Emerson “Apologética” Oliveira – Parte 1

Que Emerson Oliveira, o banana por trás das páginas Logos Apologética e Neo-Ateísmo da Depressão do facebook, é um pobre coitado, todo mundo já sabe. Mas a quantas anda o nível do que ele divulga por aí, poucos têm noção. Começo essa série para oxigenar o blog e mostrar o que tem sido feito de novo pelos apologistas wanna be brasileiros. Para eternizar as bobagens que são divulgadas em defesa do cristianismo condensando um um só ponto o pior do pior para não deixar ninguém com dúvidas.

Começo com uma tirinha muito engraçada que ele colocou:

Vamos ser sinceros: alguém viu a graça andando por essa tirinha? E antes que digam que estou meramente defendendo o Boff, já digo: mal conheço o infeliz e não simpatizo nada com o pouco que conheço. Mas acho o cúmulo ver esse tipo de coisa: uma tentativa de ofender absolutamente sem graça, sem nenhuma sacada interessante, sem nenhuma base. Só babaquice pura e gratuita. Porra, Mersão, quer fazer piada, faz! Mas faz uma que tem graça, senão fica difícil né?

Agora olhem essa aqui:

Ele disse que quando um ateu reclama da religião apesar de amar a ciência, ele age como um genro que ama a esposa mas reclama da sogra chata. Ou seja, na analogia FAIL dele, a Igreja Católica é equivalente à sogra chata. Não fui eu quem disse, foi ele. E outra, ao que parece, ele ignora que os verdadeiros pais da Ciência foram os gregos, especialmente Aristóteles. Se duvidam, podem ler o texto “Historiadores” Cristãos: Incompetentes, Desonestos ou Iludidos? do Blog Rebeldia Metafísica.

Mais do que isso, alguém seria obrigado a respeitar a Igreja Católica porque ela é a mãe da Ciência? Não vejo o porquê disso… puro non-sense. E sem contar que nem ficou engraçado também. Falando nisso, tem uma outra montagem sobre esse mesmo assunto:

Para começar, a ciência NÃO se baseia em ideias teológicas. E sim, ela possui base filosófica forte, mas 1) nem todo cientista precisa conhecê-la formalmente muito a fundo para que possa exercê-la corretamente e 2) isso não é mérito nenhum do cristianismo. Os cristãos não criaram a filosofia e nem fizeram os primeiros trabalhos científicos, então não faz sentido dizer que o cristianismo forneceu os fundamentos da ciência.

E mais, os pressupostos para o trabalho científico vêm da lógica, mais especificamente da lógica dedutiva e indutiva. A lógica, como se sabe, tem relações profundas com a filosofia, estando no meio do caminho entre ela e a matemática. Mas é claro que o Vaginética nem sonha com isso, ele quer mesmo é fazer propaganda non-sense. Ele quer dar à religião que ele recebeu dos pais dele um status que ela não tem, provavelmente porque isso ameniza o fardo da existência que ele carrega.

Agora vamos ver o quanto o boçal é mesmo boçal. Vejam ele reclamando dos “posterzinhos da ATEA” e depois comparem com as imagens que ele posta.

Ah sim! Pôsteres da ATEA são realmente lixo. Menos os do Mersão, aí não, aí é qualidade pura, humor de primeira e sacadas geniais. Afe, fala sério! Consistência, humor e senso de ridículo mandaram um abraço pro Vaginética… Aliás, por falar no Dawkins e em ofensas baratas e sem graça, vejam essa:

Como que alguém que posta isso pode reclamar do nível baixo dos ateus? Como?? Não que eu seja contra piadas assim, mas um pouco de consistência e propósito de vez em quando não fazem mal a ninguém. Sem contar que essa piada só fica engraçada mesmo quando a pessoa está fazendo uma boca mais… err… apropriada.. para o bola gato. Senão qualquer foto com boca aberta serve, e o humor perde a graça. Apesar de que a mão está na posição certinha para segurar o falo… ficaria engreçado se ele desse um zoom nela! Mas não dá pra esperar senso de humor de uns frustrados na vida que veem na crença em Deus a única chance de ser algo além de um nada.

