Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 7b: Explicando a fórmula do Dr. Freed

Fala galerinha do mal!!

Quem viu a parte 7 pode estar se perguntando se realmente faz sentido aquela fórmula à qual o Dr. Freed chegou. Ele concluiu que a chance de alguém (no caso, Jesus) ter ressuscitado, dada a evidência, é igual ao número de alegações de ressurreição verdadeiras já feitas dividido pelo número total de alegações.

Sinto que para muitos isso pode parecer estranho, então vou explicar de uma forma um pouco mais didática. Quem permanecer na dúvida, que se manifeste.

Em primeiro lugar, lembremos do exemplo do Bob. A chance de uma dada pessoa ser homem é de 50%, mas se soubermos que esta pessoa se chama Bob, essa chance passa a ser quase 100%. Sim: quase, pois devemos considerar a probabilidade de uma mulher se chamar Bob, o que é bem raro de acontecer mas que é bem possível. Matematicamente, temos as seguintes variáveis:

  • R: A pessoa X é homem.
  • E: A pessoa X chama Bob.

Em outras palavras, a probabilidade de R ser verdadeira é de 50%, dado que não sabemos absolutamente nada sobre X. Mas vamos dizer aqui que é o número total de homens dividido pelo número total de pessoas para ficar ainda mais claro. Já a probabilidade de E, ou seja, a probabilidade de alguém se chamar Bob, é igual ao número de pessoas no mundo que se chamam Bob dividido pelo número total de pessoas. Por fim, temos a probabilidade de uma pessoa ser chamada Bob, dado o fato de que esta pessoa é homem. Isso é igual a todos homens que se chamam Bob dividido pelo número total de homens. Matematicamente:

  • P(R) = número total de homens / número total de pessoas
  • P(E:R) = número de homens que se chamam Bob / número total de homens
  • P(E) = número de pessoas no mundo que se chamam Bob / número total de pessoas

Usando a fórmula do Teorema de Bayes, temos que:

P(R:E) = P(R) x P(E:R) / P(E) = número de homens que se chamam Bob / número de pessoas no mundo que se chamam Bob.

Peguem lápis e papel e confiram!

Em outras palavras, a chance de uma pessoa X ser homem dada a evidência de que essa pessoa é chamada Bob é igual à chance de um dado Bob ser homem. Note que se chamarmos o número total de homens que se chamam Bob de b e o número total de mulheres que se chamam Bob de c, então temos uma probabilidade do tipo b/(b + c).

Analogamente, no caso de Jesus Cristo temos que:

  • R: Jesus ressuscitou.
  • E: Pessoas alegam que Jesus ressuscitou.

A probabilidade de Jesus ter ressuscitado dada a evidência de que pessoas contemporâneas genuinamente alegaram isso é igual à chance dessa alegação ser verdadeira – como no caso anterior! E esta chance é igual ao número de alegações verdadeiras dividido pelo número total de alegações, ou seja, está na forma b/(b + c) como no caso anterior!

Não existe nada de misterioso aqui. Historicamente, esse é o único cálculo possível de ser feito. Notem aqui algo interessante: esta probabilidade independe de P(R) ou até mesmo de R! Vejam, se existissem duas vezes mais homens do que mulheres no mundo, a probabilidade de uma pessoa X ser homem dado que seu nome é Bob continuaria sendo igual à chance de um dado Bob ser homem. Da mesma forma, posso dizer que o P(R)  no caso de Jesus também é irrelevante. E sendo P(R) irrelevante, tanto faz se Jesus ressuscitou naturalmente ou se foi ressuscitado por Deus. Se desejamos saber essa chance dada a evidência de que pessoas legitimamente alegaram sua ressurreição, devemos usar a chance de uma dada alegação do tipo ser verdadeira e ponto final.

Se existe uma alegação de que Jesus ressuscitou, a chance de Jesus ter ressuscitado – tendo em vista tal evidência – é igual à chance dessa alegação ser verdadeira. Existe algo mais auto-evidente do que isso? Tem hora que as coisas são tão simples, que a estatística se torna perfumaria desnecessária!

Algumas pessoas podem argumentar que a chance de Jesus ter ressuscitado não é essa. Concordo. Essa é a chance de Jesus ter ressuscitado dada a evidência de que seus contemporâneos alegavam que ele o fez. E vejam como estou sendo generoso: estou considerando aqui que as alegações bíblicas são legítimas! Estou considerando que as pessoas realmente alegaram isso. O que eu não posso considerar, assim como qualquer historiador, é que suas alegações eram verdadeiras. Não me culpem por não acreditar em toda alegação feita!

Lembrem-se que este raciocínio vale para qualquer alegação histórica. Por exemplo, se um historiador encontrar daqui 50 anos um diário do Zé Dirceu contando que o Lula tinha um caso extra-conjugal, como calcular as chances? Se quisermos saber as chances disso ser verdade, inicialmente pode-se dizer que a chance de Lula ter traído a esposa é igual à chance de alegações de casos extra-conjugais serem verdadeiras, ou seja, igual ao número de alegações do tipo verdadeiras sobre o total de alegações do tipo. Sim, essa chance é razoavelmente pequena – pessoas mentem e fofocam muito – mas ainda assim é maior do que a chance de uma alegação de ressurreição ser verdadeira.

Alguém poderia argumentar que Zé Dirceu era amigo muito próximo de Lula, então podemos mudar E para: “Um amigo muito próximo alegou que Lula teve um caso.” e P(R:E) seria o número de alegações verdadeiras de casos extra-conjugais feitas por pessoas muito próximas ao adúltero sobre o total de alegações do tipo. Aumentaria a chance um pouco, mas a ideia é a mesma. Por fim, caberia ao historiador encontrar novas evidências e estimar o P(R:E1, E2, E3…). Caso contrário, ficaria somente com a evidência do diário e teria que se basear apenas nela.

Caso alguém disponha de uma evidência E melhor do que as alegações bíblicas, ou outras alegações E2, E3 etc, basta apresentá-las e refazer os cálculos. O uso da Fórmula do Teorema de Bayes, creio eu, já está bem claro, e qualquer pessoa interessada em uma crítica de alto nível pode aprendê-la e argumentar baseado nela. Ao contrário de muita gente, forneço a meus adversários todas as ferramentas que eles precisam para me responder e não escondo nada. Quem quiser debater só precisa apresentar seus Es e fazer os cálculos que ensinei a fazer.

E se acha que expliquei errado, sinta-se à vontade para pesquisar sobre o assunto e mostrar qual o erro. O debate é livre, cada um só atente ao próprio ônus.

Alguém se habilita?

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