistas: como uma explicação, é tudo o que restou a eles. Mas agora vou comprovar que há muito mais do que isso. Eu acho que os próprios textos sugerem isso, e na verdade sugerem com tanta força, que me parece que o modelo de Scheintod foi o ensinamento real dos Evangelhos, em algum estágio anterior. Desde então, tal ensinamento foi editado no curso da evolução da crença cristã.

(3) Explicando a Ressurreição sem Recorrer a Milagres – Parte 3: A Tumba Provisória: Ao ler o relato de Páscoa em João 20:11-15, eu não preciso impor algum tipo de ódio de Jesus ao ceticismo para que ele pudesse “escapar” das implicações do texto. Não, eu me vejo lendo o texto com reverência, valorizando sua atmosfera sobrenaturalmente refrescante nessa história maravilhosa e, de repente, sou surpreendido com Maria Madalena não encontrando ninguém no túmulo: Ó Deus! Haverá um fim para os horrores desse fim de semana? E agora?

(4) Explicando a Ressurreição sem Recorrer a Milagres – Parte 4: Os Sósias: Vamos dar aos apologistas o benefício da dúvida e agir como se essas histórias evangélicas da Páscoa fossem, como eles insistem, narrativas genuínas de encontros. Todo esse negócio de não reconhecimento, que nós jamais esperaríamos, inevitavelmente convida à suspeita de que os encontros de Páscoa eram realmente avistamentos de encontros com figuras só mais tarde identificadas como Jesus, e depois como um meio de escapar da tristeza e do desespero.

(5) Explicando a Ressurreição sem Recorrer a Milagres – Parte 4b: Mudanças de aparência: Agora me digam: o que é mais provável? Que pessoas tenham visto homens parecidos com Jesus e, dado o enorme burburinho de ressurreição, os tomaram pelo Cristo ressurreto e depois contornaram alegando que ele mudava de aparência ou será que Jesus ressuscitou e ficou trocando de forma física, sendo que já mostrei que tal mudança é teologicamente problemática? Como podem ver, não preciso supor nenhum milagre para explicar nada.

(6) Explicando a Ressurreição sem Recorrer a Milagres – Conclusão: A Dissonância Cognitiva (ou: Não é preciso nenhum milagre aqui!): Eis o que acho dos discípulos de Jesus: eles tinham abandonado todos os trabalhos e atividades mundanas, até mesmo a família, a fim de juntar-se a Jesus e sentar-se à sua direita e à sua esquerda em sua glória que estava se aproximando. Agora ele é vergonhosamente morto, e só se pode imaginar as piadinhas que guardavam, por exemplo, para os dois discípulos assim que voltassem para a casa em Emaús. Talvez eles tenham programado de chegar em casa na calada da noite!

Além disso, forneço uma visão geral do debate com foco nas estratégias dos dois debatedores. Esses posts não somaram muito à questão da ressurreição, sendo mais interessante para aqueles que se interessam pela prática do debate em si. Destaque para a parte 5: “Por que Craig venceu o debate antes mesmo dele começar?”

(1) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 2: Uma visão geral do debate
(2) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 3: Estratégias dos debatedores
(3) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 4: Guarnecendo o Plano B
(4) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 5: Por que Craig venceu o debate antes mesmo dele começar?
(5) Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 6: Craig, o Mr. C do Power Point

Por fim, uma discussão teológica da ressurreição de Jesus. Em um debate contra um rabino, Craig apanha feito criança ao não ser capaz de explicar diversos detalhes exigidos pelo judeu. Na verdade, a crença na ressurreição de Jesus, segundo os judeus, se parece com uma má interpretação histórica da vida desse homem comum. Além disso, adentrando na teologia de maneira mais profunda, vemos que a ressurreição de Jesus é um evento desprovido de significado real objetivo. Ambas objeções teológicas formaram a última série que fiz sobre o assunto:

(1) Teologia da Ressurreição de Jesus – Parte 1: A Trindade Cristã contradiz o Monoteísmo?: Ver Craig dizendo que o cristianismo está certo porque a Trindade é verdade não tem preço. Só faltou ele dizer que é porque é e pronto. E em saber que ele é ovacionado por certos grupos de cristãos… é, uma hora a máscara cai.

