Controle de Frame: Sou ateu (Bypass político para pregações apologistas)

Bypass Político

Para entenderem o que é um bypass, observem a figura ao lado. Nela possuímos quatro válvulas: duas amarelas, uma preta e outra cinza. Esta cinza é a válvula principal do sistema e é responsável por fazer com o fluido o que se deve fazer com ele (acionar um motor, por exemplo) As duas válvulas amarelas isolam a válvula cinza do sistema e a válvula preta permite que o fluido passe de um lado para o outro sem passar pela principal. Assim, se precisamos efetuar um reparo na válvula principal, podemos impedir que o fluido passe por ela sem parar a linha. Se não fosse a válvula preta, a única forma de pararmos a válvula cinza seria parando o sistema como um todo, porque não se pode simplesmente fechar as duas amarelas e deixar a pressão implodir os dutos. Com a válvula preta, cria-se um caminho alternativo paralelo que permite suspender a operação da válvula principal toda vez que for necessário. À válvula preta e aos dutos que a ligam ao duto principal, dá-se o nome de bypass.

Mas o que isso tem a ver com o Luciano? Tudo! Há muito tempo que ele esboça o uso da política como bypass a argumentos religiosos. O argumento religioso não deu certo? Liga o bypass. Usar a Bíblia como única referência para condenar o aborto não cola mais? Chame os abortistas de esquerdistas. A sua perseguição a ateus já está ficando chata e entediante? Chame-os de esquerdistas e faça outro caminhão de críticas.

E para que ele precisa do bypass? Ora, porque facilita o trabalho apologista. Ateu nenhum pode mais dizer: “você está se baseando somente na Bíblia” ou “seus argumentos só possuem fundamento se Deus existir”. Então ele criou um meio de não usar essa linha de raciocínio na hora de defender as religiões. Simples e engenhoso, não?

Ele confessa essa estratégia várias vezes. Em Começando a pensar politicamente na guerra intelectual com os neo ateus, ele se mostra incomodado com o fato dos religiosos não terem como lutar contra a retirada de crucifixos de locais públicos usando somente a Bíblia. E depois confessa que o uso do bypass político é o mais eficiente em casos como este.

Por exemplo, os pastores, os padres… como é que estes estão orientando os seus fiéis (considerando o aspecto popular da religião) a reagirem em relação às tentativas de mudanças para retirar os crucifixos do cenário público? Como orientam os seus fiéis a reagirem a propagandas contra a religião na mídia? Essas são perguntas importantes no contexto da guerra intelectual. […] Diante da política das REAÇÕES ao ataque contra a religião é que poderemos avaliar a eficiência da ação política religiosa contra isso.

Vejam o que ele mesmo diz em De questionador de neo ateus a conservador cético: o que aconteceu?. Ele confirma que o bypass político é muito mais útil aos religiosos do que o modus operandi estritamente religioso do passado:

Eu tenho plena convicção que dessa forma, eu serei muito mais assertivo que no passado. Não perderei tempo com itens que me desfoquem do meu objetivo, que é colaborar para tirar poder dos meus inimigos (os esquerdistas). E desta maneira, serei muito mais útil aos conservadores (e religiosos) do que no passado.

Notem como que nos comentários do mesmo post, ele dá mais uma prova de que a concepção original do termo Controle de Frame realmente tinha cunho pejorativo similar ao da palavra técnica e que só depois ele mudou. Aiaiai….

E se antes eu mostrava as técnicas deles, vou aos poucos mostrar coisas novas aqui, como o controle de frame, e como podemos VENCER QUALQUER discussão com eles.

Não podemos nos esquecer como ele procura sistematicamente convencer outros defensores da religião a abandonarem o modus operandi antigo e adotarem o utilíssimo e revolucionário bypass político. Ele tentou com o Leonardo Bruno  em Um erro e um acerto estratégico de Leonardo Bruno e várias vezes com nosso caricato portuga Jairo Entrecosto, como em Jairo Filipe: um idiota cada vez mais útil a esquerda e Os incontáveis declives escorregadios de Jairo Filipe. É notável com ele tenta alertá-los de que a abordagem antiga deles é tão batida que os ateus até gostam quando eles usam. Tenta conscientizá-los de que somente o bypass político pode resolver a desvantagem em que eles estão. E de quebra, reconhece que o pensamento apologista atual é tão ruim que precisa de um bypass político para se sustentar.

