Um Código para a Conduta Intelectual – Parte 3: O Princípio da Busca pela Verdade

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Título Original: Attacking Faulty Reasoning: A Practical Guide to Fallacy-Free Arguments Autor: T. Edward Damer
Publicação: Wadsworth Publishing; 6ª ed. (2008), pgs. 10 e 11
Tradução: Marco Aurélio Moura Suriani (Mr. Monk)

O PRINCÍPIO DA BUSCA PELA VERDADE

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Cada participante deve estar comprometido com a tarefa de procurar sinceramente a verdade, ou pelo menos a posição mais defensável sobre a questão em disputa. Portanto, deve-se estar disposto a examinar posições alternativas a sério, buscar insights nas posições dos outros, e permitir que outros participantes apresentem argumentos a favor ou levantem objeções a qualquer posição sustentada sobre o problema.

O princípio da busca pela verdade tem andado de mãos dadas com o princípio falibilidade desde os tempos de Sócrates, que ensinou que chegamos ao verdadeiro conhecimento apenas depois que reconhecemos a nossa própria ignorância ou falta de conhecimento. A busca da verdade torna-se então um esforço para toda vida, e em qualquer discussão iremos considerar sistematicamente as ideias e argumentos de pessoas que procuram a verdade, enquanto consideramos também as críticas aos nossos próprios pontos de vista.

Uma vez que, como vimos, não é provável que a verdade esteja sob nossa custódia neste momento, todas as nossas energias intelectuais gastas em discussões deve ser dirigida para encontrá-la, ou pelo menos encontrar a posição mais defensável possível para o tempo presente. Tal posição, é claro, é a posição que é suportada pelo argumento disponível mais forte.

Se nós já possuíssemos a verdade, obviamente não faria sentido qualquer discussão mais aprofundada. Para aqueles que podem afirmar que uma discussão poderia pelo menos ser usada para convencer os outros de que já sabemos ser a verdade, deve-se salientar que os “outros” estão provavelmente fazendo as mesmas suposições sobre os pontos de vista que eles possuem agora. Por isso, é improvável que qualquer “verdade” mude de mãos. Se realmente estamos interessados ​​em encontrar a verdade, é imperativo não apenas que assumamos que podemos não ter a verdade agora, mas também que ouçamos os argumentos para posições alternativas e incentivemos a crítica de nossos próprios argumentos.

Há algumas questões, é claro, sobre as quais nós já fizemos o árduo trabalho de investigação. Por exemplo, podemos ter cuidadosamente examinado um problema, escutado e considerado seriamente os argumentos do outro lado, e julgado fracas e inofensivas as críticas à nossa posição. Em tal situação, não devemos dar a impressão de que estamos com a mente aberta sobre o assunto. Nem devemos manter uma pseudo-discussão. Nós temos duas alternativas. Se realmente estivermos cansados ​​do problema e antevermos pouca ou nenhuma evidência possível que pode mudar nossa mente, devemos explicar isso para o nosso adversário e talvez pular a discussão. Mas se realmente acreditamos que poderíamos ter perdido alguma coisa que poderia nos levar a alterar a nossa posição, então, devemos entrar no debate como um “caçador” honesto da verdade. O resultado pode ser que o nosso adversário seja convencido da nossa posição, mas devemos entrar no debate somente se nós mesmos estivermos dispostos a ser revertidos pela força do melhor argumento.

Em nossos melhores momentos provavelmente todos nós queremos sustentar apenas as opiniões que são realmente verdadeiras, mas a satisfação gerada por esse interesse cobra um preço: uma vontade de olhar para todas as opções e argumentos disponíveis a favor deles. Caso contrário, podemos perder a verdade completamente. O problema, claro, é que a maioria de nós quer que a verdade seja o que estamos pensando nesse instante que seja a verdade. Queremos ganhar, mesmo se tivermos que trapacear para conseguir. Por exemplo, pode-se acreditar sinceramente que os caminhões da Toyota são os melhores caminhões no mercado, mas para fazer tal reivindicação antes de examinar objetivamente o desempenho e os registros de reparação de outras marcas comparáveis ​​de caminhões é simplesmente desonesto.

Os verdadeiros “caçadores” da verdade não tentam ganhar ignorando ou negando a contraprova contra suas posições. Uma vitória genuína é encontrar a posição que resulta de jogar o jogo de acordo com as regras. Pronunciar-se o vencedor antes do início do jogo ou se recusar a jogar pelas regras não avança na busca de verdade e no final se mostra ser uma prática auto-destrutiva.

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