(2) Teologia da Ressurreição de Jesus – Parte 2: Afinal, qual a finalidade da morte de Jesus?: Aqui analiso as principais respostas para a pergunta: “Qual o propósito da morte de Jesus?”. Demonstro que mesmo dentro da teologia, isso não faz muito sentido. No máximo é algo que as pessoas usam para sentirem que existe alguém que se importa com elas.

A conclusão pode ser tirada por qualquer um que ler o material que disponibilizei aqui no blog. A crença na ressurreição de Jesus pode ser defendida racionalmente ou deve ficar apenas nos domínios da fé? Como mostrei, a crença na ressurreição é discutível não somente na história, mas também na teologia, sendo que isso a torna ainda mais distante de qualquer defesa racional. Além disso, adotar a segunda posição não é adotar um ponto de vista ateu, pois é algo compatível com o cristianismo. Talvez até mesmo o próprio Jesus preferisse a segunda opção caso ele tenha realmente ressuscitado.

Um ateu como eu não crê, evidentemente, na ressurreição de Jesus. Mas eu não tenho porque condenar aqueles que acreditam nisso porque se sentem de certa forma amparados: “Um homem deu sua vida por mim! Eu tenho algum valor e os deuses me amam e querem meu bem!” Eu já argumentei que isso não faz muito sentido, mas nem por isso tal pensamento é condenável. Condenável seria dizer algo como “Jesus ressuscitou, provando ser ele mesmo Deus, e eu como seu seguidor tenho a obrigação de fazer com que todas as pessoas acreditem nisso e sigam a sua palavra, custe o que custar.” Isso se chama ignorância, é perigoso para a sociedade e deve ser combatido. Todo mundo tem direito de evangelizar, mas ninguém tem o direito de impôr seu ponto de vista. É por isso que peço para que não acreditem em difamadores da fé como Craig, que querem tirar da religião aquilo que ela sabe fazer de melhor e transformá-la, mesmo que de maneira inocente, em um instrumento político e de alienação intelectual.

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11 opiniões sobre “Ressurreição de Jesus: Uma Conclusão”

  1. Tem uma coisa engraçada aqui que o “Bill” não quis levar em conta: ele argumenta que, a partir dos evangelhos, existem indícios fortes de que Jesus ressucitou. Bart explica que os evangelhos não são fontes confiàveis de informação.

    Assim como os evangelhos, os Eddas nórdicos também relatam histórias e acontecimentos que envolvem divindades. Então, porque o “Bill” também não passa a aceitar os fatos que são narados nos Eddas nórdicos? Porque ele passa a acreditar na vercadidade da história de Thor e Odin???

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    1. Por que são relatos inconsistentes e contraditórios, que não atendem a todos os requisitos da pesquisa histórica e que não são confirmados pelo testemunho interno dado pelo Espírito Santo. (Pelo menos é o que o Bill diz – na cara dura.) Tudo isso está no debate, basta ver a transcrição em português que disponibilizei.

      Como eu sei quais são essas partes e para não te dar muito trabalho de ficar procurando, vou colocar os trechos que dizem a esse respeito aqui. Para começar, durante o debate, Ehrman perguntou a Bill:

      Segunda questão: Bill acredita que pode ser mostrado historicamente que Jesus realizava milagres, especialmente sua ressurreição, mas também os milagres de sua vida, sem dúvida. Eu gostaria que ele discutisse sobre as evidências em relação aos outros realizadores de milagres contemporâneos de Jesus aparte da tradição cristã. Estaria ele disposto a admitir a partir das mesmas bases históricas que estas pessoas realizaram milagres? Estou me referindo à tradição dos milagres realizados por “Apolônio de Tiana”, “Hanina ben Dosa”, “Honi, o desenhista de círculos”, “Vespasiano”. Estaria Bill disposto a reconhecer que Apolônio apareceu aos seus seguidores após sua morte ou que Otaviano ascendeu aos céus? Ou ele pode pegar qualquer outro milagreiro das tradições pagãs que ele escolher.

