Imagens aleatórias

Começo com um tema mais polêmico do que mamilos: o estado LAICO. Não vou entrar na onda de certos sites por aí que ficam gritando: “O Estado é laico, laaico, laaaaaico!!1!” o que não quer dizer que eu seja contrário á laicidade. By the way…

Por exemplo, discordo que a bancada evangélica seja uma afronta ao tão aclamado Estado Laico, e na verdade até torço por ela. Misturar religião com política é a cartada final do desespero brasileiro. Depois que verem que nem ela presta, finalmente perceberão que não existem heróis para salvar a pátria, que Não há mais lugar para redentores no Brasil, e finalmente se tornarão mais adultos e maduros. E de tabela, desconfiarão mais das religiões heheh

Em contrapartida, concordo quase que totalmente com a retirada dos símbolos religiosos das repartições públicas. Não que eu me sinta ofendido quando vejo uma cruz, mas não deixo de achar a decoração cafona. Ateus também possuem senso estético. O problema maior mesmo é de ordem prática: imagina se os advogados começam a apelar de sentenças usando o argumento de que o tribunal é religioso e que seu cliente perdeu porque é ateu? Imagina um ateu psicopata sendo solto por causa de uma babaquice como essa? Imagina a sobrecarga gerada por milhares de apelações simultâneas com o mesmo teor?

Imagina um Tribunal Desportivo que condena o Vasco por uma infração, sendo que possui um escudo do Flamengo na Sala de Julgamentos? Qualquer um poderia contestar a sentença, não? É complicado…

E esse argumento de que o cristianismo é histórico? Uma piada completa! Um tribunal é um tribunal e não um museu. Quem quer saber mais sobre o nosso período de colonização, que visite um museu de história brasileira ou leia um bom livro de história. Tribunal não é lugar para isso.

E o argumento de que Jesus inspira a justiça então? “Serve para lembrar os juízes de que o maior de todos os homens foi condenado injustamente.” Injustamente uma ova! A lei foi cumprida, ninguém feriu nenhuma lei ao colocar Jesus na cruz! Talvez isso seja uma inspiração para que legisladores não façam leis que condenem tanto criminosos comuns quanto deuses: estes últimos devem ter liberdade constitucional de agirem de forma criminal. E se você acha que essa última frase não tem nenhum problema, então você tem sérias dificuldades de diferenciar ‘lei do homem’ de ‘lei de Deus’. Jesus mesmo disse que são coisas diferentes, não é mesmo?

Para terminar essa parte com chave de ouro, o argumento de que também é usada a imagem da deusa Dice. Em primeiro lugar, ninguém acredita nela como uma deusa aqui no Brasil. O Helenismo é considerado uma religião extinta. E isso faz toda a diferença, pois a lei não permite o apoio a cultos e não podemos cultuar uma religião que não existe mais. Além disso, Dice não é encarada como uma divindade a ser reverenciada, mas como uma representação de uma virtude. Tanto é que nem existem textos escritos por ela/sobre ela orientando qualquer pessoa a agir de qualquer forma. Diferentemente do caso de um certo judeu que morreu crucificado por agir como um rebelde político. (Fora que a deusa Dice é uma decoração bem mais agradável do que um marmanjo peladão morto e pregado numa cruz.)

Agora vejam a capa desse livro:

Sim, eu sei que é assunto velho e requentado, mas e daí? Old, but gold… não é como dizem? Proponho aqui uma pequena reflexão: você já viu ateu colocando na capa do livro que é ex-cristão? Esse negócio de ex-não-sei-o-quê é puro marketing para pegar otário. O fato de alguém ser ex-alguma-coisa não que dizer muito, aliás, não diz quase nada. Não sei o que diabos deu na cabeça de Antony Flew ao colocar na capa de seu livro os dizeres “How the world’s most notorious atheist changed his mind” (Como o ateu mais notório do mundo mudou de ideia), mas o fato é que ele apelou para o mesmo tipo de estratégia que muitos pastores adotam por aí, como o do panfleto aqui embaixo. Sinal que sua reconversão foi pra valer mesmo.

Ok, tudo bem que a diferença é que Flew (provavelmente) diz a verdade e que o pastor está mentindo (pelo menos na questão de ter filhos com uma mulher sem útero). E Flew não aceitou Jesus, só se tornou deísta. O que quero dizer é que o efeito psicológico pega-trouxa é o mesmo.

Esse último aqui não é tão conhecido assim, mas mesmo para quem já viu, sempre vale a pena rir um mais um pouco dos contorcionismos praticados pelos negacionistas da ciência para fingir que ela não é tão confiável quanto é.

Bem, já que o autor deste texto nunca sentiu a energia elétrica, sugiro a ele que coloque seu dedinho especialmente projetado por Deus na medida certa para segurar bananas e fique lá por alguns minutos (o primeiro link é imperdível, mas esse aqui também é divertido). Será bom pra ele, que vai ir ver o Papai do Céu mais cedo, e bom pra humanidade, que vai ficar livre de certas baboseiras. Ele bem que fez por merecer um Prêmio Darwin, não concordam?

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