O que é um Argumento? – Parte 1: O Debate

A argumentação é a base do debate. Metaforicamente falando, o argumento é a matéria que compõe um debate. E da mesma forma que nossa realidade física não se compõe só de matéria, mas também de energia, um debate precisa também de algo que vá além da argumentação, ele precisa de ideias. Nesta metáfora, as ideias são a energia que movem os debates. Assim como a diferença de potencial entre dois pontos gera energia, a diferença de opiniões gera debates e ideias novas! Não poderíamos existir, pelo menos não da forma que somos, se houvesse apenas energia mas não houvesse a matéria para nos dar forma, textura, cor, aroma, solidez etc E da mesma forma, debates não existiriam se houvessem apenas ideias mas não houvessem argumentos para transmiti-las e torná-las persuassivas usando diferentes formas, diferentes estilos, diferentes raciocínios.  Por isso repito: a argumentação é a base do debate!

Mas não adianta falar sobre a importância da argumentação dentro de um debate se não dizemos nada sobre a importância do debate. É como falar da importância de um compressor para uma geladeira que está no pólo norte! Só que diferente da relação entre o referido aparelho doméstico e os esquimós, a relação entre nós humanos e os debates não é supérflua… eu diria que é romântica. Aliás, apaixonada seria um termo bem mais adequado. Uma paixão cheia de amor e ódio, brigas e reconciliações… que vai do romantismo piegas à traição e da necessidade incontrolável ao descaso todo indiferente, ambos num piscar de olhos.

Platão e Aristóteles

Nós precisamos do debate em nossas vidas. Do que seriam Sócrates e Platão sem os debates? Do que seria a sociedade grega clássica sem sua política baseada no debate público? Teria Aristóteles sido o que foi sem Platão? E sem Aristóteles, o que fariam os teólogos da Idade Média para explicar o conhecimento ou os renascentistas para justificar a ciência? O que seria de nós se ninguém tivesse questionado os feudos, as monarquias, os impérios, os sistemas coloniais e a escravidão? E se Einstein não tivesse questionado a Mecânica Clássica de Newton e não tivéssemos aparelhos celular até hoje?

Filosofia, ciência, política, cultura… nossa vida inteira! Tudo isso não seria nada se não fôssemos capazes de debater, de apresentar ideias e defendê-las até que ambas se mostrem igualmente falsas, ou que uma se mostre falsa, ou que ambas se mostrem verdadeiras em partes, sintetizando uma nova ideia. Duvida? Então me responda: como poderíamos formar nossa opinião sobre a origem do universo se não houvessem hipóteses distintas sendo defendidas em periódicos ou em folhetins da igreja? Como saberíamos em quem votar sem a propaganda política? Como saberíamos se é melhor comprar o álbum novo Bruce Springsteen ou o do Foo Fighters sem lermos as revistas e sites especializados (e o montante exageradamente grande e fanático de seus fãs)? A ausência do debate nos deixaria estagnados em todos estes aspectos. Não há progresso sem a oxigenação trazida pelas novas ideias.

Abro um parênteses para apresentar uma reflexão interessante: se precisamos do debate para abandonarmos a estagnação e nos movermos intelectualmente, porque existem pessoas que odeiam o debate e fazem de tudo para que ele não exista? Muito simples: as pessoas que não querem que mudanças aconteçam. Destruir o debate é a melhor arma de quem luta contra o avanço e pela estagnação. Se alguém batalha com muito afinco contra o progressimento de um debate, pode anotar: ou é uma pessoa imatura ou está interessada em manter inalterados os conhecimentos comuns da sociedade.

Voltando ao assunto, a luta do homem para conhecer é antiga e seria bem mais fácil se pudéssemos conhecer as coisas em si, mas infelizmente a verdade é inalcançável para nós humanos. Não me refiro a verdades triviais como “2+2=4” ou “todo carioca é brasileiro” ou mesmo “existem 189.734.982 brasileiros neste exato momento”. Todas estas, por mais difíceis que possa ser para descobri-las, são muito triviais. Saber como surgiu o universo e a vida em nosso planeta, o que é a mente, qual a solução para a pobreza ou mesmo se Lady Gaga tomou o posto de rainha de pop da Madonna não são informações triviais ou trivialmente acessíveis e requerem debate para que possamos atingir uma resposta que possa ser chamada de adequada.