Agora vamos ver o Vaginética tentando argumentar sério e ver se pelo menos quando ele se propõe a fazer algo decente, ele consegue.

Quando alguém entender porque a primeira parte está descontextualizada e porque a segunda não está, por favor me explique. Ou estão ambas contextualizadas ou ambas descontextualizadas. Esse texto do Ehrman visa dizer que Jesus existiu mas que a maior parte do que é dito sobre ele é falso. Boatos sobre um profeta correram a região e foram sendo aumentados e distorcidos como num telefone sem fio, até que os evangelistas transformaram tais relatos em “história”.

O problema dessas citações é que enquanto a primeira pode ser usada para convencer alguém que Jesus não existiu, a segunda pode ser usada para convencer alguém de que um ateu crê que os relatos evangélicos são corretos. No pior dos casos, estão ambas mal-explicadas e descontextualizadas.

Se uma pessoa deseja desfazer uma confusão, ela deve desfazer bem desfeito. Até que o Vaginética deu o link para o texto completo, mas vamos ser sinceros: se a ATEA descontextualizou, ele também o fez. Aquele trecho colocado pelo Vaginética passa anos-luz de resumir a tese de Bart Ehrman em seu livro e em sua obra.

Vale a pena dar uma conferida no que Ehrman disse sobre o assunto nesses dois artigos que ele escreveu para divulgar seu livro: um no Huffington Post e outro no Patheos.

It is also true that our best sources about Jesus, the early Gospels, are riddled with problems. These were written decades after Jesus’ life by biased authors who are at odds with one another on details up and down the line. But historians can never dismiss sources simply because they are biased. You may not trust Rush Limbaugh’s views of Sandra Fluke, but he certainly provides evidence that she exists.

The question is not whether sources are biased but whether biased sources can be used to yield historically reliable information, once their biased chaff is separated from the historical kernel. And historians have devised ways of doing just that.

Neste aqui, o Vaginética foi bem mais infeliz:

Ele achou que pode acabar com um livro com dezenas de páginas com apenas duas dezenas de linhas! Ridículo! Vejam que no primeiro parágrafo ele diz que as premissas são falsas e que ainda por cima não apoiariam a conclusão se fossem verdadeiras. Agora… quais premissas? Todas que estão no livro estão com o mesmo problema? E ele não dá nem um exemplo para mostrar isso? Ah, ma vá tomá banho… O que é inútil é dizer algo sem mostrar o porquê. Qualquer demente pode pegar o livro do Craig “Reasonable Faith” e dizer a mesma coisa. Pega o que está escrito ali e troca Dawkins por Craig! Verá que o argumento dele serve para refutar qualquer coisa, independente de estar certo ou errado.

Não estou aqui defendendo o Dawkins, porque nunca li esse livro dele. Mas se o Vaginética acertou, acertou por sorte, pois essa propaganda dele não é capaz de convencer ninguém.

O segundo parágrafo é puro blablabla Não li o livro, mas sei que muitos autores ateus tentam provar que Deus não é perfeito dadas as ações e características atribuídas a ele e dados os fatos sobre o mundo que conhecemos. Se era isso mesmo que Dawkins tentou fazer, então ele não tentou atacar um Deus diferente, mas tentou mostrar que existem incoerências na definição de Deus, que o Deus que eles pregam na verdade não é perfeito. Posso estar enganado, digo baseado no que ateus costumam fazer. De toda forma, sem exemplo, ficamos no máximo com a palavra dele de que é assim e pronto.

O que vemos aqui é basicamente excesso de atitude com escassez de substância em si. Não dá pra discutir com alguém e avaliar suas ideias sem exemplos. Para quem nunca leu o livro, como saber se as críticas contidas no texto procedem ou não? Acreditemos nele? Complicado… Vejam o terceiro parágrafo: não existem argumentos alí, só propaganda. Só alegações. Se ele queria fazer um resumão expositivo, poderia pelo menos deixar links para materiais que provassem o que ele diz.

Por fim, o pior do pior. O Vaginética defende o abate dos principais autores ateus. Sim, já que não pode responder, mate-os, bem mais fácil. Absolutamente lamentável. Ninguém que se leva a sério divulga listas de abate dos autores que não gosta. Crescer que é bom, nada, né Mersão?

