As poderosíssimas imagens de cérebro e sua assombrosa relevância científica

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Título Original: Nobel da pesquisa maluca ajuda a criticar ciência “séria”
Autor: RAFAEL GARCIA
Publicado Originalmente em: Folha de São Paulo – 20/09/2012 – 22h00
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O Prêmio Ig Nobel – a paródia do Nobel que elege as pesquisas científicas mais esdrúxulas – destaca neste ano descobertas como a de que chimpanzés reconhecem outros macacos olhando fotos de seus traseiros e um experimento que identificou ideias complexas no cérebro de um salmão morto.

LITERATURA: Controladoria Geral do Governo dos EUA por publicar um relatório acerca de relatórios sobre relatórios que recomenda a preparação de um relatório sobre o relatório acerca de relatórios sobre relatórios
** VER TODOS OS VENCEDORES NO ARTIGO ORIGINAL **

Apesar do tom de ridículo, o segundo trabalho foi, na verdade, a denúncia de uma crise na neurociência, área em que revistas técnicas têm publicado estudos com conclusões duvidosas sobre mapeamentos cerebrais.

A lista de ganhadores tinha outros trabalhos inacreditáveis –um deles era sobre o (baixo) risco de pacientes explodirem durante colonoscopias–, e o estudo sobre a mente do peixe acabou meio ofuscado entre os vencedores anunciados hoje.

O experimento de Craig Bennet, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, representa bem o lema do Ig Nobel: premiar pesquisas que “primeiro fazem rir, depois fazem pensar”. Usando uma máquina de ressonância magnética para mapear o cérebro do animal morto, o cientista mostrou que, usando um pouco de estatística sem rigor para interpretar os resultados, é possível tirar qualquer conclusão.

No estudo, Bennet mostrou que o cadáver de peixe tinha empatia e apontou quais áreas de seu cérebro eram responsáveis por isso. “Mostramos ao salmão uma série de fotografias com humanos em situações sociais de valor emocional específico”, diz o estudo. “Pedíamos ao salmão para determinar quais emoções o indivíduo estaria sentindo.”

A parte do estudo de Bennet que não tinha graça nenhuma era um levantamento sobre o panorama atual da pesquisa com ressonância magnética funcional (que vê a atividade do cérebro em tempo real). Em um ano, 26% dos artigos científicos estavam se valendo do mesmo método estatístico que ele mostrou ser frágil. Numa conferência, 79% dos trabalhos tinham esse problema. Isso explica, em parte, a proliferação de estudos atribuindo funções ultraespecíficas a partes do cérebro.

A cerimônia de entrega do prêmio ocorreu nesta quinta-feira, no teatro da prestigiada Universidade Harvard (EUA).

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