Um Código para a Conduta Intelectual – Parte 8: O Princípio da Relevância

==============================================
Título Original: Attacking Faulty Reasoning: A Practical Guide to Fallacy-Free Arguments Autor: T. Edward Damer
Publicação: Wadsworth Publishing; 6ª ed. (2008), pgs. 32 e 33
Tradução: Marco Aurélio Moura Suriani (Mr. Monk)

O PRINCÍPIO DA RELEVÂNCIA

==============================================

Aquele que apresenta um argumento a favor ou contra uma posição deve estabelecer apenas razões cuja verdade fornecem alguma evidência para a veracidade da conclusão.

Um segundo princípio usado para determinar se um argumento é bom tem a ver com relevância das premissas. As premissas de um bom argumento devem ser relevantes para a verdade ou para o mérito da conclusão. Não há nenhuma razão para perder tempo avaliando a verdade ou a aceitabilidade de uma premissa se ela sequer é relevante para a verdade da conclusão. A premissa é relevante se sua aceitação fornece alguma razão para acreditar na conclusão, ou que conte a favor dela, ou que tenha alguma influência sobre a sua verdade ou o seu mérito. A premissa é irrelevante se a sua aceitação não tem qualquer influência sobre a conclusão, ou não fornece nenhuma evidência para ela, ou não tem nenhuma conexão com a sua verdade ou o seu mérito.

Na maioria dos casos, a importância de uma premissa é determinada pela sua relação com as outras premissas, apesar de que em alguns casos, premissas adicionais podem ser necessárias para tornar a relevância de uma premissa particular mais aparente. A maioria de nós está familiarizada com casos de advogados que convencem um juiz inicialmente cético de que uma questão ou um pedaço de testemunho aparentemente irrelevantes são sim relevantes, ao introduzir outra prova ou testemunho.

Um primeiro passo importante na reconstrução do argumento de outra pessoa, então, é verificar se há quaisquer irrelevâncias óbvias. No contexto da discussão informal, nós geralmente encontramos um grande número de trechos variados, porém irrelevantes. A maior parte deles não têm a intenção de ser uma parte do argumento e pode, portanto, ser ignorada com segurança. No entanto, às vezes é difícil saber se o argumentador pretende usar uma reivindicação particular como um motivo relevante para acreditar que a conclusão a ser verdadeira ou se ela serve algum outro propósito, como o fornecimento de informações importantes para a compreensão do contexto da questão em análise. Se este último for o verdadeiro caso, não é uma parte do argumento e não deve ser incluído como uma parte da sua reconstrução. Se o primeiro caso é verdadeiro, ele deve definitivamente ser incluído, mesmo que uma avaliação posterior possa mostrar que ela é irrelevante.

Nos termos da lógica tradicional, as premissas de um argumento são relevantes se a conclusão em algum sentido se segue delas. Se o argumento é dedutivo, a conclusão necessariamente segue suas premissas caso o argumento seja modelado através de uma forma logicamente correta ou válida. Em tais casos, as premissas são obviamente relevantes para a conclusão, porque a conclusão de um argumento dedutivo formado corretamente simplesmente explicita o que já está implícito nas premissas.

Se o argumento é indutivo, a conclusão se segue de suas premissas se elas apoiam ou tendem a confirmar a verdade da conclusão. No entanto, determinar se as premissas de um argumento indutivo apoiar fortemente ou adequadamente a verdade de sua conclusão depende também da forma como essas premissas atendem aos outros critérios de um bom argumento.

Argumentos falham em se adequar ao princípio da relevância de diversas maneiras. Alguns argumentos usam apelos irrelevantes, como um apelo à opinião comum ou à tradição, e outros usam premissas irrelevantes, como chegar à conclusão errada a partir das premissas ou usar premissas erradas para apoiar a conclusão.

Uma pessoa pode querer fazer duas perguntas com o objetivo de determinar se uma premissa ou raciocínio particular é relevante. Primeiro, poderia a veracidade da premissa tornar uma pessoa mais propensa a acreditar que a conclusão seja verdadeira? Se a resposta for sim, a premissa é provavelmente relevante. Se a resposta é não, a premissa provavelmente não é relevante. Em segundo lugar, mesmo que a premissa seja verdadeira, ela deve ser levada em consideração na tarefa de determinar se a conclusão do argumento é verdadeira ou não? Por exemplo, o fato de um novo filme ter tido a maior bilheteria na história deve ser levado em consideração na hora de determinar a qualidade do filme? Se a resposta for não, então uma premissa que faz tal alegação é irrelevante. Se a resposta for sim, o que é pouco provável, então a premissa deve ser considerada como relevante.

Anúncios

Quer fazer um comentário?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s