      E Craig responde:

      Finalmente, em relação às menções a “Apolônio de Tiana” e “Honi, o desenhista de círculos”, permitam-me simplesmente citar Robert Yarbrough, que assinala que estas figuras não possuem nenhum tipo de evidência anterior ao primeiro século, o tempo de Jesus12. “Apolônio de Tiana” é uma figura do terceiro século que não é citada nem momento algum antes do terceiro século. Da mesma forma acontece com “Hanina bem Dosa” e “Honi, o desenhista de círculos”: John Meier e Ben Witherington mostraram que estas figuras possuem pouca relevância para com a situação de Jesus no primeiro século. Então, estas figuras apontadas, penso, são comparações simplesmente inválidas.

      Em seguida, Ehrman faz um breve comentário a cerca dessa alegação:

      Ele afirma que “Honi, o desenhista de círculos”, “Hanina ben Dosa” e “Apolônio de Tiana”, a propósito, eram pessoas do terceiro século; eles não eram pessoas do terceiro século, eles eram pessoas que viveram nos dias de Jesus.

      Quando as perguntas foram abertas, Ehrman retomou o assunto.

      Então, se alguém pensa que sim, que um milagre é um evento provável, o que eu gostaria que Bill fizesse é nos dizer por que ele não acha que Maomé realizou milagres uma vez que certamente temos relatos disto. Por que ele não acha que Apolônio de Tiana realizou milagres? Ele citou Larry Yarbrough, que, na verdade, provavelmente nunca leu sobre a vida de Apolônio. Eu sei disso porque eu tive uma conversa com Larry Yarbrough sobre isto. Ele nunca leu os textos. Eu não sei se Bill leu os textos. Eles são muito interessantes; são textos gregos e estão amplamente disponíveis. Eles nos dizem que Apolônio de Tiana realizou muitos milagres semelhantes aos que Jesus realizou; ele podia expulsar demônios, curar doenças, ressuscitar os mortos, e no final de sua vida ele subiu aos céus. E Apolônio de Tiana foi apenas um dentre uma centena de pessoas do mundo antigo sobre as quais estes fatos foram atribuídos. Então, se permitirmos a possibilidade de Jesus, o que faremos quanto à possibilidade de Apolônio? Ou Honi, o desenhista de círculos, ou Hanina ben Dosa ou o imperador Vespasiano? Você pode acrescentar quantos nomes você quiser. Agora, a razão de nós não sabermos muito sobre estas pessoas é porque, claro, o único milagreiro Filho de
      Deus que conhecemos é Jesus. Mas, na verdade, no mundo antigo existiam centenas de pessoas como Jesus, com centenas de histórias contadas sobre eles. Nós não os contamos porque eles não estão em nossa tradição.

      E Craig respondeu assim:

      A razão de nós não acreditarmos em muitos outros milagres não é porque não estamos abertos a eles. Pelo contrário, estou completamente aberto à idéia de que Deus realizou milagres aparte de Jesus. Mas, por exemplo, em relação a Maomé, com todo respeito, não há nenhuma evidência de que eles aconteceram. Não há nenhuma afirmação do Corão de que Maomé realizou milagres. A primeira biografia que temos de Maomé é datada de no mínimo 150 anos após sua morte, e eu não estou certo se até mesmo lá existem afirmações sobre milagres. Em relação a Apolônio de Tiana, as afirmações de milagres são mitos e lendas que não possuem qualquer valor histórico. Trata-se de invenções pós-cristãs, onde Apolônio é uma figura que deliberadamente foi construída para competir com os cristãos primitivos. Então, a razão de alguém não acreditar em milagres nestes casos é porque não existe nenhuma boa evidência que os sustentem.