E não pensem que exagero nesse último exemplo. Os debates trouxeram o progresso mas também é algo divertido! Nem todo debate precisa ser sério nem abordar temas profundos e polêmicos. Debater sobre especulações futebolísticas a cerca do suposto suborno do Corinthians para vencer o Campeno Continental Sul-Amaricano deste ano, a popular Libertadores, é algo fútil mas que nos entrete. E se nos entrete, então tem lá sua utilidade.

Mas já está de bom tamanho: se eu for dar exemplos da importância dos debates, me verei forçado a mergulhar de cabeça dentro da Gnosiologia e dentro da História da Filosofia, da Ciência e da Política. Não é minha intenção ser tão profundo. O que almejo aqui é só esclarecer a importância do debate para nossa sociedade, usando como premissas conhecimentos básicos sobre os tópicos acima. Acredito que a noção introdutória de qualquer pessoa medianamente instruída seja suficiente para entender meu texto e espero que eu tenha sido convincente.

Nos próximos posts, mergulharei a fundo no conceito de argumentação, já que tal conceito é vital dentro da minha proposta de trabalho e se desdobrará em diversos outros assuntos. Tenho a certeza de que ficaria um pouco sem sentido falar sobre lógica, falácias e técnicas de debate sem antes explicar o que é um argumento. Da mesma forma que seria sem sentido falar sobre argumentos antes de lembrá-los, isso mesmo: só lembrá-los, de como debates são importantes!

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Blog do Mensalão!

Olá a todos! Sejam bem vindos a este blog, que estou chamando de “Blog do Mensalão”.

Há muito tempo que estou tentando abrir um blog para mim, mas diversos obstáculos ficaram entre mim e ele. Não vou ficar aqui chorando minhas pitangas logo no meu primeiro post, afinal de contas eu quero bastante leitores e esse tipo de abordagem não costuma popularizar blogs. De qualquer forma, ao longo do tempo vou falando sobre a minha vida de maneira bem diluída, então se alguém ficar curioso é só ficar de olho aqui. Acontece que tem um problema (cuja exposição nem chega a ser “chorar pitanas”) que enfrentei e que quero, ou melhor, preciso, comentar com vocês no primeiro post. É importante comentá-lo já que sua solução é algo fundamental para o entendimento da dinâmica daqui. Estou me referindo ao meu próprio “jeito de ser”, por assim dizer.

Explico: eu sou o tipo de pessoa que procura obter conhecimentos não muito grandes sobre o maior número de assuntos possível. Posso dizer que sei pouco sobre muitas coisas e que dificilmente me especializo em um assunto, salvo em necessidades. Isso se deve ao fato de eu ser volátil e de preferir linhas de pensamento finas e borradas. Acontece que tão breve eu chego a um nível que considero satisfatório de conhecimento sobre um assunto, eu já trato de abrir novos horizontes, de pensar em temas correlacionados, de extrapolar, de correlacionar, de expandir, de aperfeiçoar, de conectar… eu parto pra próxima. Vou deixando meu pensamento evoluir até que eu possa perceber a linha que eu estava seguindo mesmo sem saber.

Não sou do tipo de pessoa que mantém uma linha firme e fixa de pensamento e que vai estabelecendo objetivos e adquirindo conhecimentos a partir dela. Não que eu seja incapaz de agir assim ou mesmo que eu seja absolutamente contra este tipo de mentalidade. Na verdade, acredito que tudo tem seu tempo, então há situações que exijem esse tipo de abordagem. Quando um grupo de trabalho, por exemplo, estabelece um objetivo, ele não pode se dar ao luxo de serem voláteis nem de manterem uma linha de raciocínio confusa. Ao contrário, eles devem manter essa linha até o fim de um projeto, ou até o fim de um ciclo de trabalho (semestre, ano etc) ou até que este seja provado insatisfatório, sob o preço de tornarem seu trabalho lento e ineficiente. Não acho que seja adequado ficar me aprofundando em uma argumentação mais sólida sobre este tema específico nesta introdução, pois além de fugir do tema, é algo que julgo ser de entendimento comum.