Nos posts sobre Cristão Manso, ele tenta convencer seus leitores de que um cristão que só usa argumentos religiosos é um cristão ingênuo. Que ele deve partir para a briga com os ateus. E que deve fazer isso, obviamente, usando o bypass político. O blog atual dele possui uma mensagem clara: “Eu estou penando para ensinar vocês a usarem o bypass político, então USEM, porra!” Esta mensagem está cada vez mais explícita, hoje só não vê quem não quer.

A cereja do bolo é o famigerado comentário do Marcelo Rizzo, que eu tinha salvo em outro computador, e não no meu notebook. Depois de mandar aquele email ao Gilmar, encontrei o print que trago aqui (vale a pena clicar neste) a vocês junto com uma transcrição do trecho mais importante. Espero que as partes 1 e 1b desta série não tenham deixado dúvidas de que esse post foi escrito pelo Luciano Ayan. Notem como essa transcrição deixa tudo que falei até agora claro como água. Ele usa um fake para definir o bypass político sem precisar ter o compromisso de lidar com isso depois ou para passar a imagem de que é uma iniciativa dos leitores o reconhecimento desta estratégia dele. Não vou precisar nem comentar, a verdade está ululante nas vossas caras (grifos meus):

Quando eu vejo um cristão dizendo que é contra a homossexualidade por isso ser contra as leis divinas, sei que ele não está com uma boa argumentação em mãos. Nem todos os religiosos fazem isso mas os poucos que fazem trazem danos ao cristianismo. Luciano, a grande diferença de sua argumentação é que ela é despida do viés religioso para ser defendida à luz da teoria da evolução. […]
Noto que existem 2 “Lucianos”, um antes da parada, sem o viés evolucionista e católico, com ótimos argumentos mas correndo o risco de sofrer alguns questionamentos incômodos. Outro é o Luciano pós retorno, agnóstico e darwinista, com argumentos sólidos e plenamente defensáveis sob a ótica da evolução, vendo o ser humano como ele é, e não como esquerdistas gostariam que ele fosse.

Esta citação feita por ele através do fake Marcelo Rizzo é complementada pela declaração feito também por ele através de seu outro fake Jeremias, no artigo “O epicentro da crença esquerdista” cujo link está na palavra “epicentro” daqui dois parágrafos.

Não vamos negar o óbvio: ele mesmo está dizendo que um dos objetivos de sua luta contra a esquerda é atacar o ateísmo e aprofundar a crença em Deus. Na pior das hipóteses, aprova esta interpretação, pois permitiu o comentário sem fazer correções. Não tem como negar que o objetivo do blog é o bybass político.

O gráfico de Nolan do Luciano: a fábrica de esquerdistas

Se pararmos para pensar bem, o blog dele possui atualmente um verdadeiro arsenal capaz de enquadrar virtualmente qualquer pessoa que ele deseja como esquerdista. Vamos conferir?

Se você não se assume esquerdista, você pode estar fingindo ou pode ser só um funcional, que age em benefício da ideologia sem necessariamente perceber. E mais, se você não é conservador, então você é de esquerda, pois não há meio termo (adoro falsas dicotomias, principalmente as que chantageiam como esta). Aliás, não existe esquerda moderada também. O mero fato de abandonar a crença em deuses e assumir uma posição secular já se caracteriza como crença no homem, que é o epicentro do esquerdismo. Segundo ele, toda forma de humanismo é esquerda. O nazismo (e de quebra, o fascismo) é de esquerda. A ditadura brasileira era de esquerda. Republicanos são de esquerda (pois ele alega que não são de direita, e como não existe neutralidade… infelizmente, não consigo encontrar o lugar em que ele diz isso, foi os comentários de algum post). O PSDB é de esquerda. A Veja também. Autoritarismo é esquerda. Seu oposto, o libertarianismo, também é esquerda (mesmo que funcional… ou agora esquerdista funcional não é mas esquerda? Não vale mudar as regras no meio do jogo heim?) É possível defender o capitalismo mesmo sendo de esquerda (meta-capitalismo). Feminismo é esquerda. O movimento negro é esquerdista. A aprovação do casamento gay, aborto, drogas, eutanásia só não são de esquerda se for uma opinião pessoal: defendeu em público, é esquerdista. Contra-apologia é esquerda. Neo ateísmo e qualquer forma de anti-religião é de esquerda (e virtualmente, todo ateu do mundo é neo-ateu, de tão vazia que a diferença entre ateu tradicional e neo-ateu é, logo, virtualmente todo ateu do mundo é esquerdista). Ele mesmo declara aqui que Todo neo ateu é um esquerdista. Aliás, ateus tradicionais como Voltaire também são de esquerda, pois ele era humanista. Investigadores de atividade paranormal são esquerdistas. Pessoas que postam fotos de mulheres nuas na internet são de esquerda. Terroristas cristãos racistas são de esquerda. Aquele rapaz da UnB que ameaçou esquerdistas e foi preso também é de esquerda!

