Craig x Ehrman Parte 2: Discurso de Abertura de Craig

Os Quatro Fatos sobre a Ressurreição de Cristo

Transcrição do debate em português: Arquivo pdf
Transcrição do debate em inglês: Arquivo pdf
Vídeo com áudio em inglês e legenda em português: Blog Deus em Debate

Nesta segunda parte da série, irei expor os principais argumentos apresentado por WL Craig em seu discurso de abertura. Não trarei aqui, por enquanto, nenhuma consideração externa, me atendo apenas ao que foi exposto pelo debatedor de forma resumida e imparcial.

Craig começa sua abertura atentando para as principais semelhanças sua biografia e a de Ehrman, usando a posteior separação de caminhos (um continuou cristão enquanto o outro se tornou ateu) como deixa para o início de sua argumentação.

A primeira consideração importante de Craig se trata de afirmar que é possível sim crer na ressurreição de Jesus mesmo sem tais evidências históricas que ele pretende apresentar, baseando-se apenas na experiência pessoal. Em seguida, ele diz ter estudado a argumentação de Ehrman contra as evidências históricas para qualquer tipo de milagres e observou que tal argumento era velho conhecido dos estudiosos cristãos e falacioso. Mesmo assim, julgou que seria melhor esperar a outra parte apresentar o argumento antes de demonstrar sua falha. Por fim, antes de apresentar os quatro fatos – a base de sua argumentação – ele destacou haver uma diferença entre evidência e melhor explicação para a evidência, salientando que o correto seria se Ehrman defendesse que a ressurreição não é a melhor explicação para as evidências e não que não existem evdências para a ressurreição.

Enfim, Craig parte para a exposição de seu argumento histórico pela ressureição de Jesus:

(I) Existem quatro fatos históricos que precisam ser explicados por alguma hipótese histórica adequada: o sepultamento de Jesus, a descoberta de seu túmulo vazio, suas aparições post-mortem, e a origem da crença dos discípulos em sua ressurreição; e
(II) A melhor explicação para estes fatos é que Jesus ressuscitou dentre os mortos.

Em outras palavras, (I) são os fatos ou as evidências e (II) é a melhor explicação para tais evidências. Só a título de curiosidade, Craig passou quase 50% do seu tempo apresentando os quatro fatos históricos. Resumidamente, ele diz o seguinte:

Fato #1: Jesus morreu na cruz e depois sepultado numa tumba por José de Arimatéia. As evidências para este fato são:

  1. Existem pelo menos cinco fontes independentes e temporalmente próximas ao suposto fato que atestam sua ocorrência, a saber: os quatro evangelistas mais Pedro.
  2. O sepultamento de Jesus por José, um membro do Sinédrio Judaico, é muito provável já que é quase inexplicável os cristãos inventarem uma história sobre um membro do Sinédrio que faz um bem a Jesus. Segundo Robinson, o sepultamento de Jesus em sua tumba é “um dos mais antigos e melhor-atestados fatos sobre Jesus”.

Fato #2: A tumba na qual Jesus foi sepultado foi encontrada vazia.

  1. Existem várias fontes independentes que atestam que a tumba foi encontrada vazia (basicamente as mesmas do fato #1).
  2. Se fosse uma história inventada, não seriam mulheres a encontrar a tumba vazia já que na época seus testemunhos valiam muito pouco. Segundo Kremer, “a confiabilidade das narrativas bíblicas em relação à tumba vazia é sustentada firmemente pela grande maioria dos exegetas”.

Fato #3: Diversas pessoas viram pessoalmente Jesus vivo depois de sua morte e sepultamento.

  1. Paulo apresenta uma lista de testemunhas oculares das aparições de Jesus e que este dificilmente inventaria tal história.
  2. Os relatos de aparições são atestados por múltiplas fontes independentes, como os dois fatos anteriores. Segundo Lüdemann, “Pode ser tomado como historicamente certo que Pedro e os discípulos tiveram experiências após a morte de Jesus nas quais Jesus apareceu a eles como Cristo ressurreto”.

Fato #4: A crença sincera dos apóstolos na ressurreição de Jesus.

  1. Os apóstolos consideravam Jesus como um líder mesmo depois deste ter morrido, já que a ideia comum de um Messias naquela época não era a de alguém que morreria num cruz como se fosse um bandido.
  2. Os apóstolos acreditaram na ressurreição de Jesus mesmo com o judaísmo da época afirmando que isso era impossível. Craig afirma que seria antijudaico crer na ressurreição de alguém naqueles tempos. Segundo Johnson, “Alguma espécie de experiência poderosa e transformativa é necessária para gerar o tipo de movimento como o do cristianismo primitivo”.

Após apresentar esses fatos, Craig afirma que Ehrman demonstra ceticismo em relação a tais fatos devido a duas razões (antessipando a argumentação dele):

  1. Historiadores não dizem que um milagre provavelmente ocorreu. Aqui, Ehrman confunde, segundo Craig, evidência com melhor explicação para evidências. A ressurreição de Jesus seria uma explicação miraculosa para um conjunto de evidências que existem.
  2. Os relatos bíblicos destes eventos são irremediavelmente contraditórios. Para alegar que isso seja uma objeção séria, Ehrman precisa assumir que (i) tais contradições são insolúveis, sendo que na verdade são contradições aparentes e não contradições reais; (ii) que tais inconsistências se referem a passagens importantes, sendo que na verdade se referem a detalhes e (iii) que todos os relatos merecem igual confiabilidade histórica, sendo que a presença de inconsistências em uma fonte posterior e menos confiável não faz nada para prejudicar a credibilidade de uma fonte anterior e mais credível.

Craig afirma que mesmo Ehrman abandonou suas alegações originais, de tão ruins que eram, e que agora reconhece que Jesus provavelmente foi supultado por José e que a tumba foi encontrada vazia três dias depois.

Em seguida, Craig afirma que várias hipóteses naturalistas foram propostas como explicação para os quatro fatos mas que nem mesmo Ehrman acredita nelas e que a melhor explicação é mesmo a ressurreição de Jesus. Craig então antecipa que Ehrman dirá que a história só pode atestar o que provavelmente aconteceu e que como milagres são altamente imporváveis, um historiador não pode atestar nenhum deles. Por fim, diz a Ehrman que na ausência de explicações naturalistas para os quatro fatos, é perfeitamente racional crer na ressurreição.

Continua…

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