Craig x Ehrman – Uma Análise, Parte 6: Craig, o Mr. C do Power Point


Conforme indiquei na parte 5 desta análise do debate, eu falaria aqui sobre a total desnecessidade de usar o Teorema de Bayes neste debate. Algo que não foi notado somente por mim, mas por outras pessoas também. Vou começar trazendo aqui o que eu já falei sobre o assunto.

Na parte 2 desta análise, argumentei por cima que:

Talvez a performance de Craig tenha sido mais impressionante devido ao argumento matemático, mas um argumento matemático que não foi devidamente analisado tem impacto apenas momentâneo. Qualquer pessoa que parasse para pensar ali na hora concluiria que tal argumento não somou em nada ao ser apresentado de forma matemática. Bastava Craig dizer que a ausência de explicações naturais poderia aumentar consideravelmente as chances de uma explicação sobrenatural ser a correta. Mas sabe-se lá porque, Craig preferiu gastar bem mais tempo e saliva explicando essa trivialidade de forma matemática.

Já na parte 3, completei alegando que: “esse argumento é simplesmente uma obviedade fantasiada e perfumada. Um grande show pirotécnico desnecessário para provar que… a ausência de explicações naturalistas tendem a corroborar explicações sobrenaturais.”

Agora, vamos aprofundar aqui para não deixar dúvidas de que isso foi de fato o que ocorreu. Na transcrição do debate, destaco o seguinte trecho do que foi dito por Craig:

Se ele [Ehrman] quiser explicar que a ressurreição é um evento improvável, ele precisa não apenas derrubar todas as evidências para a ressurreição, mas ele também precisa erigir uma argumentação positiva em favor de alguma explicação naturalista alternativa à ressurreição.

Isso foi dito do meio pro fim de sua Primeira Refutação, como conclusão dos diversos minutos que eles gastara explicando o Teorema de Bayes. Agora eu pergunto: para que uma pessoa entenda o argumento acima, é realmente necessário fazer todo aquele escarcéu probabilístico?

Isso sem contar que este escarcéu estava matematicamente errado, como o Fomon mostrou na Parte 1, além de conceitualmente errado quando se tratando de Teoria da Probabilidade, como vocês verão na parte 7 em breve.

E ainda tem toda a questão da retórica pura e simples, vazia de qualquer significado prático. Ficar criando joguinhos de apelidos tais como “Erro Escabroso de Ehrman” ou “Mancada de Ehrman” tem um efeito teatral forte, mas não ajuda em nada no debate em si. No fim das contas, Craig fez uns três slides sobre Teorema de Bayes só para depois dizer que a ausência de explicações naturais tornava as explicações não-naturais mais prováveis e dois slides dando apelidos ao que foi dito por Ehrman para depois dizer que concordava com ele que a probabilidade intrínseca da ressurreição era realmente baixa e que o que realmente conta é se Jesus foi ressuscitado por Deus ou não.

Todos os reais argumentos de Craig naquela rodada poderiam ter sido resumidos em algumas linhas, e ele não precisaria de mais de cinco minutos para dizer todos eles. É de espantar como aquele que é considerado o melhor debatedor dos cristãos resolva perder seu precioso tempo em um debate para dar espaços a falatórios retóricos como este:

Mas isto fica ainda pior. Existe outra versão da objeção do Dr. Ehrman que é ainda mais falaciosa que o “Erro Escandaloso de Ehrman”. Eu o chamo de “A Mancada do Ehrman”.

E depois, mais para frente, Craig ainda se lamenta por não ter tempo de responder as perguntas feitas por Ehrman… mas é lógico, ele usa o tempo dele com esses arrombos retóricos, o que ele esperava?

Muitos vão dizer que Craig estava certo e que tinha que denunciar Ehrman mesmo. Mas lembremos que eles debatiam sobre um ponto de disputa e não trocavam acusações numa mesa de bar num boteco de quinta categoria. O que eu vejo a cima é meramente fogos de artifício, que ele usa para agradar seu público e pressionar o adversário. Obviamente, também serve para esconder sua alegação de que Jesus não ressuscitou naturalmente dos mortos, mas sim que foi ressuscitado sobre-naturalmente por Deus.

E pergunto aos que defendem o direito de Craig dizer o que disse: vocês ficariam igualmente satisfeitos se Ehrman tivesse feito a demonstração que o Fomon fez na parte 1 (o link está ali em cima) e tivesse concluído dizendo que seu adversário tinha realizado algo que ele chama de “Cálculos Cretinos do Craig”? Não né? Ouço você pensando: “ah isso seria perda de tempo com retórica desnecessária e ataque pessoal.” Aham, mas o Craig estava só desmascarando…

Se Craig está a par de pesquisas em psicologia recentes como o Efeito de Contar Histórias (ver aqui), no qual as pessoas se tornam mais suscetíveis a acreditar no que ouvem depois de uma introdução composta por historinhas, isso eu não sei. Só sei que conscientemente ou não, ele usa isso muito bem ao seu favor.

Vejam o debate novamente (o vídeo legendado feito pelo Blog Deus em Debate) e prestem bastante atenção dos slides de power point que o Craig usa durante a segunda rodada. Vejam o conteúdo dele e o que ele diz e comparem com o que ele queria dizer com aquilo e verão que estou mais do que correto em afirmar que são meramente cosméticos retóricos, absolutamente desnecessários do ponto de vista intelectual. Craig agiu como o verdadeiro Mr. C da apologia, realizando truques mágicos no Power Point para fazer seus poucos argumentos ficarem gigantescos e impressionantes.

Repito… e olha que ele é melhor dentre os do seu tipo!

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