      Ainda durante o debate, Craig também afirmou:

      Finalmente, eu quero concluir agora dizendo que existe outra forma de saber sobre a ressurreição: o experimento. Veja, se Jesus realmente ressuscitou de dentre os mortos como as evidências apontam, então isto significa que Jesus não foi somente uma figura antiga da história ou uma imagem desenhada nos vidros de uma catedral. Isto significa que ele está vivo hoje e que ele pode ser conhecido pela experiência. A mim, o cristianismo deixou de ser apenas uma religião ou um código de vida quando eu entreguei minha vida a Cristo e experimentei um renascimento espiritual em minha própria vida. Deus se tornou uma realidade viva em mim. A luz entrou onde antes só havia escuridão, e Deus se tornou uma realidade que eu posso experimentar, juntamente com a grande alegria, paz e sentido que Ele concedeu à minha vida.

      Em resumo, Craig diz na cara dura que os relatos a favor de Jesus são confiáveis e que o resto é mito. E ainda por cima diz que testemunhos internos e relações pessoais (dele) com Cristo são uma evidência experimental da ressurreição e dos milagres. Patético, não?

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  2. Patético é pouco.

    Ainda, chamo a atenção para que tem acontecido disseminadamente entre o meio religioso.
    Cientistas, que também sejam cristãos (isso é possível e nada condenável), estão “emprestando” suas credenciais para suportar e racionalizar os dogmas (isso sim, condenável). Aqui está um exemplo. Pegam um cientista que não tem conhecimento específico na área em questão e o botam para falar bobagem a serviço da crença.
    E quando eles não conseguem cientistas dispostos a isso, eles torçem e vergueiam a ciência para que ela o faça.

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    1. Eu concordo apenas em partes, Wagner. Veja, existem religiões que afirmam que a meditação faz bem para a saúde. Cientistas têm descoberto que isso de fato é verdade, não por motivos sobrenaturais, é claro, mas que tem adiantado. Então, não é errado quando um religioso tenta usar a ciência para demonstrar seus dogmas. O problema é quando isso não dá certo ele começa a, como você mesmo diz, torcer o estudo para dar certo.

      O caso de Malafaia é ainda mais gritante. Ele, que não tem formação em genética, quer discordar daqueles que possuem e dizem que a homossexualidade possui origens genéticas. É verdade que a genética não é o único fator, mas Malafaia precisa que seja verdade que somente fatores ambientais levam alguém a ser gay por causa da crença dele. Daí começa o show de distorções e pseudo-ciências…

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  3. As tentativdas de Craig são sofríveis. A fé não precisa de evidências ou não seria fé e sim uma confirmação dos fatos, simples assim. A ressurreição de quem quer que seja é obviamente improvável e irracional. Um ponto de vista defensável é: Jesus não morreu naquele momento da punição; ele ficou desfalecido na cruz e foi salvo de lá (pelos discipulos) antes de sua falência total. Décadas depois os já milhares de seguidores contavam a lenda do homem que “venceu a morte”. Essa passagem do evangelho também é ritualistica: morrer é deixar para trás o passado e renascer para uma nova vida com esperança no futuro. O importante sobre Jesus não são datas ou probabilidades, mas sua história de vida e mensagens que atravessam os séculos e continua atual.

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    1. Essa tua visão da morte e ressurreição de Jesus é bem interessante, a de que isso representa o fim de um ciclo e o início de um novo. Contudo, o grande problema dela é, como bem apontado, que esta se trata de uma visão posterior e isso me faz pensar que provavelmente não tenha nada a ver com a mensagem que Jesus queria passar. O que a pessoa Jesus queria era anunciar a chegada do Reino de Deus, ele acreditava ser ele mesmo o primeiro passo na construção de tal reino. Mas eu não sou especialista em teologia, então vou parar por aqui.

      Quanto a Jesus não ser sobre datas e probabilidades, concordo plenamente. Inclusive, mostrar isso é um dos meus objetivos principais. Mas um dos meus objetivos secundários é refletir sobre a possibilidade de estarmos superestimando os ensinamentos de Jesus. Veja hoje em dia… como você acha que Jesus se posicionaria na questão do aborto? Da homossexualidade? Das leis ambientais? Da educação? Você pode ter as suas respostas, mas lembre-se de que elas são suas e não necessariamente são as corretas! Veja a questão da educação: Jesus é considerado um grande sábio mesmo tendo sido provavelmente analfabeto. Então as pessoas podem pensar que o ensino religioso é incomparavelmente mais importante do que o ensino acadêmico, e ninguém vai encontrar uma passagem nos evangelhos negando isso categoricamente. Eu tenho minhas dúvidas sobre os ensinamentos dele continuarem atuais porque eu duvido que hajam soluções atemporais que resolvam qualquer problema social, econômico ou cultural ao longo dos anos. Desconfio que superestimamos o que uma única pessoa fez e disse e isso sempre é perigoso.