Isso é que dá chupar Fruta do Conde demais…

OBS. Desculpem-me pela versão incompleta que divulguei no início da madrugada. Além de estar incompleta e de conter link para um texto do Emerson que só comentarei posteriormente, também estava com o título provisório, que julguei ser muito inadequado. Ele estava programado para ser publicado e esqueci de fazer a revisão final antes disso, então mais uma vez peço desculpas.

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O Dogmatismo Científico do Povão contra a Arrogância Científica

=============================================================== Título Original: O terremoto que abalou a Ciência
Autora: ELIANE BRUM
Publicado Originalmente em: Revista Época – 29/10/2012 – 09h39min
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Ao condenar sete especialistas por não terem previsto o abalo sísmico que destruiu L’Aquila, um tribunal italiano mostrou que o conhecimento científico é interpretado como dogma religioso pelo senso comum.

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)

Na semana passada, um tribunal italiano condenou sete especialistas – quatro cientistas, dois engenheiros e um funcionário público – a seis anos de prisão por homicídio culposo (sem intenção de matar). Seu crime: não ter previsto o terremoto que destruiu a cidade de L’Aquila. A condenação gerou protestos no mundo inteiro. Uma carta de apoio aos réus, assinada por 5 mil cientistas, foi entregue ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano. O ponto principal contra a decisão da Justiça, presente em todas as manifestações, é: “A Ciência, hoje, não tem meios para prever um terremoto. Logo, os cientistas não podem ser responsabilizados por algo que está além da sua capacidade”.

A questão que me parece interessante pensarmos é justamente o avesso: por que o tribunal e a população de L’Aquila acreditaram que a Ciência poderia prever o terremoto, a ponto de centenas perderem a vida e milhares perderem suas casas em nome dessa crença?

Primeiro, os fatos. Em 2009, uma série de tremores atingiu a região de L’Aquila, no centro da Itália, durante meses. Em 6 de abril daquele ano, um terremoto de 6,3 graus destruiu L’Aquila, matando mais de 300 pessoas, ferindo 1500 e deixando cerca de 65 mil desabrigados, além de reduzir o patrimônio histórico e artístico a escombros. Seis dias antes, os sete especialistas, que integravam a Comissão Nacional de Grandes Riscos, haviam se reunido na cidade. Depois de mais de um ano de julgamento, o tribunal acolheu a tese da promotoria: “Os cientistas deram informações inexatas, incompletas e contraditórias”. Ao subestimarem a possibilidade de ocorrer um terremoto de grandes proporções, teriam levado as autoridades a não tomarem providências e a população a não se proteger.

Em uma carta ao presidente italiano, Alan Leshner, CEO da poderosa American Association for the Advancement of Science (Associação Americana para o Avanço da Ciência), enumera os principais argumentos contra a criminalização dos cientistas: 1) As acusações são injustas e ingênuas, na medida em que não há método científico capaz de prever terremotos com precisão; 2) Não é razoável esperar mais do que os cientistas podem fazer com o conhecimento atualmente disponível; 3) Condenar cientistas por supostamente falharem em previsões hoje impossíveis terá efeitos perigosos para o conjunto da Ciência, na medida em que inibirá a livre troca de ideias e a circulação de conhecimento, fundamentais para o avanço de pesquisas científicas de grande interesse público.

São colocações pertinentes e sensatas. Não há conhecimento científico suficiente para prever terremotos, logo não é justo responsabilizar cientistas por não preverem o que não pode ser previsto. Argumentos como estes foram usados pela defesa durante o julgamento, mas foram vencidos por depoimentos como o de Guido Fioravanti, que perdeu o pai no terremoto. Ele contou ter ligado para a mãe, logo depois do primeiro tremor: “Lembro-me do medo em sua voz. Em outras ocasiões, eles teriam fugido. Mas, naquela noite, com meu pai, eles repetiram a si próprios o que a comissão de risco tinha dito. E permaneceram”.

