Falácias: uma breve introdução

Falácias são erros de argumentação ou de raciocínio cometidos durante algum tipo de debate. Estes erros podem ser puramente lógicos, mas também podem ter origem no conteúdo psicológico e emocional em maior ou menor escala. As falácias que possuem o primeiro tipo de erro são as falácias formais, que nada mais são além de argumentos inválidos. Já as demais são as chamadas falácias informais. Vejam estes dois exemplos:

  1. Todos gatos são animais. Tom é um animal, logo ele é um gato.
  2. Bill Gates é rico, logo os softwares da Microsoft são melhores.

O primeiro exemplo se trata de uma falácia formal bem conhecida e simples, apelidada de “Afirmação do Consequente”. Nota-se aqui que apesar da conclusão ser verdadeira, o argumento é inválido e, portato, falacioso. Já o segundo exemplo é basicamente um apelo à emoção, apesar de ser válido. Vejamos sua forma lógica e sua reescrita em um formato mais acadêmico e formal:

A implica em B.
A.
Logo, B.

A riqueza do dono de uma fabricante de softwares atesta a qualidade de seus produtos.
O dono da Microsoft é rico.
Logo, os softwares da Microsoft são de qualidade.

Notem como o argumento 2 é válido porém falacioso. A premissa oculta, que no caso é a primeira do silogismo, normalmente é aceita inconscientemente, principalmente quando não vem explícita. Torná-la implícita aumenta consideravelmente as chances das pessoas aceitarem o argumento por não perceberem onde está o erro.

Bons manuais de falácias não podem se limitar a análises lógicas da validade dos argumentos, já que muitas vezes o problema não está neste aspecto. Logo, estudar o aspecto informal dos argumentos também é de extrema importância. E apesar de existirem bons manuais com nomes para todo tipo de falácia informal, acredito que a melhor abordagem é transformar o argumento em silogismo e explicitar todas as suas premissas. Digo isso porque automatizações podem facilitar nossa vida ao dispensar a necessidade de raciocinar, mas também podem nos trair e nos fazer distorcer argumentos.

Por exemplo, a falácia 2 é conhecida como “Argumento Ad Crumeam”, ou “Apelo à Riqueza”. Mas algum desprivilegiado intelectualmente pode simplesmente ler a palavra ‘rico’ no meio de um argumento e fazer uma “Falsa Acusação de Falácia”, ou seja, acusar o interlocutor de apelar à riqueza somente por que usou a palavra rico.

Falácias formais também possuem apelidos mas normalmente não são vítimas deste tipo de problema. Mas no caso de falácias informais isso é muito comum e, portanto, irei evitar esse tipo de abordagem. Darei preferência a mostrar como destrinchar argumentos, montar silogismos e detectar a falha sem precisar decorar nomes de falácias.

Sobre intencionalidade: algumas falácias são completamente não-intencionais e algumas são completamente intencionais, sendo que há ainda aquelas intermediárias, nas quais o autor propositalmente não toma os devidos cuidados de revisão e de auto-crítica. Devemos tomar cuidado ao chamar de desonesto alguém que acabou de cometer uma falácia ou de não achar que foi chamado de desonesto porque foi acusado de falácia. O pobre Bruno Almeida já foi vítima deste último tipo de equívoco…

Por fim, porque estudar falácias? Em debates formais, eu não preciso nem explicar qual a utilidade, preciso? Quando você aponta uma falácia (corretamente), você tira um argumento contrário a você da jogada. Se você usa um contra-argumento, você pode só enfraquecer o argumento adversário mas dificilmente irá destruí-lo. Mas uma falácia destrói argumentos, tiram eles da mesa; portanto são muito úteis em certas ocasiões. Mas isso também vale para qualquer conversa cotidiana ou qualquer discussão.

Além disso, você se torna uma pessoa mais esperta e começa a ver erros em discursos, em propagandas comerciais ou eleitorais, em anúncios, em notícias, em livros etc. Você acaba por se tornar uma pessoa mais crítica e mais preparada, sendo menos vítima de enganos e enganações.

Por fim, você passa a cometer menos falácias. Uma vez ciente de quais são elas, você irá parar de usar argumentos falaciosos e tomará mais cuidado na hora de criar os seus próprios argumentos. Isso, obviamente, se você desejar debater de maneira honesta. Enfim, razões não faltam.

Sei que há muitos guias pela internet a fora, mas o meu tentará se destacar ao propôr uma metodologia menos automatizada na detecção de falácias. Os motivos para isso já foram apresentados e espero que compartilhem comigo esta opinião.

Abaixo, uma breve coleção de referências que uso nos meus posts, e que recomendo.

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