Sobre o preço do ônibus

Esse post fica mais ou menos na onda de “querido diário”, feito de qualquer jeito, e sequer conta dentro da minha programação semanal. Ontem estava eu todo serelepe almoçando no Restaurante Universitário da UFU, comendo meu arroz com carne de sol feliz, quando uma louca começa a gritar e a fazer protestos. Que coisa desagradável. Eu querendo almoçar tranquilo enquanto a idiota gritava na minha orelha… para que possam entender bem o meu nível de desgosto, tenham em mente que eu não ficaria mais desconfortável se fosse um pastor pregando a “bibra” alí. O que ela estava gritando não me interessa, afinal de contas, eu paguei para estar ali naquele lugar e tudo que eu queria era sossego. Tenho que reconhecer que pelo menos dessa vez ficou só na gritaria, da última vez colocaram uma caixa de som com microfone, mas mesmo assim já achei demais.

Mas se ela pelo menos estivesse gritando algo como “o Marco Aurélio é bem dotado e bom de cama”, ou “acessem o blog do Marco Aurélio” eu ainda calava minha boca, mas o que ela estava gritando eram outras coisas. (Brincadeira) Não que só apoie manifestações públicas que exigem coisas que são do meu interesse: eu não apoio manifestações que incomodam a mim quando não quero ser incomodado (leia-se: horário de almoço). Eles não estavam protestando CONTRA mim, então porque diabos eu tenho que ser incomodado? Porque fazer gritaria RU é mais fácil, tem muita gente reunida? Foda-se, eu quero almoçar. Que ficassem na saída.

E que tipo de reivindicação fazia ela? Aquela, nos melhores moldes marxi-revolucionários de estudantes universitários, com um tom de voz de revolta, com rimas de dar pena e convidando a um protesto. Completamente indigesto. E queriam que eu fosse numa passeata pedir o quê? Vejam a imagem abaixo:

“MAIS UM AUMENTO EU NÃO AGUENTO.” Amostra de um dos ápices literários do século 10.

Sim, estão reclamando que a tarifa de ônibus subiu. Quando o salário mínimo é reajustado com a inflação, ninguém reclama. Mas quando a passagem de ônibus sobe, ai… Na prática, congelar os preços é baratear, o que implica em alguém bancando o transporte do bolso. É disso que precisamos mesmo? E mais: é sim de se questionar que o governo aumente salários com a inflação, pois isso em si aumenta a inflação. Talvez essa não seja a melhor política. Agora, o que eles estão pedindo é um pouco contraditório, se não for hipócrita.

Mas não pára ai! Eles querem que o transporte público em Uberlândia volte a ser operado diretamente pela prefeitura, sabe-se lá porque! Empresas malvadas, não podem ter chance de ganhar dinheiro nem quando vencem licitações. E a culpa do aumento é deles, óbvio. Se a prefeitura operasse as linhas, não aumentaria a passagem de ônibus quando precisasse e operaria no vermelho para atender o povo. Porque ela não cobre o prejuízo das empresas de ônibus, tornando desnecessário o aumento, eu não sei. Só sei que o aumento é culpa das empresas e ponto final. (E se algum debilóide interpretou que eu acho que a prefeitura deveria cobrir o prejuízo, por favor, se mate. Não vou explicar tudo em detalhes aqui, aproveitem para treinar interpretação de textos.)

E eles ainda querem mais! Querem que nós estudantes andemos de ônibus de graça! Mas aí eu tenho que concordar. Desculpem, mas eu sou um semideus que conseguiu passar no vestibular e mereço andar de ônibus de graça! Que mané meio-passe é esse? Porque eu deveria me contentar com o tão pouco que já tenho? Eu sou um semideus porra, eu quero andar de busão de graça. Falo mermo.

Sinceramente, fico com pena deles. Essa exigência deve ter sido incluída pelo DCE da UFU, muito provavelmente. Essa manifestação contra o aumento não começou com eles, então imagino que eles devem ter feito uma reunião com os organizadores originais, articulado uma ideias e convencido a incluir free-pass para estudantes no rol de exigências a ser conquistadas.

Pior ainda é a forma com que querem conquistar as reivindicações: de forma pacífica na praça mais movimentada da cidade, que fica longe da prefeitura, mas que pelo menos vai parar o trânsito da cidade. Óbvio. Eles querem atingir o prefeito, então nada mais eficaz que congestionar o cruzamento mais movimentado do centro. Cheque mate! Gilmar Machado (PT) mal assumiu e já vai ter que amargar um congestionamento que ele não vai pegar! UHULL!!

(Acreditem em mim, vale a pena clicar no link sobre o nome do prefeito.)

E para acabar com tudo, ainda exigem que além de fornecer um serviço mais barato e com isenção para estudantes, que ainda deve ser mais rápido e mais espaçoso! Uau! Não que eu seja defensor ferrenho do estado enxuto, mas também não acho que a prefeitura deva priorizar um transporte de primeiro mundo a preço de terceiro.

Não quero entrar aqui em questões políticas de modo muito profundo, mas o maior problema que vejo é que eles querem tudo! Nunca vi isso! Pedem, pedem, pedem… nunca param para pensar que o modelo que eles querem pode ser simplesmente impraticável no mundo atual (ou mesmo num “mundo melhor”). Querem simplesmente que as coisas funcionem como desejam, sem parar para pensar na viabilidade, sem sugerir meios de se fazer isso, sem atrelar a uma lista de prioridades. E acredito que se parassem para pensar, não fariam esse protesto. Nossos políticos já são grandes incompetentes e o povo ainda quer que façam mágica para atender seus delírios revolucionários!

Esse protesto mostra que na cabeça de certas pessoas a reivindicação, o ato de reivindicar e de protestar, é mais importante que a causa em si. Falta a essas pessoas entenderem que a conscientização pública não é um processo no qual devemos incentivar as pessoas a protestar, mas ensinar as pessoas a pensar no que deve ser feito para melhorar a vida em sociedade. Mas berrar durante o almoço dos outros e parar o trânsito da cidade para sair no noticiário local é mais fácil do que pensar naquilo que realmente precisa ser melhorado e em estratégias de resolução, então fazer o quê?

Mas bem, só espero que hoje eu possa almoçar mais tranquilo. Sem loucos gritando e sem gente pedindo coisas que não podem (e nem precisam) ser feitas.

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