Observação: espero que não vejam este meu pensamento de que certas coisas são boas em certas situações e ruins em outras como mero relativismo. Eu absolutamente não sou relativista! Qualquer hora eu resolvo explicar melhor essa história.

O importante mesmo é que se há momentos nos quais especialização e foco são úteis, há também momentos em que não são. Quando se trata de adquirir novos conhecimentos, acredito que esta abordagem seja falha, pois nos torna “bitolados” e nos força a uma visão… “monocromática” da realidade. Se norteamos todos nossos estudos segundo uma linha específica e bem resoluta, acabamos sendo doutrinados. E se nos especializamos demais em um tema, perdemos a visão do todo e não percebemos os erros que cometemos por não considerarmos as relações entre as partes ou por termos uma visão distorcida de tais relações. Mas não me entendam mal: não estou dizendo que os especialistas  sejam piores do que eu. Ambos temos vantagens e desvantagens e ambos somos importantes num debate. Acontece que meu jeito de ser, quando se trata de buscar novos conhecimentos, me impede de ser especialista demais em certos temas. Além disso, mesmo aqueles que seguem uma doutrina de forma convicta, mas que não cheguem a se especilizar nela, costumam ser bem vindos em debates. É evidente que todo apego tem um limite, mas ninguém é isento para dizer “sou completamente independente de ideologias e doutrinas” então devemos perdoar os ideólogos e doutrinadores.

Dada esta minha tendência a preferir ser um mar raso a uma piscina profunda, creio que já tenham percebido o quanto seria complicado para mim abrir um blog: surgiriam dificuldades em estabelecer um público-alvo e em me relacionar com ele de forma simples. Enquanto uns gostariam de ler sobre A e não gostam de ler sobre B, outros gostariam de B e não estariam nem aí para A. No fim das contas, eu acabaria ficando que nem o caçador que entrou no mato para pegar dois coelhos e saiu sem nenhum, enquanto que aquele que entrou para caçar um, saiu com um.

Era preciso ter uma saída e foi então que resolvi procurar sites na internet que tratam de muitos assuntos para ver como eles conseguem harmonia interna. Basicamente, eles se subdividem internamente em temas e cada tema tem um autor específico, algo que resolvi “adaptar” para cá. Assim, o blog não fica confuso e sem foco, pois seu foco passa a ser igual ao dos autores que estiverem mais ativos numa determinada época. Além de resolver meu problema, ainda ganho a vantagem de mesmo sozinho consegir dialogar facilmente com vários públicos-alvo diferentes e trazer ainda mais leitores para cá.

Quanto aos temas do blog, deixarei que cada autor diga por si mesmo. Só o que adianto é que as linhas principais serão Religião, Ateísmo, Ciência, Filosofia e Política, mas nada impede que eu “chame” outros autores para falar sobre outros assuntos. Eu particularmente, o Mensalão, sou o administrador do blog e não vou escrever textos sobre nenhum dos temas acima. Meu papel será moderar os outros autores e falar sobre assuntos pessoais tais como música, jogos, esportes, lazer, literatura etc

Em breve os primeiros autores se apresentarão aqui para vocês. O Bruno Almeida e  Mr. Monk serão os dois primeiros e os demais serão apresentados gradualmente, tão logo eles se disponham a cumprir a promessa que fizeram de me ajudar aqui! Vocês podem saber um pouco mais sobre eles aqui ou clicando no menu “Autores” no cabeçalho da página. Caso queiram entrar em contato comigo, basta ir na aba “Contato” alí em cima também.

Bem, espero que gostem!