De volta, então, à pergunta do início desta coluna: por que os cidadãos de L’Aquila interpretaram a incerteza da comissão sobre a possibilidade de um terremoto de grandes proporções como certeza, a ponto de permanecerem na cidade mesmo depois do primeiro tremor mais forte?

A Ciência e o método científico são o oposto do dogma. Esta é justamente a sua beleza. Ao contrário da Religião, onde a premissa do fiel é a fé, na Ciência é preciso duvidar. O processo científico não é impulsionado por certezas, mas por dúvidas. E é por causa delas que usufruímos das descobertas impressionantes que se fazem presentes em todas as áreas do nosso cotidiano. Enquanto na Religião é imperativo crer, na Ciência é obrigatório duvidar, testar, provar. A incerteza é, portanto, matéria primordial da Ciência. É sua força – e não sua fraqueza.

O problema é quando a Ciência é interpretada a partir das premissas da Religião. Quando suas conclusões – ou mesmo a falta delas, como foi o caso italiano – são recebidas como dogmas, verdades absolutas e inquestionáveis. Talvez seja isso que possa ter acontecido no terremoto de L’Aquila.

Para os cientistas, como o americano Alan Leshner, é muito claro que – ainda – não se pode prever a ocorrência de um terremoto. E, no caso da Ciência, o “ainda” é muito importante, porque é provável que, no futuro, seja possível prever um terremoto. Mas, por enquanto, o que se pode fazer é reconhecer áreas com risco de abalos sísmicos e tomar precauções para minimizar os danos, como reforçar a estrutura dos prédios – o que está longe de ser pouca coisa. Leshner definiu as acusações contra os cientistas como “ingênuas”. Como se dissesse: “Ora, todo mundo sabe que não se pode prever um terremoto, como eles não sabiam disso”?

Para o pai de Guido Fioravanti e outros tantos milhares de cidadãos de L’Aquila, porém, não era nada óbvio. Para a maior parte da população, se havia possibilidade de um terremoto, os cientistas teriam avisado. Como não avisaram, eles permaneceram em suas casas – e por isso morreram.

Foi um ato de má fé dos cientistas? Não. Foi um ato de má fé da população de L’Áquila? De certa forma, sim. Má fé no sentido de que a Ciência demanda razão – e eles escutaram a palavra dos cientistas como crentes. Os cientistas diziam, possivelmente com palavras menos claras: “Não podemos prever” ou “Não temos certeza”. E a população entendeu: “Não vai acontecer”.

Agora, é importante pensarmos: a população de L’Aquila entendeu mal apenas por ingenuidade, como sugeriu Alan Leshner? Em parte, sim. Mas não só. É preciso perceber que os cientistas estão implicados nessa interpretação equivocada. Se no senso comum acredita-se que a Ciência pode tudo não é porque o cidadão, na Itália ou aqui, tirou isso da própria cabeça. Nosso cotidiano é povoado por pequenos confrontos com a arrogância exercida em nome da Ciência – hospitais e consultórios médicos são um dos exemplos mais triviais nos quais questionamentos têm grandes chances de serem mal recebidos. De tal forma nossa confiança na infalibilidade da Ciência é incorporada no dia a dia que, quando queremos provar ao nosso interlocutor a veracidade de nosso argumento, declaramos: “É científico”. Mesmo na imprensa, é comum buscar alguma pesquisa científica para emprestar credibilidade a uma tese. E até mesmo crenças religiosas, como o criacionismo, são travestidas por alguns grupos como “teorias científicas” para ganhar prestígio junto aos fiéis, quando suas certezas pertencem apenas ao campo da fé.

(Nota do blog: Para saber mais veja o meu artigo sobre Pseudociência.)

A Ciência, seus limites e seus enormes desafios são mal interpretados pela população porque falta divulgação científica de qualidade, cientistas dispostos a explicar ao cidadão quais são as premissas do método científico, as bases para as principais descobertas e o que está em jogo nas decisões sobre o nosso mundo, cada vez mais influenciadas pelo avanço tecnológico. É conhecida a enorme dificuldade que a comunidade científica tem para cumprir sua responsabilidade de se comunicar com a população. Mas também são mal interpretados porque parte dos cientistas esquece sua falibilidade vezes demais na prática cotidiana.

