Craig x Ehrman Parte 6: A segunda Refutação dos debatedores

O Método Histórico aplicado
a Questões Teológicas

Transcrição do debate em português: Arquivo pdf
Transcrição do debate em inglês: Arquivo pdf
Vídeo com áudio em inglês e legenda em português: Blog Deus em Debate

Apresento de uma só vez o resumo das duas segundas refutações do debate, primeiro a de Craig e depois a de Ehrman. Como a duração máxima de cada discurso diminui com o prosseguimento do debate, a tendência é que os argumentos vão se tornando mais simples e fáceis e por isso serei mais breve ainda aqui. Meu propósito, repito, não é fornecer um substituto à leitura do debate mas sim um guia que facilite as referências e simplifique os principais pontos.

Parte I – Craig

1. Os Quatro Usos Indevidos

Craig respondeu individualmente às quatro acusações de usos indevidos feitos pro Ehrman em seu discurso anterior. Antes disso, ele reclamou que o discurso anterior de Ehrman possuía uma notável falta de substância.

1.a. Uso duvidoso de autoridades modernas: Craig afirma que simplesmente citar autores de fato não é útil em nada, mas que ele citou argumentos desses autores. Além disso, Craig alega que a grande maioria dos historiadores concorda que os quatro fatos são históricos e que a dúvida é se pode-se inferir deles se Jesus ressuscitou ou não.

1.b. Uso duvidoso de fontes primárias: Craig diz aqui que a passagem Bíblica 1 Cor 15:3-5 cita uma antiga tradição cristã que, segundo James Dunn, data 18 meses após a ressurreição de Cristo. Isso quer dizer que os relatos de Paulo foram feitos muito próximos temporalmente aos acontecimentos e não 25 anos depois dos fatos que narra. Craig afirma que o capítulo 1 Cor 15 como um todo, em especial o quarto versículo, deixam implícita a participação de José de Arimatéa no sepultamento. Por fim, Craig confirma que quanto menos adulterado for um fato, maior é sua credibilidade histórica.

1.c. Uso de reivindicações duvidosas: Sobre a conveniência das mulheres na narração, Craig afirma que isso não faz sentido. Maria Madalena era realmente seguidora de Jesus de qualquer maneira, então elas deveriam estar lá de qualquer forma. (Explicando melhor: porque Marcos inventaria que elas estavam lá se faz todo sentido que elas estivessem lá como seguidoras de Jesus?) Ele também lembra que tais fatos foram atestados por múltiplas fontes independentes.

1.d. Uso de inferências duvidosas: Craig afirma que Paulo ou os demais discípulos jamais achariam que estavam diante uma visão porque a crença judaica naquela época é que os mortos ressuscitavam a partir de seus restos mortais, especificamente de seus ossos. Craig lembra que Estevão teve uma visão de Jesus em Atos 7:56 e pede para Ehrman apontar alguma diferença entre este tipo de aparição (intra-mental) e uma aparição como as que estão nos evangelhos (extra-mentais).

2. Outros argumentos

2.a. Bill argumenta: “sua visão é autocontraditória porque, como ele disse, historiadores não podem fazer asserções sobre Deus, e se este é o caso, então ele não pode dizer que a ressurreição é improvável porque a ressurreição é a hipótese de que Deus ressuscitou Jesus dos mortos.”

2.b. Craig também argumenta que um historiador não precisa ter acesso direto às entidades explicativas em suas hipóteses, a exemplo dos físicos contemporâneos e teorias como a das cordas. Além disso, um historiador não tem acesso direto a nenhum dos objetos de seus estudo pois, como o próprio Ehrman tinha dito, o passado já passou.

2.c. O teólogo por fim afirma que aquele não era um debate sobre o que os historiadores podem ou não fazer, pois este seria um debate sobre metodologia. O debate é sobre se existem evidências históricas para a ressurreição de Jesus ou não e seria uma pena se ele fosse limitado por questões metodológicas.

2.d. As figuras históricas apontadas por Ehrman e que supostamente realizaram milagres falham como argumento porque, segundo Craig, não são sustentadas por boas evidências e que só são mencionadas a partir do segundo século.

Parte II – Ehrman

1. Método histórico

1.a. O problema em pressupor a crença em Deus: Ehrman afirma no método histórico, qualquer pessoa, de qualquer religião, deve ser capaz de olhar para os mesmos fatos e chegar à mesma conclusão. Se um judeu ou um hindu analisa as evidências para Jesus, ele deve chegar às mesmas conclusões que um cristão que faz o mesmo. Mas a proposta apresentada por Craig requer uma crença prévia e pessoal no Deus cristão específico.

1.b. Sobre o argumento de Hume: Ehrman afirma que o argumento de Hume pretende mostrar que milagres não podem acontecer, o que é diferente de seu próprio argumento: o de que milagres são a explicação mais improvável. O argumento de Ehrman é que um historiador não pode mostrar que um milagre aconteceu nem quando ele de fato aconteceu, pois para fazer isso, o historiador deve acreditar que Deus existe, antes de mais nada.

1.c. Explicações Naturalistas: Ehrman fornece uma explicação naturalistas aos quatro fatos complementar à que já tinha apresentado. Ele afirma que existe um livro chamado “Atos de Tomás” que narra a história do irmão gêmeo de Jesus. Então, é possível que o corpo de Jesus tenha sido retirado da tumba por familiares e que as aparições post-mortem sejam meras confusões: as pessoas viram Tomás e o tomaram por seu irmão gêmeo e depois começaram a espalhar boatos de que Jesus tinha ressuscitado, culminando em uma seita de crentes que mais tarde se tornou a base do cristianismo. Ehrman diz que uma história improvável, mas mais provável do que a ideia de que Deus ressuscitou Jesus dos mortos.

1.d.  Mantendo o argumento nos dois caminhos: Ehrman reafirma que se Craig acha que livros como Marcos possuem mais credibilidade, então ele deveria achar que livros como Mateus não são históricos. Isso é incoerente pois, “[s]e ambos os tipos de relatos – adulterados e não adulterados – são igualmente históricos, então não há importância alguma dizer que relatos não adulterados são mais prováveis de ser históricos.”

2. Outros argumentos

2.a. O argumento de que Maria Madalena não é invenção justamente porque ela discípula de Jesus de qualquer maneira não faz sentido. O argumento de Craig é que ninguém daria crédito aos relatos delas de que a tumba estava vazia porque mulheres eram marginalizadas. Ehrman diz que é justamente por serem marginalizadas que foram inventadas, pois no evangelho de Marcos são justamente os marginalizados que entendem Jesus.

2.b. Bill afirma que nenhum judeu do primeiro século duvidaria que o corpo de Jesus desapareceu da tumba caso ele reaparecesse vivo, mas isto é inconsistente com relatos contidos em livros da época como a Segunda Revelação do Apocalipse de Pedro.

2.c. Ehrman pergunta novamente se Craig conseguiu encontrar algum erro nas narrativas Bíblicas e caso negativo, como podemos nos certificar que Craig as analisou com os devidos cuidados.

2.d. Ehrman encerra este discurso com as seguintes palavras, sucintas a ponto de não poderem ser resumidos ainda mais: “Mesmo que nós queiramos acreditar na ressurreição de Jesus, esta crença seria uma crença teológica. Você não pode provar a ressurreição. Este evento não é suscetível à evidência histórica; é fé. Os crentes acreditam na ressurreição e o fazem pela fé; história não pode prová-la.”

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