Ou seja, para ele, praticamente tudo, menos ele, é esquerda. Peça que ele te mostre algum ateu de direita e ele dirá apenas ele e mais um ou dois. E mesmo assim, ele fará tantas ressalvas a esses um ou dois que você vai ficar na dúvida se ele está forçando a barra só para não ter que admitir. Aliás, este blog recebeu a alcunha de esquerdista mesmo falando unicamente de apologia, filosofia básica e teoria de argumentação. Desafio ele a mostrar como defendo aqui o esquerdismo de forma consciente. Dizer que sou útil à esquerda não me torna um defensor consciente. O desafio está feito, espero que ele responda se atendo aos fatos e sem tergiversar.

Veja o blog dele e tudo isso que postei aqui em cima! É visível o esforço dele em criar um material capaz de enquadrar praticamente qualquer divergência com ele em indício de esquerdismo. Aliás, ele mesmo diz nos comentários do post Crime com co-responsabilidade esquerdista: Quadrilha invade prédio no centro de SP e provoca pânico entre moradores que:

O governo de Fernando Collor, ao quebrar a reserva de mercado e iniciar o processo de privatizações, MATOU a idéia de que a ditadura militar era de direita.

então para ele, nunca na história deste país houve um governo de direita. E a julgar pelos partidos atuais, isso não ocorrerá dentro dos próximos 10 anos, pelo menos. Então, mesmo que um ateu diga “sou favorável ao retorno do governo militar”, o infeliz poderá tachá-lo como esquerdista num piscar de olhos. É mole?

No fim das contas a conclusão inexorável a qual chegamos é que seu gráfico de Nolan é como este aqui:

Deste modo, ele pode agir como uma verdadeira fábrica de espantalhos esquerdistas. Ao invés de usar os fracos argumentos religiosos, arrume uma entre as dezenas de formas disponibilizadas pelo autor de forçar um rótulo de esquerdista ao seu interlocutor. Além de fazê-lo perder tempo respondendo algo que não é verdade (enquanto você se delicia em provocações), você ganha uma vantagem de debate enorme.

Observação: As cópias de alguns artigos mais importantes e que apresentam potencial de adulteração por parte do autor da fossa “Luciano Ayan” estão neste arquivo da WikiUploads.

4 opiniões sobre “Controle de Frame: Sou ateu (Bypass político para pregações apologistas)”

  1. Gostei do post. Esse babaca do Ayanzinho tá espalhando muita sujeira pela web, é bom que apareça alguém de vez em quando pra desmascarar esse sofista de meia tigela. O cara é chato demais. Se existem ateus, beleza… esquerda, cristão, judeu,comunista, democrata, o diabo a quatro, carpe diem.

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    1. O mais engraçado é que para ele, ceticismo só aponta para uma direção possível: para o conservadorismo. E como o que não falta é gente disposta a levar dogma para casa numa embalagem de ceticismo, a sujeira dele se esparrama com vontade. E você falou muito bem, ele não passa de um intolerante que não suporta ver pontos de vista diferentes do dele tendo cada vez mais espaço enquanto que ele fica “para trás”. Err.. imagina se fosse você, você continuaria curtindo a vida com o mesmo prazer? Não seja tão duro com ele, ele não tem culpa de ser ignorante.

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