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  4. Sobre a questão das posições políticas de um possível Jesus do séc. XXI, realmente, qualquer tentativa minha seria, com a melhor das inteções, só hipoteses pessoais. Um homem que falava de amor e vida eterna não seria a favor do aborto, talvez. Mas como homem autêntico e congruente ele não iria contrariar seu próprio mandamento de amor ao próximo.

    Jesus era um político articulado e por isso perseguido pelas autoridades constituídas do seu tempo. Aquela imagem de pescador rude do povão é mais um embuste católico. Quando eu imagino como ele seria no séc. XX, eu penso em Gandhi.

    Sabedoria e educação academica não são dependentes. Veja os nossos estudantes universitários que dirigem alcoolizados mutilando vidas ou os médicos fraudadores do erário público. No interior do Ceará existiu um poeta chamado Patativa do Assaré, um homem de grande criatividade e pensamento crítico. Ele teve pouca instrução. A instrução academica não estava, digamos, na pauta do Jesus e por isso não podemos afirmar ou negar sua importancia através da leitura do Novo Testamento. Numa sociedade histerica e consumista como a atual, acho dificil um pai de familia priorizar à missa em detrimento da escola.

    Existem sim soluções atemporais, mesmo com toda a nossa complexidade antropologica, os dramas humanos ainda são os mesmos: medo da morte, angustia, intolerancia, odio, inveja, vaidade. Examinemos o cerne de todos os conflitos, mundiais ou familiares, e encontraremos esses mesmos elementos combinados em maior ou menor grau. Na mitologia grega, todo aquele panteão representa os nossos dramas que ainda são atuais. O pai ditador, o filho rebelde, o heroi destemido, o incesto, a cobiça pelo poder, o desejo pelo sexo, a guerra. Como disse o sábio do velho testamento; não há nada de novo embaixo do sol.

    Jesus planejou a própria morte. Era o seu golpe final contra o Império que ele queria derrubar para instaurar o dele. Aparentemente o plano fracassou, mas ao longo de tempo ele ganha força. Não falo de igrejas, mas de pessoas livres que realmente acreditam no amor verdadeiro e uma vida maior do que ela mesma, uma vida transcendente. Eu acredito nisso, mesmo que minha esperança seja apenas um delírio infantil.

    Vamos examinar as palavras de Jesus através das mentes das pessoas que lá estavam ouvindo e não a nossa. O que significa REALMENTE “o Reino de Deus”?

    Abraços!

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  5. Eu ainda não consegui entender como a ressurreição de Jesus pode ser evidenciada pela História. Exemplo simples: Troia era uma cidade tida como fictícia, que só existia na Ilíada de Homero. Pois bem, a cidade foi descoberta pela Arqueologia.

    Se Troia é uma cidade histórica, conclui-se que Aquiles existiu, era super-humano e só podia ser morto se ferido no calcanhar?

    Outro exemplo: algumas cidades da Índia, citadas nos Vedas e no Mahabharata, são históricas. Logo, houve batalhas de deuses nos céus em seus veículos (vimaanas, fonte de algumas teorias ufulógicas) e Krishna andou realmente com seus discípulos nos jardins das cidades.

    Poderiam, por favor, apontar os critérios objetivos para se afirmar que os dois exemplos citados são mentirosos?

    Obrigado e abraços a todos!

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  6. sou desbravador desse enigma,mas acredito que cada fundamentalista retrata de maneira erronea.se houve milagres,cura,ressussitacao,tudo isso sao fatos que desperta em cada um a verdadeira vontade de acreditar, mas em que…nao tenho religiao, mas admiro as boas historias de quem realmente tem as oratorias omileticas bem argumentada.sou apologetico da fe,e nao das religioes.

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