Craig x Ehrman Parte 5: A primeira Refutação de Ehrman

Quatro Respostas e Três Perguntas

Apolônio de Tiana

Transcrição do debate em português: Arquivo pdf
Transcrição do debate em inglês: Arquivo pdf
Vídeo com áudio em inglês e legenda em português: Blog Deus em Debate

Depois do argumento matemático apresentado em um único e bem arquitetado golpe, chega a vez de Ehrman discursar novamente. Ele diz que uma mera prova matemática não mudará a opinião dele e em seguida apresenta quatro respostas às afirmações de Craig, seguidas de três perguntas que ele considera conclusivas para o oponente.

1. Quatro Respostas

1.a. Uso duvidoso de autoridades modernas

Neste ponto, Ehrman critica a atitude de Craig de usar sistematicamente referências a estudiosos modernos como forma de tentar aumentar sua credibilidade. Em primeiro lugar, o fato de várias pessoas concordarem com as conclusões dele não significa que elas estão corretas. Ehrman poderia citar que a maioria dos historiadores discordam de Craig, mas isto não significaria nada no debate. Além disso, as referências dele em geral também são cristãs e compromissadas com a autenticação do Novo Testamento, ou seja, são tendenciosas e de uso bem duvidoso. Por fim, Ehrman alega que conhece alguns dos que foram citados por Craig e garante que estes conhecidos não sustentam a mesma conclusão de que Jesus ressuscitou. Usando as palavras do historiador: “… sua impressionante lista de citações é tendenciosa, parcial e falha na tarefa de nos contar a história real, na qual ele representa a parte minoritária no debate.”

1.b. Uso duvidoso de fontes primárias

Ehrman diz que Craig erra ao dizer, por exemplo, que o apóstolo Paulo afirmou que José de Arimatéa sepultou Jesus em uma narrativa feita cinco anos após este acontecimento. Contudo, diz o historiador, Paulo nunca citou José de Arimatéa e escreveu suas narrações 25 anos após a suposta morte de Jesus. Além disso, Ehrman conta que nos escritos e Bill consta que Marcos apresenta uma narrativa livre de adulterações e que por isso é mais provável de ser histórica. Mas se é assim, ele tem que reconhecer que Mateus não é um relato histórico, por ser o livro mais adulterado de todos. Este raciocínio responde, segundo ele, à objeção anterior de que relatos posteriores e adulterados não diminuem a confiança dos primeiros relatos.

1.c. Uso de reivindicações duvidosas

Ehrman responde agora à alegação de que as histórias das mulheres serem as primeiras a verem a tumba de Jesus vazia e de Jesus ser sepultado por José de Arimatéa jamais poderiam ter sido inventadas pelos primeiros cristãos. Sobre a história as mulheres, Paulo jamais as cita. O primeiro a citá-las é Marcos e este faz uma reflexão teológica a respeito do sentido da vida de Jesus, sustentando a tese de que quem entendeu Jesus não foram os homens, nem os discípulos e nem os sábios, mas os renegados que o entenderam. Dessa forma, a narrativa das mulheres na tumba se encaixa perfeitamente na “agenda” de Marcos. A falha de Craig em analisar a natureza das fontes o impede de ver porque os autores dos evangelhos inventariam alguma coisa. O mesmo pode ser dito sobre José de Arimatéa: é muito conveniente para a história de Jesus o fato de ele ter um seguidor secreto entre os líderes judeus, é muito fácil entender porque uma história como essa seria inventada.

1.d. Uso de inferências duvidosas

Segundo Ehrman, Bill infere que Paulo acreditou na tumba vazia porque ele falou nas aparições de Cristo. Mas essa ideia é problemática porque naquele tempo as pessoas consideravam normal verem corpos espirituais. Ele cita alguns exemplos de fontes daquelas épocas narrando que era muito comum visões de pessoas que já morreram e alega que os discípulos podem ter presenciado uma visão de Jesus. Ou seja, ao verem Jesus, eles não necessariamente acharam que Jesus ressuscitou – como Craig afirma – mas sim que estavam diante de uma visão. Segundo Ehrman “[p]ara pessoas daquela época, aparições post-mortem não eram sinônimos de reanimações de corpo.” Inclusive, o corpo de Jesus “ressuscitado” podia fazer coisas que corpos normais não podiam, como entrar em salas trancadas por dentro.

1.e. Conclusão

Ehrman reafirma que historiadores não podem pressupor a existência de Deus ao tirar suas conclusões. Afirmações que fazem tal suposição são por natureza teológicas e, portanto, inalcançáveis ao método histórico. A história pode até concluir que Jesus morreu numa cruz, mas só a teologia pode dizer se Deus aceitou seu corpo como uma expiação. A história pode dizer que Paulo afirmou ter visto Jesus após sua morte, mas só a teologia pode dizer se Jesus de fato ressuscitou e saiu da tumba.

2. Três Peguntas

2.a. Bill, que alega ser um historiador, analisou criticamente os documentos que usou em sua pesquisa? Se sim, ele foi capaz de encontrar algum erro neles? E se ele não encontrou nenhum erro, como espera que acreditemos que ele está avaliando historicamente tais fontes? Por ser um adepto da inerrância bíblia, Craig deve pensar que os textos necessariamente são corretos.

2.b. Existem relatos feitos nos tempos de Jesus de outras pessoas que realizaram milagres. Estaria Bill disposto a acreditar que “Apolônio de Tiana” também ressuscitou dos mortos? Estaria ele disposto a discutir sobre as evidências de milagres realizados por conterrâneos de Jesus a parte da tradição cristã?

2.c. Como é possível que os milagres nos quais Craig acredita desde a adolescência sejam os únicos que possuem evidência histórica? Seria mera coincidência o fato de ele ter nascido na única cultura religiosa que pode ser provada historicamente?

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