Craig x Ehrman Parte 1: Introdução

Existem Evidências Históricas para a Ressurreição de Jesus?

No dia 28 de março de 2006, no Colégio da Cruz Sagrada na cidade de Worcester em Massachusetts/EUA, ocorreu um debate entre o Dr. Willian L. Craig e o Dr. Bart. D. Ehrman cujo tema foi a pergunta acima (“Existem evidências históricas para a Ressurreição de Jesus?”).

Apresentações dos dois debatedores e a história deles e de suas motivações podem ser facilmente encontradas na internet e não entrarei nesses detalhes aqui. Na introdução do próprio debate existe uma apresentação de ambos, sem contar que quase todo mundo que visita este blog conhece os dois (ou pelo menos o Craig). Como não desejo correr o risco de ficar muito redundante e como desejo encorarjar a leitura do debate, minha omissão é perfeitamente justificável.

Quem quiser assistir o debate pode ir no blog Deus em Debate e escolher até o formato do vídeo. O áudio é o original do inglês com legendas em português. Deixo aqui, mesmo que momentaneamente, minhas divergências com os apologistas para agradecê-los pelo trabalho de tradução, sincronização e hospedagem. Já adianto que não vi os vídeos (dei uma olhadinha só para ver se os links funcionavem), o que fiz foi ler a transcrição, o que acho muito mais prático. Quem também quiser ler o debate pode ir no site da Holy Cross que possui a transcrição em pdf ou no site do Willian Craig, que por sua vez disponibiliza em html; ambos em inglês.

O mesmo pessoal que traduziu o vídeo acima também disponibilizou uma tradução da transcrição para o português. Como não encontrei nenhum site deles que disponibilizasse o link para o arquivo pdf (apesar de ter encontrados vários pdfs perdidos por aí), resolvi hospedar o arquivo aqui: transcrição em português. Acontece que um dos sites apontados no pdf que encontrei não possui o pdf e o outro não existe mais. Não tenho a intenção de fazer parecer que tenho algum mérito nesta tradução, só acho que fazendo assim asseguro a meus leitores que sempre irão encontrar um link ativo para o arquivo quando procurarem. Caso os tradutores desejem que eu forneça um link para o arquivo hospedado por eles, é só mandá-lo nos comentários que incorporo aqui.

Para quem quiser saber um pouco sobre o que o pessoal anglófono achou do debate, basta ir no google e descobrir. As análises que considero mais relevantes e que usarei aqui são a do Atheist Experience e a do Debunking Christianity. São fontes ateístas, mas também vejo os comentários teístas, então nem venham. E para que me assegurar ainda mais contra reclamações, coloco uma análise teísta do blog The Invisible Things, que também possui comentários ateus nas caixas de comentários. Além de minha própria habilidade, contarei com a ajuda de análises de sites como esses para compôr meus textos.

Para começar, trarei aqui um comentário que expressa a reação típica dos teístas a debates do Craig. Este aqui foi feito pelo usuário MrFreeThinker no blog Atheist Experience, que alegava que Ehrman teria sido “detonado” (pwned), e que cuja tradução é a seguinte:

Bart Ehrman fez algumas alegações matematicamente pobres, nas quais ele cometeu equívocos na distinção entre probabilidade intrínseca e probabilidade específica no que diz respeito a milagres. WL Craig foi capaz de usar o Teorema de Bayes para mostrar como seu raciocínio era matematicamente falacioso. Ehrman foi incapaz de revidar as alegações de Craig, mas devolveu ad hominems mais tarde quando disse que ririam de Craig se ele tentasse levar tais cálculos sobre milagres para qualquer universidade secular. WL Craig apontou então que filósofos como Richard Swinburne (um eminente filósofo da ciência da Universidade de Oxford) já tinham realizado cálculos semelhantes – um momento de detonação pura.

A impressão que fica é que Craig fez uma diferença enorme ao construir seu caso em cima do Teorema de Bayes e de análises de probabilidade. Ehrman não só não foi capaz de responder a isso como também fez uma defesa auto-refutante de seu próprio ponto de vista, conforme aponta o usuário Shane no mesmo blog (e também Craig no decorrer do debate):

Mas Dr. Ehrman diz que historiadores não podem dizer nada sobre Deus. Portanto, ele não pode dizer que a existência de Deus é improvável. Mas se ele não pode dizer isso, ele também não pode dizer que [insira qualquer besteira aleatória aqui] é improvável. Logo, a posição do Dr. Ehrman é literalmente auto-refutante.

(Em off: O que aquele modificador ‘literalmente’ está fazendo alí eu não sei. Provavelmente, só de enfeite. E se um teísta cristão chama alegações como a ressurreição de Cristo de besteiras aleatórias – ou random bullshit, quem sou para discordar, não é mesmo?)

Creio que ao destrinchar esses dois pontos, que como os próprios apologistas alegam:  são o resumo da derrota de Ehrman, poderei trazer uma nova luz a quem nunca tenha lido análises mais “profissionais” sobre o debate dos dois. Por profissionais, não me refiro a mim mesmo, mas àqueles que me ajudaram a entender o que o Craig quis dizer em sua demonstração com o Teorema de Bayes. Os demais pontos, menos relevantes, serão feitos por mim mesmo, apesar de eu ser amador.

Então podemos começar nossa jornada. Assistam ou leiam o debate usando os links que já passei para terem uma noção pessoal do debate. (Se estiver com preguiça, primeiro recomendo a largar mão disso e depois, caso insista neste pecado capital, que leia pelo menos a Introdução da transcrição traduzida para terem uma noção do que aconteceu.) Em seguida, poderão ver um resumo do discurso de abertura do Craig (parte 2 da série) e um resumo do discurso de abertura de Ehrman (parte 3). Depois disso, publico o meu parecer sobre a primeira rodada na parte 4 e deixo a parte 5 para o resumo da segunda rodada. E assim vai até o fim.

Continua…

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