De certa forma, o protesto da comunidade científica internacional pela condenação de seus colegas italianos é: “Por que vocês acharam que a Ciência poderia prever um terremoto”? E a resposta que o pai de Guido Fioravanti talvez pudesse dar, se tivesse sobrevivido, seria: “Porque em algum momento vocês, cientistas, nos levaram a acreditar que podiam tudo”.

Embora a comunidade científica internacional tenha interpretado a condenação dos sete especialistas no tribunal italiano como um ataque à Ciência, talvez valha a pena pensar na possibilidade de ter ocorrido o contrário. Familiares de vítimas, promotoria e juiz supervalorizaram tanto a Ciência que deram a ela poderes que não tem. Se parte da população encontra dificuldades para compreender os princípios científicos que tornam possível uma simples lâmpada acender a cada anoitecer ou um avião atravessar o mundo voando em algumas horas, talvez seja difícil acreditar que cientistas tão eminentes não tivessem podido prever um terremoto. E, por isso, concluíram: “Esses homens, que podem tanto, só não nos salvaram porque foram negligentes”.

Os sete condenados estão pagando individualmente por uma crença coletiva. Estão pagando por uma visão da Ciência na qual há muitos protagonistas envolvidos, nas mais diversas esferas da sociedade. Espero que a condenação seja revogada nas instâncias superiores do Judiciário italiano. Mas seria uma pena que o episódio ficasse reduzido a certo e errado, conhecimento e ignorância, “nós que sabemos” contra “vocês, os ingênuos”.

Os 5 mil cientistas que assinaram a carta de protesto contra a condenação têm a obrigação moral de refletir sobre por que milhares de cidadãos de L’Aquila interpretaram a incerteza de seus colegas como certeza. Têm a obrigação moral, também, de compartilhar a responsabilidade sobre essa interpretação equivocada, que resultou na morte de mais de 300 pessoas. Se não fizerem isso, só estarão colaborando para que a Ciência continue a ser mal compreendida, abrindo espaço para novas tragédias humanas, quando não para um julgamento como este, que deixou cada um deles temeroso de divulgar informações científicas relevantes para o público, porque poderão ser julgados depois não pelo que sabem, mas pelo que não sabem.

Há ainda uma outra dimensão sobre a qual vale a pena pensar. Vivemos numa época na qual a ilusão de controle alcançou níveis perigosos. Diante da nossa abissal fragilidade, da incerteza de estar vivo no dia seguinte, do imponderável que trespassa cada existência, agarramo-nos a qualquer fantasia de poder controlar e impedir catástrofes. Mas se avançamos imensamente, em grande parte por causa da Ciência, continuamos presos ao nosso trágico destino humano, no qual a única certeza é o fim. Talvez ainda mais difícil de aceitar, agora que já conquistamos tanto.

Ao sentir o chão tremer debaixo dos seus pés, talvez o pai de Guido Fioravanti tenha atribuído poderes à Ciência semelhantes aos emprestados pelos homens pré-históricos aos primeiros deuses. Como não podem botar nenhuma divindade no banco dos réus, os cidadão de L’Aquila, devastados pela dor, culpam aqueles que encarnam um lugar de grande poder, saber e prestígio no mundo atual. Continuam sem querer perder as ilusões de controle, sem conseguir lidar com a incerteza de que outro terremoto não vá acabar com tudo outra vez. Os sobreviventes de L’Aquila podem estar punindo os cientistas por uma promessa que talvez nunca seja cumprida: a de que a Ciência um dia possa nos salvar de nosso destino mortal. Uma fábula que, como sabemos, os cidadãos de L’Aquila não inventaram sozinhos.

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance – Uma Duas (LeYa) – e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. Foto: Revista Época

elianebrum@uol.com.br | @brumelianebrum

Apologista Vigiado: Emerson Oliveira

Normalmente, começo meus textos da sessão apologista vigiado com explicações sobre o porquê de eu considerar a figura em questão um apologista. Emerson Oliveira dispensa esse esforço: ele tem uma página no facebook chamada Logos Apologética, então é óbvio que ele é apologista. Detalhe: ele também tem canal no Youtube e um blog.

