Você quer só ganhar o debate? – Parte 2: Prove o que sei que está errado

Aproveitando o artigo Pseudoceticismo: pode isso, Arnaldo?, vou comentar algumas considerações que tenho. Lá eu disse que só se investiga o que não se sabe, certo? Pois então. Suponha que você tem certeza que o universo seja finito no tempo, certeza absoluta mesmo. Isso não é sequer uma conclusão derivada de fatos, você acha que isso é um fato mesmo. Existe alguma coisa que alguém possa dizer que te provará que isso está errado? Neste caso, é claro que não!

Se você sabe que a Rita matou o João porque você viu isso e um policial chega pra você e diz: “Olha, abrimos um inquérito para investigar o assassinato do João e tudo aponta que o Márcio foi o assassino.” Como você vai reagir? Dizendo “prove, proove, prooooove!!!!!!!11!!”? Óbvio que não. Você sabe que ele não pode oferecer provas verdadeiras porque você sabe que aquilo não aconteceu. Você sabe que as provas que ele apresentar serão falsas. Então se você é uma pessoa normal, você dirá como você sabe que foi a Rita que matou João.

Se você sabe de algo, você não pede provas a quem alega o contrário, você explica PORQUE é o contrário.

Ou será que estou falando muita besteira? Creio que não. Se você tem certeza de algo, então não faz sentido requerer provas àquele que alega o contrário. O sensato é: como você sabe (ou acha que sabe) que o outro está errado, mostre isso a ele. A não ser que você seja um torturador sádico querendo ver o outro se debater para provar o que não pode ser provado, então você só pode ser incapaz de provar o que você (acha) que sabe.

Requerer provas é uma atitude de quem considera que há alguma que possa ser dita e que seja capaz de mudar sua convicção. Caso contrário, é uma requisição tola. E supérflua, porque força o outro a perder tempo fornecendo provas que não vão surtir o efeito almejado.

Por exemplo, se você não viu a Rita cometendo o crime, mas tem certeza disso por algum motivo que nem você saiba, ou por pura teimosia, então ficar pedindo provas pro policial que acha que foi o Márcio parece a melhor saída mesmo.

O criacionista que fica gritando “prooove que a evolução aconteceu, ateu, proooove!!1!!” provavelmente não pode defender seu ponto de vista. Se pudesse, o faria ao invés de pedir algo que ele (acha) que não pode ser feito.

Mas como pedir provas e depois comemorar o fato delas não virem ganha muitos debates, principalmente aqueles feitos para plateias mais bobas, a prática acaba sendo popular. Fazer o que, quanto mais debates o crente ganha de maneira desonesta, mais feliz Deus fica, né?

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