Greve estudantil?

A greve generalizada que assola nosso país é fato amplamente conhecido. De professores de universidades a policiais federais, dezenas de categorias de servidores federais pararam por melhores salários. Ruth de Aquino resumiu muito bem o que sinto em sua coluna da revista Época que reproduzi aqui no post Uma esquerda elitista e chantagista surge no Brasil. Não tenho porque me expor mais do que isso.

Restrinjo-me a comentar a completa ineficácia das ações dos grevistas, que se limitam a chororôs na mídia e carros-som. Estão dando um verdadeiro chequemate na Dilma, que de tão atordoada não consegue reunir forças para assinar as leis que atendem as suas exigências. Se pelo menos reclamassem e pressionassem direito, a greve já teria acabado.

Mas vim aqui hoje foi para falar de algo que consegue ser ainda mais lamentável (não pior, mas mais lamentável) do que as greves: os trouxas que caem na dos grevistas. Achando que estão revivendo momentos gloriosos de nossa história como as greves do século passado, vestem a camisa sem saber que estão inocentemente tomando no cu no lugar daqueles que estão resguardados de qualquer revés e que serão os únicos a se dar bem. Ora, não é uma greve por melhores serviços públicos ou por melhores condições de oferecer tais serviços, mas uma greve por aumento de um salário que não é baixo (na maioria dos casos). É uma greve dos servidores, é problemas deles. Ajudar o próximo é louvável, mas se fuder para que os outros se deem bem é burrice.

Alunos de universidade que apoiam a greve dos professores por salários maiores e planos de carreira mais “justos” mas que acabam perdendo dinheiro e tempo enquanto os professores não perdem nada são um excelente exemplo.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar: tem alunos que ainda resolvem a oportunidade para decretar greve estudantil! Uma verdadeira piada! A reinvidicação das madames envolve transporte gratuito, creche para alunos que têm filhos, aumento do Restaurante Universitário para diminuir filas… os seres super-humanos acham que a universidade tem dinheiro para fazer tudo que eles querem! E pior, acham que só porque passaram numa Universidade Pública que têm direito a comida barata e sem fila, creche e transporte gratuitos etc. Quando eu falo que a esquerda brasileira se tornou elitista, não é a toa.

Alguns desses revolucionários de beira de estrada deveriam ir conhecer alunos de universiades particulares. Porque não visitam a Unitri ou a Unipac aqui de Uberlândia a noite para verem o que ocorre em lugares assim: centenas de alunos que trabalham de dia para pagar os estudos à noite, muitos deles não são daqui da cidade, e que vivem de trabalhar e estudar. Muitos têm filhos e pagam creche. Muitos compraram motos em 60 vezes para poder seguir a rotina. Seria a nova esquerda brasileira composta de seres tão excepcionais e superiores que não podem trabalhar um pouco além de estudar para terem o tão sonhado diploma? Não precisa ser um trabalho integral, algo de meio período que não comprometa os estudos já basta! A qualidade do ensino público brasileiro não vai piorar porque certas madames vão ter que trabalhar um pouco, de forma alguma.

E para piorar, a greve deles é totalmente inútil. Em primeiro lugar, escolheram para fazer ela enquanto os professores fazem a deles. Assim, os corajosos grevistas não precisam lidar com as coordenações de curso por matarem as aulas… já que não existem aulas! Hahaha! Em segundo lugar, ninguém está se lixando para eles. Só eles mesmos se dão alguma importância; governo, funcionários da universidade e demais alunos no máximo se sentem envergonhados. Em terceiro lugar, suas mobilizações de greve são nulas em termos de resultados. Atos culturais como os realizados na frente do RU da Universidade Federal de Uberlândia são um verdadeiro soco no ar, tão inúteis que não consigo dizer que foi um chequemate contra a reitoria nem de maneira sarcástica.

No panfletinho que eles distribuiram, ficaram chorando porque a reitoria está ignorando eles. Oh! coitadinhos! Uma meia dúzia fica reinvidicando direitos que não precisam que seriam pagos com dinheiro que a universidade não tem e fazendo panfletos e atos culturais para atrapalhar o almoço dos outros estudantes que não se importam e ainda fazem bico porque foram ignorados! Ah vá…

Vejo esses alunos como uns iludidos que acham que estão agindo como os heróis das greves de décadas atrás. As greves antigas que trouxeram vários direitos que os trabalhadores realmente precisavam foram de fato heróicas, corajosas e eficazes. Mas agora tem uns românticos que apoiam greves dos outros (ou que entram em greves utópicas como a estudantil) pelo prazer de estarem de greve, pelo significado e pela história e não porque querem algo de útil.

A esquerda brasileira parece caminhar entre o elitismo e a utopia.

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