Em seguida, tento justificar porque esse apologista em questão merece ser colocado no rol de vigiados da WatchGOD, mas Emerson é tão gente fina que dispensa isso também! É só olharem o nível das sandices que ele põe na Logos Apologética e na sua outra página Neo-Ateísmo da Depressão que vocês verão em menos de cinco minutos que ele é um grande merecedor de estar aqui. Montagens mal-feitas com ideias mal-elaboradas e ofensas gratuitas são lugares comum ali.

Para quem não sabe, a expressão Logos Apologética rendeu ao Emerson a alcunha carinhosa de Vaginética, e ele até já ganhou uma música que coloquei aqui no blog. Isso significa que ele é amiguinho da Fruta do Conde, a frutinha que mais dá em Belém do Pará! Aliás, eu bem que gostaria de saber se o Vaginética gosta de chupar a Fruta do Conde hehehe

De tempos em tempos, farei um apanhado geral no face do Vaginética e trarei aqui para vocês se divertirem um pouco e para mostrar alguns detalhes a mais. Por hora, podem ver aqui um compacto com a principal arma que o Vaginética tem contra os ateus: negativar vídeos no youtube! Ah sim, se não podemos responder a altura, vamos denunicar por ser Conteúdo Sexual e negaticar adoiado! Bem mais eficaz!

Até mais!

Fruta do Conde: a frutinha que mais dá em Belém do Pará!

A Fruta do Conde, que dá nome a uma sorveteria famosa daqui de Uberlândia, é uma fruta que, apesar de ser bem brasileira, é desconhecida pelos brasileiros em geral. Ela lembra a graviola, mas sua casca é bem mais escamosa. Tem um sabor bem forte e fica muito boa com leite. Seu nome científico é Annona squamosa e ela é típica de regiões quentes, tropicais, e não suporta temperaturas baixas.

Uma outra fruta que dá muito na região tropical do Brasil e que também é um conde, é o Conde Loppeux de la Villanueva. E como essa fruta dá, misericórdia… acho que todo mundo em Belém do Pará já comeu.

O referido Conde não gostou muito da série que fiz sobre ele recentemente e veio aqui no meu blog me xingar e floodar minha caixa de comentários. Ele aproveitou que os comentários aqui são liberados e chegou a publicar seis deles seguidos! Quando passei a moderar os comentários dele, ele ainda tentou capitalizar em cima, chamando de censura. E ainda demonstrou não ter ideia do que seja flood. Paciência…

Este post aqui é para responder ao desafio que ele pediu para eu fazer a ele. Vocês podem ver como foi a conversa na parte 3 da série. Basicamente, ele pediu que eu o desafiasse a um debate. Eu disse ok, propus um tema, esbocei as regras e disse que seria via textos. Daí ele mudou o tema para um completamente genérico e sem sentido e disse que queria que fosse ao vivo e gravado. Supus que ele queria que fosse pessoalmente e pedi a ele que pagasse minha passagem aérea. Mas daí ele veio dizendo que queria fosse pelo skype e que eu estava sendo engraçadinho e que estava complicando as coisas para fugir. E achou ruim porque falei que não entendi que seria pelo skype porque ele não tinha mencionado isso. Ah, vá… agora tenho que adivinhar tudo?

O mais divertido de tudo é que ele se nega ao debate fingindo que não entendeu a proposta, quando o trecho que ele cita está claro em afirmar que o debate será gravado via skype ou langout. O rapazinho é um cagão mesmo! Está fugindo!

Conde

É mole isso? Isso sem contar com a sessão de flood épica, seis comentários em menos de 15 minutos:

6 de outubro de 2012 às 08:59
6 de outubro de 2012 às 09:00
6 de outubro de 2012 às 09:01
6 de outubro de 2012 às 09:06
6 de outubro de 2012 às 09:08
6 de outubro de 2012 às 09:12

A impressão que tenho é que ele queria que eu desistisse para poder capitalizar em cima. É mais bonito colocar no currículo dele: “fui desafiado pelo Bruno Almeida, que posteriormente desistiu do debate por perceber o que não tinha percebido na hora que fez o desafio: que ia perder o debate!”

Ah, mas me poupe, Conde!

Na parte 4, ele faz outra sessão de flood: três comentários em dois minutos mais um comentário alguns minutos depois em outro post. Isso parece desespero porque É desespero, não há outra forma de avaliar esse comportamento infantil. E ainda veio dizer que modero os comentários dele porque tenho medo dele! Ah, mas quanta pretensão a deste garoto! Se eu pelo estivesse escondendo os “argumentos” dele, mas não estou deixando de aprovar nenhum comentário, só deixo na geladeira por uns dias para punir o flood.

E outra, de onde ele tirou que faço isso por covardia? Que nuance do meu comportamento revela medo? Quando eu chamo ele de desesperado, digo que conclui isso tendo em vista o excesso de comentários em intervalos curtíssimos de tempo, típico de alguém em um ataque de fúria. Agora, como meu comportamento seria diferente caso eu não estivesse moderando os comentários dele por covardia ou caso a covardia fosse um fator menor? Como meu comportamento seria diferente neste caso para que o Conde pudesse concluir isso?

Vou ser curto e grosso: o Conde me instigou a fazer o desafio, certo? Então, eu o propus. Ele pediu para mudar o tema e isso eu não aceito. O tema que propus é específico e não dá brecha para ele (e nem eu) ficar fugindo do tema toda vez que for apertado. Falar de Idade Média em geral é ruim, porque se mostro um problema num argumento dele sobre sexualidade, ele muda para economia. Se ele mostra um erro num trecho meu sobre tecnologia, posso mudar o assunto para política. E por aí vai… Não, isso não dá certo. O tema que propus já é excelente por si só: “A moralidade cristã da Idade Média é melhor do que a noção contemporânea de moralidade?” Se alguma das partes não sabe sobre o assunto, isso ficará evidente. Não precisa colocar um tema genérico para evitar esse tipo de situação.

Outra, não quero fazer por skype. Não me opus a princípio, mas mudei de ideia. Prefiro fazer por textos. E ele que não venha dizer que isso me ajuda a mentir, pois ajuda tanto a mim quanto a ele. Ele que vá chupar rola se acha que é mais honesto do que eu: não estou nem aí para auto-idealização dele. E mais, se achar que estou mentindo, mostre a mentira e pronto.

E um recado direto para o Conde: se está disposto, use seu blog e diga que está. Mostre a seu público que está sendo desafiado, não esconda isso deles postando aqui. Ignorarei comentários sobre o desafio se você não postar nada no seu blog. E pare de complicar as coisas. Debate por escrito requer menos tempo de uma só vez, permite mais flexibilidade de horário e menos esforço. Sei que você é desocupado, mas eu não sou, e tenho dois orientadores no meu pescoço e ensaios de laboratório para fazer. Já adianto que não aceito mudança no tema e nem na forma do debate. Qualquer outra proposta será analisada, menos essas duas. E chega de criar dificuldades e tentar forçar a barra para eu desistir. Ou vai, ou racha.

Se aceitar o desafio, proponho as regras, que em seguida passarão por revisão. Você irá publicá-las em alguma mídia social ou em seu blog dizendo que aceita as regras. É lindo ficar colocando no seu currículo uma desistência minha (que não aconteceu) e esconder do seu público a verdadeira história. Safadeza tem limite… assuma publicamente que está sendo desafiado, ou o desafio fica anulado.

Por fim, se discorda do debate que EU PROPUS, entendeu, que EU PROPUS, decline-o, oras! Decline-o e proponha outro a seu bel-prazer. O debate foi proposto por MIM, então ele vai ser sobre o tema que escolhi e pelo meio que eu achei mais conveniente para poder conciliar com minhas atividades. Mas covarde como acho que é, vai declinar este em segredo e só vai divulgar para seu público o que você vai propor. Então, por favor, queime minha língua… aceite o desafio ou o decline publicamente em seu blog. Não seja covarde como alega que sou, mostre que pelo menos um de nós é homem.

Ressonância Magnética do Cérebro da Fruta do Conde que roubei do médico dele.